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domingo, 15 de dezembro de 2013

Conto de fadas às avessas


Como num conto de fadas às avessas,
Vestiu-se com sonhos para dançar à luz da lua cheia,
Queria ser diferente,
Quem sabe cantar nas noites quentes de verão?!...
Esperava... Esperava... Esperava...
Como princesa encantada, acordar desse sono profundo,
Mas não havia príncipes, nem sapos...
Apenas escolhas: histórias de amor, quase sempre,
Inacabadas e incompletas, desfilavam-se em desilusões...
Na busca inconstante, o vazio se perpetrava...
A falta de amor próprio e a ausência de autoestima
Destituíam-lhe de si mesma...
Despida de esperanças, via o caos imperar...
Ia se perdendo por intrínsecos (des)caminhos...
De pés descalços pisava a areia fina e clamava aos céus:
O que fizera de si mesma? O que devia procurar?
Onde se perdera? Quem era?
Quantas dúvidas... tantos medos...
E nos confins da alma, encarcerava-se...
Já não lhe restava mais do que cacos...
A escuridão não lhe permitia contemplar-se...
Sentia o perfume das flores, mas não via o jardim...
Acorrentava-se aos sonhos de menina,
Mas não se percebia...
O tempo sempre é implacável
E, à medida que as areias desfilavam na ampulheta,
A vida lhe cobrava o despertar...
A menina tinha ficado em alguma esquina...
Quem agora andava pela praia
Era uma mulher, desencantada, mas madura,
Repleta de cicatrizes invisíveis, contudo viva...
Incomodada pela letargia,
Colava seus cacos, enfim reagia...
Já não seria mais possível esperar
Pelo “Foram felizes para sempre”...
Porque  estes finais “(in)existem”...
Não há fim... Estamos no meio da história...
É preciso compreender as incongruências do ser...
Ver-se como protagonista de uma história real...
Repentinamente, abriu os olhos,
Para mirar-se naquele espelho perturbador:
Via uma mulher e suas marcas...
Era tão diferente do que imaginava...
Não era o que pensavam, nem o que queria...
Havia equívocos... tanto na superficialidade...
Quanto mais na profundidade...
Seu olhar refletia o que escamoteava:
Muito do porvir para concretizar...
Pouco do ontem a se materializar...
Era uma mulher comum: nem feia, nem bonita...
Nem doida, nem santa; nem demônio, nem anjo,
Nem princesa, nem bruxa...
Seu reflexo era torpe, seu sorriso melancólico,
Mas sua essência tão humana e tão divina
Que a permitia tocar o céu, sentir o mar...
Ser o sal e o mel de um mesmo olhar...
Desmanchou-se em enigmas e fez desabrochar:
Quimeras desfolhando-se em primaveras,
Estilhaços em mosaicos...
Perfumando um novo amanhecer...
No espelho uma nova face se via... Multifacetada...
Apenas uma mulher e todos os sonhos do mundo!
Ainda havia um quê de menina...
Tinha em si a ingenuidade e a malícia...
Acreditava no divino, mas vivia o profano...
Era ao mesmo tempo a deusa e a feiticeira...
O sapo e o príncipe desencantado...
Era a princesa que dormia e o lobo que a engolia
Era, de alguma forma, aquela mesma menina
Num desvario, num suspiro, num corpo de mulher!


sábado, 30 de novembro de 2013

Poeira de Estrelas

A poeira da travessia impregna-se na minh’alma...
Desmesuradamente perambulo pela praia...
Busca-se o perdido...  Talvez, no coração esquecido.

Nuances de sonho em chamas, em sal se derramam,
No vento se proclamam matizes de sol...
Que de mim se despedem, duelam e me transformam.

Assombros do ontem reluzem...
Vertem-se em luz as sombras de alquebradas ilusões...
Lágrimas e versos que tão bem me traduzem.

É preciso se soerguer, sorrir e agir...
Despedir-se da dor e das desilusões...
Transpor a passagem secreta e se abrir...

Vislumbrar a felicidade:
Tão delicada e tão bem delineada...
Ver além do visível... Transbordar: liberdade!

Deseja-se o que não se pode ter...
Ultrapassar, exceder-se, sobrepujar
A névoa que não se pode deter...

Perpassa-nos  tão breve e faceira...
Dá-nos o sabor do mel, deixa-nos o sal...
Toca-nos a magia e se esvai como feiticeira...

