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domingo, 23 de outubro de 2011

Piegas

    
Uma sensação suave invade minh´alma.
As palavras fluem como avalanche
Deslanchando emoções

Que nem mesmo eu sei quais são.

Ouço o vento soprar... Distante, frio, gélido...
Toca-me acariciando sonhos...
A noite penetra no mundo insondável
Que eu gostaria de esquecer.

Clama nos confins do eu, o poeta adormecido...
Ouço sua voz bradando
Suspirando palavras perdidas.
Na cruel realidade das ilusões desfeitas.

Junto os cacos dos medos,
Destruidores das ilusões,
Retificadores dos desejos.
Fragmentação de um ser em mim...

Multifacetado... Componho o poema Presente,
Acreditando que nada é para sempre,
Mas ainda assim vale a pena.
Afinal “a alma não é pequena”.

Na imensidão da mesma,
(Re) Construo o eu das ilusões perdidas
(Des) Cubro a face secreta que ficou ali
Em algum lugar de mim mesma.

Espero o beijo que não veio...
Aguardo o abraço que esvaziou meus braços...
Meu espelho multicor
Está quebrado em mil pedaços...

É possível mudar os passos?
Escrever outra página?
Desenhar imagens ou pintar de cores tantas
A aquarela desbotada dos meus sonhos?

Não sei o que sobrou de meus escombros,
Sei que já não sou o mesmo
O poeta adormeceu... Alhures amadureceu...
Endureceu diante das pedras... Está mais forte!

Foi ferido, magoado, pisoteado...
Seu coração... Despedaçado.
No entanto, dedilha palavras, acalma...
Encanta sentidos, alivia dores d’ alma.

Delicadamente, preenche-me de esperanças...
Há uma doce magia envolvendo-me...
Enlaça-me os reflexos da lua...
Posso, por um instante, tocar as estrelas...

Vejo nelas o reflexo do que posso ser
(Des)Faz lágrimas, vertendo o perfume das flores
Nas nuanças multicores
Que compõem o céu do amanhecer.

A noite se vai lentamente...
O céu se veste azul e o sol, dourado.
O poeta se faz presente...
Tingindo o horizonte da minha aurora.

Sorri, canta, declama...
Sofre, mas não desiste de mim
Consegue ouvir a voz apagada,
Entrecortada do meu coração.

Dela, resta-me o sonho que ficou na lembrança,
Que daqui a pouco esvairá como fumaça...
Restam-me resquícios de momentos...
Do que vivi, fagulhas, meros fragmentos...

Sinto o toque suavizador das palavras
Que veem sua alma estampada nos versos...
Ouço o som de uma voz que conheço
E que me (re) conhece.

Ecoa na memória...
O tilintar do passado
Em meio ao fervilhar do presente.
Não há como dizer o que se sente.

Desejo alcançar a lua,
Tocar as estrelas,
Mas o sol venda-me os olhos
Ri da minha ingenuidade...

Sabe que fui tola
Porém os que amam são tolos,
Profundamente melancólicos,
Apenas porque se permitem amar.

Amar nos faz assim...
Loucos, tolos... Piegas,
Desfaz todos os medos
E encoraja-nos a ser nós mesmos.

Destituídos de nossas máscaras,
Precisamos ver face e alma...
Tristes ou belas...
Inteiras ou multifacetadas.

Temos ou somos?
Amar é a busca infindável do ser,
Nem sempre temos,
Contudo sempre somos.

Muitas vezes não temos o olhar que desejamos...
O toque que nos incendeia...
A voz que preenche o vazio...
Por sempre somos o mais tolo dos mortais...

Porque nos deixamos tocar
Pelo olhar perfeito... Pelo toque insano...
Pela voz maravilhosa que tantas vezes fez de nós
O mais perfeito dos seres.

As palavras ecoam na memória
Declamam poemas... Delineiam desejos...
E em nossos corações escrevem
Com pedaços de sonhos os versos mais lindos.

Fazendo-nos parecer
Ainda mais tolos
Loucos ensandecidos
Pela febre delirante do amor...

A lua cheia, novamente, inebria meus sonhos...
Ah! O poeta das ilusões delira... Sussurra ...
Louco... Tolo... Piegas...
Ah! Sou tudo isso... Simplesmente porque amo!

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