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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Metáforas aladas




Desprendem-se em metáforas aladas...
Escorregam no baloiçar do vento, nas asas do tempo...
Despejam na página nua a cor púrpura dos sonhos...
Há uma melancolia fria invadindo a alma...
Estou esquecida no passar veloz das horas...
A rotina sufoca-me e amedronta-me...
Mergulho nas páginas de mais um livro...
Liberto-me das desilusões, dedilho imagens
Alhures... Noutro momento... Talvez no firmamento...
A luz boreal lampeja reflexos multicores...
Estaticamente, plasmam-se instantes...
O poeta das ilusões sussurra-me suas canções...
São versos de solidão, aspirações, desejos do coração...
Pedem auxílio para que se esqueça da vaidade...
Insistem que prossigam os passos...
Lenta e continuamente, em busca da concretização...
Tornar-se um deles? Não sei se posso...
Quero... Mas não sei se mereço...
Conflitos em mim duelam assim:
Desfecham golpes, latejam a dor do esquecimento...
Medos perturbam-me, desafiam algumas marcas...
A agonia persiste, cicatrizes pulsam...
Como se abrissem uma lacuna de dor...
Gritam segredos...
Receios de perder a luz que se acende em mim...
Não quero ficar novamente só...
Fecho os olhos, não vejo nada...
As sombras do passado desgrenham o presente...
Peço perdão, mesmo desconhecendo o erro...
Não importa mais... Existem pedras a vencer...
Há flores com perfume inebriante...
Toco meus sonhos... Abro os olhos...
Contemplo as estrelas distantes
Que iluminam as noites sem lua de minh’alma...
A noite se vai e o sol despeja-se douradamente
Entrego a Deus os medos e os sonhos...
Curvo-me diante da grandeza do caminho...
Meus passos ainda torpes revelam:
Fui escolhida para desenhar metáforas,
Expor ou camuflar a sabedoria de outrora...
Abraço minha missão, não há como fugir...
Não se pode fingir que é normal sentir-se preso...
Há algo em mim...
Um devaneio que aladamente decolou...
Pássaro encantado que guardou suas asas
Anjo transvestido humano canta sobre minha cabeça...
Caminha escondendo suas asas, toma-me pela mão,
Revela-se e desvela a direção...
Ouço sua voz, que tantas vezes preenche meu silêncio...
Sinto afastar-se de mim a solidão...
Várias são as formas; muitas, as histórias divinas
Contadas e cantadas por mãos humanas....
Lágrimas e anseios esfarelam-se em palavras...
Eu, de olhos vendados, busco olhar atentamente...
Encontrar a luz, que tive tanto medo de ver...
Havia receios de não a merecer...
No alto da montanha, olhos fechados, braços abertos...
Prontos para em asas se transformarem...
Não estou sozinha, abraçada ao anjo...
Permito-me e sinto asas ao vento ruflarem...
Ouço sua voz, partilho o seu ou o meu sonho?
Não importa... Dúvidas vão e vêm...
Todavia permaneço, anoiteço e adormeço...
Ao abrir os olhos, verei o que está além...
Agradeço, amanheço e prossigo...
Meus pés descalços tocam a areia...
Sinto a água fria a banhar-me...
Entreabro meu coração
Há uma chuva multicor de pétalas de rosas...
A alegria espanta a tristeza...
A luz, o bem e o amor escancaram-se...
Sinto-me grande, embora seja tão pequena...
Cada um se torna essencial, é uma peça única...
Eu nunca quis jogar,
Mas a vida transformou-se e transmutou-me...
Agora, descortino véus...
Sou grata aos amigos, anjos, e porque não os céus?!...

2 comentários:

  1. Olá, querida
    Há tanta cosia linda por esse post/poema que fico em dificuldade de escolher um verso mais bonito para partilhar... optar um em detrimento de outro mais lindo...
    Há uma chuva multicor de pétalas de rosas...
    Fico com esse... enfim!!!
    Deus te cubra de bênçãos e te faça feliz!!!
    Abraços fraternos e festivos de paz

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  2. Obrigada, Orvalho do Céu! Seja sempre bem-vinda! Abraços!

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