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sábado, 24 de março de 2012

Valsa da vida



Hoje senti uma vontade intensa
de desabar minhas palavras sobre ti...
Queria nesse instante a canção perfeita,
para enfeitar de música as palavras
que desenho aqui...
Queria a mágica poesia dos grandes poetas
que desfilariam para ti
as palavras certas
para dizer o que meu coração ferido
tem tanta dificuldade e medo de dizer...
Queria poder olhar-te nos olhos
e revelar-me a ti,
despir-me das muralhas do medo
e apresentar a ti o reflexo do que sou,
a transparência do que ainda restou de mim...
Mas a minha mortalidade amadora
e meu atrevimento comedido
desfilam palavras e emoções
apenas para me permitir respirar...
Sempre vago no meio do nada,
em busca das respostas
que me trouxeram até aqui,
muitas vezes me sinto só
e tantas são as vezes
que mergulho em busca de uma tábua de salvação...
qualquer que seja ela ou onde esteja
desde que meus olhos possam vislumbrá-la...
Fiquei a imaginar loucuras,
a preencher o meu vazio pelas muitas possibilidades de ti,
mas agora só me resta um vazio sem igual,
marcas de ilusões desfeitas,
de sonhos inacabados
e de uma saudade
que não consegue ser mais que saudade...
Hoje eu me permiti ver
o que minha alma tem medo de ser,
as decepções amargam-me a boca
e o gosto do fracasso tantas vezes
fez-me sufocar o doce perfume dos sonhos...
Por isso me sinto tão sem rumo,
tão sem saída...
Desejo sufocar o passado
que me martiriza...
que entorpece a minha capacidade de mudar...
Sinto saudades do que fui...
A ausência de mim mesma
desperta uma aterrorizadora solidão...
Preciso encontrar no âmago
a alegria que adormeceu meus sonhos...
A realidade precisa de esperança
E eu não sei onde estou...
Meu invólucro físico
aprisiona a alma errante...
Despejo sobre o vazio
as palavras que escrevem meu agora...
Queria ouvir o som de uma voz
que calei na despedida...
Queria sentir o toque
que ficou na esquina de um olhar...
Ouço o eco do passado a me chamar...
Olho para o baú de reminiscências
e pergunto:
Onde deixei a chave dos meus sonhos?
Esqueci-me, perdi-me de mim mesma...
Procuro o sorriso que se foi contigo...
As lágrimas persistem em molhar
com sua chuva entrecortada de soluços
o coração desventurado
que taciturnamente bate aqui dentro...
Há um eco explodindo dentro de mim
uma voz que ora se alteia
ora se cala...
Às vezes não compreendo o que fala,
Mas  gosto da música das palavras
que dançam sob o meu olhar
Onde está a voz que entonava a canção?
Viajando pelos recônditos da alma
Deparo-me com um olhar triste,
sem lágrimas, sem sonhos...
que se despediu da esperança
Mas que ainda espera 
o momento de sufocar a saudade...
da ânsia dos beijos,
das mãos gélidas,
do coração descompassado...
Em algum lugar ainda há um olhar...
que me sorri...
que espera meu sorriso
para ver desabrochar
a primavera dos sonhos
e juntos evidenciar o perfume,
enquanto dançamos a valsa da vida!

3 comentários:

  1. Escreveu para mim??? Tenho falado da alegria de criança que deixei p trás...Lindo!!! Sem mais palavras!!! Abraços.

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    1. Fico contente que você tenha se gostado, acho que muitas vezes sentimos saudades de nós mesmos, da nossa ingenuidade, da nossa maneira simples de ver a vida, da criança que olha para vida com curiosidade e com amor! Que possamos acordá-la nos confins de nós mesmos, pelo menos de vez enquando. Obrigada pelo carinho! Abraços!

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