Asas escamoteadas, esquecidas, esmaecidas,
Decepados: anjos de uma asa só...
Tiveram seus sonhos roubados...

Há apenas lágrimas, desejos e pedras...
Encobertos por palavras, perfumes de flores raras...
Sorrisos esculpidos, delineados ou estarrecidos...

Em busca de outra asa  que os faça voar...
E o céu na Terra tocar... Ah que bela quimera!
Agora, urge esquecer a escuridão, essa pantera!

Almas imperfeitas,  anjos caídos ao léu...
Debulham...  Espelham-se...  Esfacelam...
É fundamental buscar o nosso céu...

Felicidade: grande utopia! Insights corporificados...
Sombras que dançam... Transbordam enganos, sem dó...
Somos assim, por instantes: anjos...

Abrem-se os olhos e tudo que se vê é pó...
Segredos de abelhas... Poeira de estrelas...
Na vida, somos meras centelhas!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Palavras em metamorfose

Palavras em travessia...
Tempestade em mim...
Ninguém a percebia...
Há apenas um sabor acre sem fim...

Palavras perfiladas em resma...
Diziam-me que roubaram meus sonhos:
Destituíram-me de mim mesma
Ainda não sei o que resta... Há medos?

Palavras grafadas na areia...
Confesso que ainda não sei...
Vejo-me caminhar pela praia
O mar está frio e eu tão só...

Palavras sussurradas ao vento... as verti...
Permita-me revelar um segredo:
“Meus versos estão tão vazios de ti...”
Sinto-me tão distante... em degredo...

Palavras silenciadas pela razão...
Debulho-as sobre o papel...
São cacos de um coração,
Mosaico de fugaz ilusão...

Palavras perfumadas pela dor...
Suaves ferem... Escondidas pela dor...
No meio das esperanças e dos espinhos...
Fazem-nos chorar e sorrir... só ao sentir, amor...

Palavras espelhadas em versos...
Resquícios  dedilhados... pássaro que voou...
Quimeras e tantos devaneios imersos
Porvir? Borboleta que se metamorfoseou...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Catedral de Sal


Aqui desmancho-me...
Despedaço-me...
Despeço-me
Das agruras e dissabores...
Estou em busca de mim nos labores.

Montanha Russa de sonhos
Despeja-se sobre mim...
Pedaços do passado (des)feitos...
Fragmentos de quimera (re)feitos
Em tantas cores e sons...

Sopram-se os ventos...
Desfazendo nós e tormentos...
Minguam as ilusões...
Gosto acre na boca...
Imagens, sabores, cheiros: profusões!

É preciso entreabrir a alma...
Respirar um sopro da utopia
Que no passado ficou...
Abrir a janela da travessia:calma!
Ver o que repousa, o que restou...

Pisar suavemente por vias íngremes...
Deslizar pelos torvelinhos...
Encontrar onde ninguém alcança
Um pouco de paz...
Quem sabe  esperança?!...

Onde estão meus passos?
O tempo sempre breve...
Tortura a sombra...
Busca a luz...
Sinto a alma leve...

A esmo, caminho pela praia...
À procura de uma direção...
Quem sabe o céu?...
Quem sabe o mar
Com todo seu azul leiam-me o coração?...

Quem sabe todo esse sal
Transforme-se em mel?
E leve assim esse gosto de fel...
Transmutando as intempéries...
Reerguendo-me feito catedral.

Meus versos são palavras de amor...
Que debulho feito lágrimas...
Compõem o que sobrou...
São restos de mim...
Depois da tempestade e da dor!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Gratidão

A vida é extremamente sábia...
É preciso ter olhos e ouvidos atentos:
Há muito que precisa ser dito,
Muito mais para ser visto,
Mas, sem sombra de dúvida,
Há que se viver para não se morrer na apatia...

Corremos riscos...
Perdemo-nos de nós mesmos...
E por impulso nos atiramos ao precipício...
É necessidade de adrenalina...
É medo de ser tudo fictício..
É vontade insana de viver...

Muitas vezes preferimos
A acomodação e a letargia...
Escolhemos adormecer em agonia...
Suplantamos a dor...
Desaprendemos a sonhar...
Aceitamos viver no desamor.

