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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Máscara



Muitas vezes passamos pela vida
E, de fato, não a saboreamos ou vivemos...
Acovardamo-nos e nos acomodamos à mesmice...
Aceitamos vários papeis que nos camuflam bem...
Escondemo-nos por trás de estereótipos...
Nossos sonhos vão minguando:
Esquecemo-nos de sorrir...
Desaprendemos a amar...
Deixamos a vida nos levar...
Preferimos o papel passivo,
Tornamo-nos coadjuvantes,
Assumimos posturas irrefutáveis
E nos perdemos no vazio de inúmeras noites insones.
Refugiamo-nos e nos escamoteamos...
A vida morna é mais fácil e cômoda.
A montanha russa das emoções é olvidada
Pela falsa imagem do bom senso.
Aparentemente sensatos e prudentes
Seguimos pela vida...
E ela como furacão nos atropela...
No entanto, nada nos atinge ou nos abala.
As máscaras sociais imperam sobre os sentidos...
Esquecemos que somos humanos...
Há muitas encruzilhadas que nos colocam em Xeque-Mate,
Podemos adormecer nossa essência,
Tentar negá-la ou sufocá-la,
Porém haverá um momento que, tolos, vazios e perdidos,
Vemo-nos à beira do precipício...
O medo do desconhecido  nos apavora...
Sair da passividade e da apatia nos atormenta...
Mas o limite da insanidade é tênue...
E Zéfiro nos empurra para a nossa viagem interior...
A escuridão nos cega e tateamos a segurança
Que não existe no teatro das emoções...
Somos jogados ao palco e não há ensaios,
É uma  peça que exige o improviso...
Onde duelam paixões e enigmas.
Despidos de tudo, inclusive,
Dessa roupagem  politicamente correta
Encurralados, impossibilitados de fugir,
Vemos emergir da insanidade a essência de nossas emoções
Percebemo-nos frágeis,
Perdemos nossa armadura imaginária,
Notamos que não há certezas, apenas dúvidas:
São muitas perguntas e tão poucas respostas...
Contudo nosso papel é outro...
Somos impelidos a ser protagonistas...
Afinal ninguém viverá por nós e a brevidade da vida,
Arrasta-nos ao abismo de nós mesmos...
Não é confortável mudar...
Mas é preciso se arriscar...
Não há mais como se fazer de vítima...
Não se pode mais permanecer na plateia
Ou se esconder por trás das cortinas...
Diante deste caos, somos incitados a nos transmutar...
Pela realidade somos desafiados:
Conter o medo, a mediocridade e a covardia...
Como reis e rainhas de nós mesmos
Precisamos aprender a governar mundos,
E, nestas batalhas silenciosas, destruir muros...
Temos dificuldades de manusear nossas armas,
É preciso atacar, vencer obstáculos,
Olhar adiante e sentir o que pulsa em nós...
Perceber que não estamos sós...
Se permitirmos florescer nossa essência...
Nela há esperanças e caminhos...
De flores, árduas pedras e duras penas...
Todavia não se pode esmorecer...
Necessitamo-nos de nos reconhecer...
No espelho translúcido do outro...
E este reflexo como esfinge
Lança-nos novo enigma:
A vida só vale a pena se se desmensurar em amor?
Só o amor nos atira ao chão e nos eleva aos céus...
Só ele pode nos trazer de volta do abismo existencial...
E nos permitir, destituídos de máscaras, viver
Intensamente, verdadeiramente, indelevelmente...
Nossas emoções, fantasias e sentimentos...
Derrotando nossos fantasmas e sombras...
Dominando a ilusão de que somos marionetes...
Afinal somos mais que atores, somos protagonistas...
E ninguém viverá por nós...
Viva! Dance! Cante! Chore! Grite! Sorria! Sinta!
E principalmente AME!
Sem amor não há sonho, sentido ou vida!
Sem amor não há nada!

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