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sábado, 22 de outubro de 2011

Palavras na areia


Hoje, preciso deixar meu coração falar por mim. Sinto uma vontade de voar por todos os belos recantos do planeta: aqueles que brilham com o desdenhar dos raios do sol e os que se acumulam na clareza desse luar prateado que recobre campinas e desperta com o nascer da primavera.
Voar como a águia dourada cruzando céus e mares, podendo pousar em montanhas elevadas ou em árvores nuas pelo vento, podendo tocar nessas brancas nuvens de algodão e ao mesmo tempo colher migalhas sobre essas planícies verdejantes.
Preciso buscar em algum recanto o motivo do pranto que sinto explodir em mim. Tenho medo das palavras que nesse momento escrevo, podem ser belas e simples ou apenas  um apelo de desilusão e mágoa.
Quero voar e buscar nessa inspiração a felicidade, mas tenho medo de, repentinamente, sentir a saudade que quero esquecer  e a magia que quero reviver.
Sinto-me leve, mas tenho saudades de ti, meu amor, que fizeste dos meus dias a mais tênue felicidade e a mais esplêndida plenitude.
Amei-te com toda a minha força e com toda a minha alma, contudo não consigo tirar desse coração ingrato esse amor que ainda me azucrina e me enlouquece...
Eu... sou aquele louco, que te escrevia poemas e te dava mil palavras cobertas pelo amor imenso que guardei nesse pobre coração...
Hoje, sinto tua falta, sinto saudades das noites de luar transparente em que podíamos sentir o cheiro da relva molhada e o perfume silvestre que soprava na serra, onde muitas e muitas vezes deixamos a magia fluir em nós.
Quero que essa magia continue fluindo em mim, mas a solidão me apavora e eu tenho medo de nunca mais te ver, procuro dentro de mim alguma coisa, na qual eu possa me apegar, mas só resta neste pobre coração, uma enorme saudade de ti!
Caminhando descalço pela praia recordei-me de ti, de tua beleza, de tua juventude e do meu amor por ti. Talvez fosse justamente por isso que parei olhando um graveto molhado que uma onda longa lançou para mim. Senti brotar palavras do fundo do coração e uma a uma fui rabiscando na areia:
“Tu que surgiste como a primeira manhã de primavera; suave, faceira, recoberta de frescor e perfumes raros...
Tu que despertaste no meu coração o mais insigne de todos os sentimentos humanos, perfumando minha existência com as essências mais raras do amor.
Tu que tinhas o poder de com o olhar tocar minh’alma, de com um sorriso aflorar sensações e emoções quase desconhecidas.
Tu querida, que mostraste com a tua delicadeza e doçura o valor das pequenas coisas da vida, as quais na essência são sempre as mais gigantescas.
Tu que fostes tudo para mim e o hoje é apenas um ponto luminoso perdido no infinito.
Tu que resplandeceste meus dias com a tua meiguice fazendo-me assim o homem mais feliz do mundo.
Tu minha amada, és a razão de minha vida, mesmo quando não estou ao teu lado, pois tenho certeza que haverá um dia que minh’alma se encontrará com a tua.
Tu és para mim, a própria existência, pois sem ti, existir não teria importância alguma.
Tu para mim foste tudo... A mulher, a amiga, a amante, a mãe, a professora, foste mulher... A mulher da minha vida.
Hoje, apesar de tua ausência, da saudade que aprisiona meu pobre coração tu és...
O raio dourado das manhãs de primavera...
O prateado das noites intermináveis de lua cheia...
O perfume suave que recobre as campinas quando é primavera....
A inconstância da brisa que sopra na praia...
O canto que o vento assobia em meus ouvidos em pleno outono. Mas quando mais me perturba tua lembrança, é quando sinto o frio do inverno a invadir-me, pois neste instante lembro-me de nós dois, do calor humano que emanava de ti...
Tu és para mim a lágrima que nesse momento eu não consegui mais conter...
Tu és a saudade, o passado, o presente...
Tu és tudo que quero lembrar, tudo que me faz sofrer, tudo que eu gostaria de esquecer e não consigo. Pelo simples fato de  não estares comigo, mas dentro de mim.
Eu sou tu, ou apenas uma minúscula lembrança em tua breve existência.
Eu o sou louco que te escreve na areia, para ver se o mar te leva de dentro de mim. Impossível, eu sei, mas mesmo assim a saudade faz de mim o mais insano dos homens e eu tento destemperadamente encontrar um motivo, um único se quer, para permanecer vivo. Pois a parte de mim, a mais bela foi-se contigo.
Tu és a lembrança que persiste em minha memória.
Tu representaste tudo em minha vida, porém, hoje, tu és a saudade que me aprisiona.
Aqui, estão minhas palavras, mas elas são apenas palavras, a dor e a saudade ainda permanecem comigo...
Para ti, palavras ao vento... 
Em mim, resta a saudade...
Na areia as palavras que as ondas do mar apagarão em breves instantes para resumi-las deixo apenas... 
Eu te amo !”

                                             João de Joshaff

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