Quando o desespero vem nos visitar...
Repentinamente, abrimos os olhos...
Embaçados pelas lágrimas...
Vemos as asas que deixamos murchar...
Sentimos que depois de tanto tempo
Ainda é possível voar...

Há pessoas que nos tocam a emoção...
E nos fazem dançar a alma...
Percebemos que estamos vivos,
Que há uma metamorfose
Transmutando em mosaico
Os cacos dentro de nós...

Ah...mas tudo tem seu tempo...
Novos ventos nos arrastam...
Transformam-nos em pedaços...
Já não sabemos quem somos...
Onde estamos? Para onde devemos ir?
Pouco importa... Sentimos uma louca vontade de fugir!

É a vida e seu ciclo infindável de aprendizagem...
Derrubando-nos, desmanchando nossas ilusões...
Tudo isso para que percebamos sua efemeridade:
É preciso ousar, dançar, cantar...
Quem sabe duelar com a eternidade...
E novamente aprender a voar...

Grata sou à dor que carrego agora...
Que estilhaça em muitas partes meu coração...
Faz-me mais forte...
E mostra-me as pessoas como são...
Ouço a voz que brada longe...
Talvez seja um eco... ou uma oração...

Houve um beija-flor pairando sobre mim
Despejou-me encantos e me fez sorrir
Mas escolheu outra direção para seguir
É preciso uma nova estrada buscar
Caminhos de estrelas e flores
De perfumes novos e luz a me iluminar

Grata sou por tudo que vivi...
Por cada instante de ilusão...
Pela esperança e paixão...
Alimentadas pelo silêncio e solidão...
Despejadas nos devaneios incontidos...
Nas palavras, fantasias e segredos escondidos...

Deixo-te meus versos de adeus:
Que tu sejas feliz, meu colibri...
E que a saudade venha
Um dia visitar os sonhos teus...
Que te dê um beijo profundo e suave...
Para que saiba quão grandes foram os sonhos meus!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Espinho e jasmim


Perdida em meio às palavras...
Sem rumo, debulho sonhos,
Reviro escombros,
A esmo, transbordo poesias...

Busco o teu olhar que me sorri,
Entreabro a alma neste olhar fictício...
Despejo meus versos sobre ti
E tu és apenas silêncio...

Desdobro-me em muitas máscaras,
Deslizo sinuosamente sobre o cetim...
Desvelando perfumes e metáforas,
Duelando: espinho e jasmim!

O beijo do vento sopra segredos:
O amor nos liberta e dá poder...
O passado petrificou-se em medos,
Resta-nos sentir, partir, viver...

A semente do amanhã germina.
Aninha-se no âmago do abraço...
Delinea-se: miragem que fascina,
Quando o coração é só um pedaço...

Sinto o ruflar de asas em toda parte...
Desejo do anjo, colisão, amplexo...
Auscultar o todo: ser arte
Neste mundo tão complexo...

Na ponte infindável do tempo,
Atiro fagulhas, tormentos...
(Re)viro memórias por passatempo,
(Re)organizo mosaico de momentos...

Desabo-me, despedaço-me...
É preciso fenecer, deixar-se minguar...
Para em seguida, florescer: (re)faço-me
Como a lua em plenilúnios a desaguar!

Sinto-te mordendo-me o pensamento...
Que me lês, lasciva, além de meus versos...
Sei que me vês, apesar dos reversos...
Calando a febre da carne... no firmamento!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Fetiche


