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sábado, 21 de janeiro de 2012

Manhã Criança

Num berço verde, embalando luz e esperança...
Nasce, mais uma vez, a manhã criança...
No orvalho das flores, lágrimas deslizam...
No canto dos pássaros, sonhos bradam...

Em revoada debandam a liberdade,
Tantas vozes silenciadas na verdade...
No canto dos rouxinóis e da cotovia...
O encanto do despertar de mais um dia...

Como criança, a brisa mansa...
Brinca no tilintar da água que balança.
Na nascente do rio caudaloso deslizando,
Cascata nas pedras vai se formando.

Canção sintonizada, cores que lampejam...
N’água raios d’ouro espelham...
Cristais multicores, aquarelas compõem...
Com peixes raros por entre feixes de luz se impõem.

Cobrindo com a cortina de estrelas que cintilam cores...
Que se misturam a tantas de tão raras e belas flores...
Beleza e perfume emanam; isso embriaga e enfeitiça...
Ao homem atiça a cobiça; açoita a perfeição e a justiça.

É preciso perder um só instante do tempo que não se tem,
Observar esse espetáculo presente, ir mais além...
Tantas são as belezas e cores, riquezas encrustadas...
Perfumes e sabores nas paisagens, agora, tão devastadas...

Perde-se assim a própria essência... Homem desumano...
Fica a ausência, fazendo da vida... Desengano...
Em tudo, a perfeição; ao seu redor, encanto...
Dos anjos escuta-se o pranto...

Grito de socorro que na voz de um menino...
Lembra ao homem a perfeição desse presente divino...
Choram o pranto dos inocentes...
Dos corações... Das almas... Das crianças ausentes!

Despejando a prata, a beleza da mata vai a noite encobrindo...
Nuanças púrpuras se descortinam; o crepúsculo, partindo...
O dourado vai cedendo lugar ao prateado do luar...
O vento sopra o tempo que não pode mais voltar!



                                                                       João de Joshaff

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