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quinta-feira, 20 de julho de 2017

PRESENTE


Um dia você acorda
E percebe que desperdiçou muito tempo
Desejando demais o que não podia ter

Um dia você acorda
E descobre que já chorou tudo que tinha para chorar
Que não há mais lágrimas... é preciso, portanto, Acordar

Um dia você acorda
E vê que se contentou tantas vezes com migalhas
Enquanto havia outro céu esperando por você

Um dia você acorda
Desejando, além da conta, viver
E percebe que as areias já se despejaram na ampulheta

Um dia você acorda
E se dá conta que cresceu e se arrefeceram seus sonhos
Sente que a vida se esvai, feito areia, por ente os dedos...

Um dia você acorda
Olha, ao seu redor, e constata o caos
Ah... tão pouco foi construído e tanto destruído

Um dia você acorda
Sentindo-se em cacos e revira os escombros de si mesmo
Para descortinar sombras que nos fazem adormecer

Um dia você acorda
E nota que já não há tempo para brincar de conto de fadas
Desperdiçou-se tudo: sonho, tempo, energia... agora só resta o vazio

Um dia você acorda
E buscando sair da letargia, fugir deste abismo
Sente a vida toda pulsar no âmago de si mesmo

Um dia você acorda
E vê quão cinza você pintou seus dias
E que há, novamente, cores despejadas, magias, alegrias...

Um dia você acorda
E percebe que nem sempre temos o que queremos
Mas a vida nos dá tudo o que, de fato, precisamos

Um dia você acorda
E vê que, embora não seja mais criança,
Há uma vida desmedida pronta para florescer... ainda há esperança...

Um dia você acorda
E resolve dar mais cor à sua vida: despertar
E deixa a janela aberta para a luz do sol em você adentrar

Um dia você acorda
E prefere deixar o passado no passado: ausente
Já que o futuro não chegou ainda... e só lhe resta o PRESENTE!

Um dia você... A – COR - DA
E percebe... e sente... e vê...
Que tudo só depende de você... A - COR - DE!



segunda-feira, 17 de julho de 2017

(INDIGN)AÇÃO

De volta à senzala!
Silenciaram, novamente, a democracia...
Olvidaram nossos direitos...
Direitos?
Quem vocês pensam que são?
Miseráveis!...
Pensaram, por certo tempo, ser gente?
Mas não!... Vocês são povo!
E povo é massa de manobra...
Fantoche nas mãos dos poderosos...
Vocês não têm direitos!
Apenas deveres: trabalhar, trabalhar, trabalhar...
Lutar por um país mais justo, digno, decente e honrado?
Será? Parece que preferem a Casa Grande
Acham bonito quem manda, quem dá ordens:
“Manda quem pode, obedece quem tem juízo!”
Somos nós mesmos que recebemos estas ordens...
E pouco importa quem as cumpra, de fato....
Afinal, leis são leis, deveriam ser para todos...
São mesmo para todos?!...
Talvez...
Mas...Se houver dinheiro e poder...
Tudo muda, afinal, as leis servem apenas para alguns...
Ricos que se beneficiam delas e saem ilesos depois de crimes terríveis,
Pobres que as desconhecem  e são condenados, sem serem culpados...
“Coitado, do ladrão de galinha ou do faminto”!...
Ainda que sejam muitos os desvalidos
Esta parece ser uma luta vencida pela minoria...
Já que a maioria pacífica... escória da nação
Foi atirada novamente à senzala!
Está presa ao calabouço das ilusões...
Aceitam tudo que é imposto em nome da paz
E  nos acovardamos diante da cruel realidade:
Cassaram nossa alforria!
Sim, já não somos mais livres,,,
Em nome da segurança, da “moral”, da “ética”, dos “bons” costumes...
Usurparam nossa liberdade
E nós? E você?  E o resto?
Ah... fomos todos silenciados: “psiu”!
O que vemos, ouvimos ou vemos?
Pouco ou nada importa
Já não adianta gritar?
O medo selou de vez nossa voz?
Armaram-nos uma cilada
Estamos todos encarcerados nesta armadilha
A violência nos é cada vez mais escancarada
A boca cerra e range os dentes de dor
A quadrilha nos rouba a verdade
E engolimos em seco
Estamos sendo usados, esculpidos e enjaulados
Na cela fria do consumismo desenfreado
Manipulados por uma ideologia imposta pela elite
Tirem as mãos que tapam seus ouvidos: escutem o clamor do povo!
Abram os olhos: desvendem os fatos que escancaram a verdade!
Não se calem ante o que se vê ou se ouve!
Não sigam à manada, nem se acovardem ante as imposições!
Não sucumbam à ditadura das horas mortas, dos tempos frios!
Acordem, amigos!
Acorde, amor!
Acordai, meu querido povo sofrido!
Indignai-vos! Indignai-vos! Indignai-vos!
Indignemo-nos!
Indigna nação, levante-se e diga: “Não!...
Não à ação desmedida de quem tudo tem
E sempre quer mais, mesmo que para isso
Tire do que pouco ou nada tem o pouco que lhe resta
Levante-se, povo, e proteste:
“Eis... Aqui, nossa imensa indignação!

