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terça-feira, 17 de abril de 2012

Cinzas das horas


Mesmo sem tempo para nada...
Com um dia cheio do que fazer
As palavras persistem...
Invadem-me...
Devastam-me...
Sempre foi assim...
Pelo menos comigo...
Tenho fugido das palavras,
Tenho medo do que revelam,
Do que ocultam...
Do que está gravado no fundo d’alma,
Mas não há como fugir de nós mesmos.
Não adianta nos esconder
Menos dia, mais dia...
A lagarta transmutar-se-á em borboleta
E com suas asas multicores
Tingirá o cinza das horas.
Elevará com suas cores
As cinzas do passado
Soprando-as ao vento...
E neste tempo impreciso,
Vejo-me vagar a esmo...
Sinto o frio das despedidas...
Olho para o cinza do horizonte...
O passado nada mais é...
Do que uma fotografia em preto e branco
Esperando pela cor do nosso presente...
Falta-me sua voz...
Nosso abraço inteiro
Fere-me a solidão
Que deixou cinzas sobre as minhas ilusões
Não há mais chama acesa
Tudo se amornou
É o quase do agora
Que nos aproxima em sonhos
E nos afasta fisicamente
Em algum lugar em mim
Você fez morada
Não consigo mandar-lhe embora
E sua presença-ausência tortura-me
O (não)-estar com você
deixa um vazio sem igual
Petrifica imagens,
Congelando-as sem um adeus
Queria tocar no relógio da memória
Voltar no tempo...
Escrever nova história...
Tingir de cores o cinza do meu agora
Mas meu relógio parou no tempo
Afastou nosso pensamento
Adormeceu sonhos
E esquecida em algum canto
Caminho descalço pela praia deserta...
É manhã de outono...
Sopra a brisa fria
Acariciando-me,..
enlançando-me...
Embalando o sonho
Que desejamos
Mas não vivemos
A escuma fria toca-me os pés...
Penso em nós
Sinto saudade
Do que poderíamos ter vivido...
Ouço a voz do tempo
É novamente presente
E ainda vejo...
As horas cinzas do agora...

4 comentários:

  1. Muito lindo!
    Às vezes é mesmo muito difícil enfrentar o "cinza das horas" representado pela lagarta e aguardar as cores da borboleta.
    Parabéns, Neide!

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    1. Obrigada, Luísa, os dias, as horas cinza são necessários para que percebamos o valor e a beleza das cores da borboleta! Seja sempre bem-vinda!

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  2. O aroma, o sabor da PALAVRA LIBERDADE
    O conteudo, o sentido que ela tem
    A PALAVRA contem, sonhos sentimentos
    Seja na prosa o POESIA que ela vem.

    Gostei e voltarei

    ARFER

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    1. Fico feliz que tenha gostado! Seja sempre bem-vindo!

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