A ampulheta da vida transmutou-se muitas vezes...
Nas idas e vindas, o tempo foi, ao mesmo tempo, ponte e abismo...
Encontramo-nos e nos perdemos
Nos incontáveis confins de nós mesmos...
A ficção das imagens reviradas pela memória afetiva:
Trazem-nos protagonistas da memória
Delimitando caminhos, perfazendo história...
Duelamos com sentimentos, fugimos do amor...
Mas ele é ardiloso e capturou-nos nas suas armadilhas.
Deixamo-nos prender nas teias da paixão...
Precisamos da volúpia que o olhar do outro desperta...
Fomos enfeitiçados pelo amor em todos os seus (des)encontros
De mãos dadas, necessitamos auxiliar as conquistas do outro...
É difícil essa avalanche de sensações desenfreadas
Que este outro em nós desperta...
Afugentamo-nos na solidão... Medrosamente nos escamotemos...
Encobre-se a essência... Nega-se a febre, sufoca-se o vulcão...
E no vazio do outro somos apenas saudade...
Esta tatuagem que nos fere desmesuradamente...
Mas sem ela nos perdemos na insipidez de uma vida morna...
O pensamento faz-nos loucos e, tomados pela loucura,
Não sabemos se fugimos ou se nos atiramos no precipício...
Quisera poder fazer dormir essa saudade sem igual,
Quisera poder desabar-se no abraço do encontro...
Ah!... Quisera que pudesse, por segundos, tocar nesse céu...
Ou quem sabe entrar e sair da história e do amor...
E se fazer saudade, sem se machucar  tanto...
É tão difícil conter este sentimento revestido de saudade...
O tempo breve faz-nos sentir a vida latente e que amar vale a pena...
Ainda que nas asas afáveis e ágeis de um beija-flor...
A cada dia a saudade se faz sem fim...
Estamos em todas as histórias que já escrevi
E nas muitas palavras que ainda colocarei no papel...
Porque a magia se faz em nós... no feitiço incontrolável...
Que enlouquece e nos permite viver esse devaneio...
Há fetiches que dispensam palavras e revestem desejos...
Maiores, muito maiores do que eu...
Sua essência é AMOR : sentimento dúbio, forte e verdadeiro...
Que se quer junto de alguém... Mesmo ao abdicar de si pelo outro...
É hora de chegar ou partir?
Não se sabe ao certo, apenas se quer,
Ainda que, apenas por segundos,
Tocar o céu na Terra!


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Máscara



Muitas vezes passamos pela vida
E, de fato, não a saboreamos ou vivemos...
Acovardamo-nos e nos acomodamos à mesmice...
Aceitamos vários papeis que nos camuflam bem...
Escondemo-nos por trás de estereótipos...
Nossos sonhos vão minguando:
Esquecemo-nos de sorrir...
Desaprendemos a amar...
Deixamos a vida nos levar...
Preferimos o papel passivo,
Tornamo-nos coadjuvantes,
Assumimos posturas irrefutáveis
E nos perdemos no vazio de inúmeras noites insones.
Refugiamo-nos e nos escamoteamos...
A vida morna é mais fácil e cômoda.
A montanha russa das emoções é olvidada
Pela falsa imagem do bom senso.
Aparentemente sensatos e prudentes
Seguimos pela vida...
E ela como furacão nos atropela...
No entanto, nada nos atinge ou nos abala.
As máscaras sociais imperam sobre os sentidos...
Esquecemos que somos humanos...
Há muitas encruzilhadas que nos colocam em Xeque-Mate,
Podemos adormecer nossa essência,
Tentar negá-la ou sufocá-la,
Porém haverá um momento que, tolos, vazios e perdidos,
Vemo-nos à beira do precipício...
O medo do desconhecido  nos apavora...
Sair da passividade e da apatia nos atormenta...
Mas o limite da insanidade é tênue...
E Zéfiro nos empurra para a nossa viagem interior...
A escuridão nos cega e tateamos a segurança
Que não existe no teatro das emoções...
Somos jogados ao palco e não há ensaios,
É uma  peça que exige o improviso...
Onde duelam paixões e enigmas.
Despidos de tudo, inclusive,
Dessa roupagem  politicamente correta
Encurralados, impossibilitados de fugir,
Vemos emergir da insanidade a essência de nossas emoções
Percebemo-nos frágeis,
Perdemos nossa armadura imaginária,
Notamos que não há certezas, apenas dúvidas:
São muitas perguntas e tão poucas respostas...
Contudo nosso papel é outro...
Somos impelidos a ser protagonistas...
Afinal ninguém viverá por nós e a brevidade da vida,
Arrasta-nos ao abismo de nós mesmos...
Não é confortável mudar...
Mas é preciso se arriscar...
Não há mais como se fazer de vítima...
Não se pode mais permanecer na plateia
Ou se esconder por trás das cortinas...
Diante deste caos, somos incitados a nos transmutar...
Pela realidade somos desafiados:
Conter o medo, a mediocridade e a covardia...
Como reis e rainhas de nós mesmos
Precisamos aprender a governar mundos,
E, nestas batalhas silenciosas, destruir muros...
Temos dificuldades de manusear nossas armas,
É preciso atacar, vencer obstáculos,
Olhar adiante e sentir o que pulsa em nós...
Perceber que não estamos sós...
Se permitirmos florescer nossa essência...
Nela há esperanças e caminhos...
De flores, árduas pedras e duras penas...
Todavia não se pode esmorecer...
Necessitamo-nos de nos reconhecer...
No espelho translúcido do outro...
E este reflexo como esfinge
Lança-nos novo enigma:
A vida só vale a pena se se desmensurar em amor?
Só o amor nos atira ao chão e nos eleva aos céus...
Só ele pode nos trazer de volta do abismo existencial...
E nos permitir, destituídos de máscaras, viver
Intensamente, verdadeiramente, indelevelmente...
Nossas emoções, fantasias e sentimentos...
Derrotando nossos fantasmas e sombras...
Dominando a ilusão de que somos marionetes...
Afinal somos mais que atores, somos protagonistas...
E ninguém viverá por nós...
Viva! Dance! Cante! Chore! Grite! Sorria! Sinta!
E principalmente AME!
Sem amor não há sonho, sentido ou vida!
Sem amor não há nada!

