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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vitral




Algumas vezes estamos tão perdidos
Que não conseguimos discernir
O que desejamos do que somos...
Nossas asas foram podadas
Impedindo-nos de voar
Em direção a nossa própria essência...
Exilados de nós mesmos deixamo-nos transformar
Em meros zumbis, marionetes,
Que cumprem seus deveres mecanicamente...
Deixamos de lado a voz que ecoa
Constantemente dentro de nós
Clamando-nos por mudanças...
Esquecemo-nos de ser e do que viemos buscar
Vamos levando uma vida morna
Repleta de “se” e “quase”...
Se tudo fosse diferente,
Eu poderia quem sabe ser feliz...
Quase tive coragem de me virar do avesso
E transmutar-me em borboleta...
O tempo evapora a vontade de viver,
Os sonhos vão minguando...
E o cinza desbota as cores que trancafiamos na alma...
Mas chega um instante,
Que uma corrente mágica quebra nossos grilhões
E as tempestades varrem o que resta do passado...
Porque o que fica é um amontoado de cacos
Daquilo que almejamos outrora...
Miramo-nos no espelho
E não reconhecemos a face que olha, mas não se vê...
Afinal somos uma sombra do que poderíamos ter sido
A crise existencial nos conduz ao caos supremo
Devastados pela tristeza, mergulhados na decepção,
Quase desperdiçamos a vida que recebemos de presente
Contudo Deus não abandona os que têm fé...
E um sopro de sonhos, uma névoa de sorrisos
Permite-nos descobrir....
Que em algum lugar poderemos colar nossos cacos
E num mosaico multicor refazer  o ser que somos
Meu vitral reflete agora a luz colorida do sol
Que nasce lá fora, mas que brilha aqui dentro
Sinto a suavidade da brisa a dançar em mim
E beijo silenciosamente o futuro... 

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