domingo, 30 de abril de 2017

Em boa hora


Às vezes a vida se esvazia como uma folha em branco
É a alma que não consegue ser silenciada
É o coração que pulsa forte em descompasso
É a emoção desmedida do poeta tosco
É a solidão trancafiada no baú de Pandora
É um lado perdido em mim que silenciosamente chora!

Às vezes preciso transbordar
É que o copo dos dissabores encheu
É que desmesuradamente sou emoções
É que não posso mais conter o silêncio
É que há palavras latejando dentro da mente
É que a taça dos desejos despeja-me... devora!

Às vezes preciso a-cor-dar
É que a cor dos sonhos debotou a realidade
É que a vida se tornou insipida demais
É que preciso sentir e ter sentido
É que preciso viver e ter vivido
É que a mala está novamente pronta... é hora!

Às vezes é preciso partir para chegar
É que os (des)acordos convencionais não mais convencem
É que as tristezas já me despedaçaram
É que o inteiro quebrou-se em cacos
É que sou mosaico colando meus (des)pedaços
É que tudo se foi e eu também preciso ir embora

Às vezes é preciso tirar os óculos e ver o que ninguém vê
É que nem sempre conseguimos achar a direção certa
É que nem sempre nos apontam o caminho certo
É que tudo se liquefaz nestes tempos insanos
É que não sabemos se há mesmo para onde ir
É que  não conheço tudo que em mim mora

Às vezes preciso da dor para me encontrar
É que a palavra afiada degolou os sonhos
É que sobrou pouco do pouco que fui
É que talvez, um dia, quem sabe... haja todo
É que tudo não foi suficiente, embora fosse tanto
É que nada se perde... se transforma...é sempre... em boa hora!



quinta-feira, 2 de março de 2017

Alento

O sentir em mim
Faz-me desbravar o tempo sem fim
(Des)cortinar a poesia que desnuda a alma
E revelar nas metáforas torpes a calma
O ser amorfo (trans)borda sonhos na palma

Ando distante dos versos
Incubando a metamorfose da poesia
Não sei se quero ser (des)coberta: (in)versos
Ou se prefiro me camuflar em metáfora deserta?
Onde estou? Perdida? Esquecida? Em travessia...

Há em mim uma dualidade míope
Meus olhos se perderam no vento etíope
E este aprisionou o coração que vos fala
Triste cantar de vozes de outrora
Entoam histórias, memórias... dentro ou fora?

Fora o tempo que aprisionou o ser que chora?
(Des)pedaços de sonhos, de sombras 
Quem sabe uma nova aurora?
Ah... triste gemido aprisionado por hora
Grito que rompe madrugadas alambras

Fragmentos de poeta torto
Que (re)avivam  o ser absorto
(Des)mascara calmaria, sacode pesadas penas
Abre asas aflantes e verbos errantes
Palavras (des)bravam ,(res)lavram, retinem triunfantes!