sábado, 28 de setembro de 2013

Completamente

Completar?!...
Complementar?!...
Ser... Sei... Somos...
Sabor, calor, sentir...
Desmesuradamente....
Infinitamente...
Mesmo que indevidamente...
Desejo sentido...
Sentimento perdido...
Inacabado, (im)perfeito...
Feito em nós...
Despejado por nós...
Despojado de todos os nós...
Assim somos...
Assim sonhamos...
Assim caminhamos:
A esmo...
Para um lugar que desconhecemos...
Que está fora do sonho
Ou dentro de nós?
Que nos tornam foz
Um do outro?!...
Lugar de sonho...
Que une o que nunca se separou...
Que nos faz estar junto...
Mesmo quando estamos perdidos...
Lugar surreal...
Que nos faz tocar no (ir)real
Onde sonho e realidade
Duelam...
Suspiram...
Se misturam...
Em nós...
Na foz...
No sonho?!...
Indefinível...
Porque já não sabemos
Quem somos...
Nem onde estamos...
Somos fios que se emaranham...
Linha divisória...

Tinta fresca a escrever história?!...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Agora



Vida: aprendizado único
Por onde desfilam
Dissabores, intempéries, tempestades...
Assim como
Quimeras, devaneios, primaveras...
Desenhando aquarelas,
Rascunhamos histórias,
Olvidando memórias,
Costurando personagens,
Vestimo-nos de protagonistas
Para compor novo poema.
Em meio a este mosaico de nós mesmos,
Buscam-se verter, em realidade, nossos anseios...
Desdobram-se no que somos
E também no que queremos...
Muitas vezes tão pouco podemos...
E acreditar em nós devemos...
Nem sempre se alinham
Dever, poder, querer...
E nos decepcionamos...
Estamos constantemente frustrados...
Perdemo-nos na angústia,
Na depressão e/ou opressão
Preocupamo-nos em demasia...
Não nos situamos no presente...
Quase sempre se vive ausente...
Esquecemo-nos lá no passado
Ou esperamos demais pelo futuro...
Pedras podem ser analisadas, quebradas
Já nos feriram suficientemente...
Já nos ensinaram sua árdua lição...
Nuvens podem ser imaginadas, ultrapassadas...
Quem sabe alquebradas...
Afinal, dissipam-se nos dias claros...
Tudo o que se tem é AGORA:
Aqui residem todas as possibilidades...
Sem dúvida,
É preciso voltar o nosso olhar
Para o passado e sonhar...
Mas antes e acima de tudo,
Urge sorver o perfume,
Dividir agruras e vitórias,
Encadear elos, fazer laços...
Vencer percalços...
Saciando-nos de experiências
Conquistadas no ir e vir
De tantas e muitas vivências...
Preferencialmente, de mãos dadas,
Entrelaçados na missão intercruzada
De nos soerguermos de nossos tormentos...
É preciso sair da sombra
Para vislumbrarmos a luz...
Tornar doces nossos momentos,
Encontrar dentro e no outro
Espelho de afinidades...
E, juntos, colorir a alma
Com suaves diafaneidades...
A felicidade existe além de nós...
Guarda-se no espaço sem fim...
Que nos desdobra em outra alma...
E sigilosamente nos conduz
Ao universo onírico e mágico
Que nem sempre pode ser visto
Que precisa ser vivido, sentido...
Porque é na travessia
Que dorme o amor!