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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Palavras e Lágrimas




As palavras debulham das mãos como lágrimas do coração
Brotam na saudade, despejam ilusões...

Sou mais um poeta sem nome
Que rascunha nas páginas em branco, sua própria história...

Sou um ser que perdeu a memória
E anda errante em busca de um mirante...

Meu barco segue em busca da direção certa
Em busca das transformações...

Não há espaço para o medo,
Há a totalização dos sonhos...

Sonhos que em sombras multiformes
Conduzem, confluem e constroem...

Meus passos ainda taciturnos caminham sobre a proa
O balanço das ondas ainda me entontece...

Mas já não me vejo só,
Não sou mero espectro de mim...

Sou pequena, frágil, insignificante
Diante da criação...

Porém sou forte quando o Pai
Impõe o caminho que se interpõe de pedras e espinhos...

As palavras tingem de cores a minha vida
E sua ausência silenciosa, me faz sentir só...

Sem as palavras emudece meu ser
Calam os sonhos que me esqueci de ter...

Aqui, estou eu de mãos vazias
E coração transbordante de palavras...

Aqui estão meus versos manchados de saudade
Que suspiram a ausência e os resquícios da felicidade...

Nos meus versos de agora, há presença,
Luz translúcida de esperança... Sonhos...

Quero as mãos que tocam as minhas
Quero sentir os passos que me acompanham...

Quero o gosto de mar no sopro que a saudade me traz
Quero abraçar o meu agora e construir um novo caminhar...

Quero acompanhar o marulho
Que me compõe versos de amor...

Ouvir as confidências, sentir as inconstâncias...
Viver as pertinências, emergir de todas as ânsias...

É preciso permitir ao audaz navegante do meu barco
A ancoragem, o abrigo das horas nos braços de alguém...

É preciso se ver personagem da própria história
Construtor dessa memória que muitas vezes me fez tão só...

É preciso entender o caminhar como um enlaçar de mãos
Um intercruzar de olhares e uma confluência de sonhos...

É preciso sonhar nos braços seus para compreender que
A vida se faz de histórias, de memórias...

Faz-se de pedaços, cacos, formas, cores...
Enfim se faz em nós, para nós... Por nós!

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