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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

(Re)encontro


Escrever para mim, sempre foi passar minh’alma a limpo.
Talvez por isso mesmo, nos últimos dias,
tenho encontrado dificuldades de traduzir-me em palavras...
Talvez fosse necessário silenciar o coração,
 mas não podemos calar a alma que fala,
que grita para ser ouvida nos confins de nós mesmos.
As palavras muitas vezes não nos bastam,
outras se fazem intrusas de nossas emoções,
escondem-nos, mas também nos revelam,
como um jogo de espelhos, 
que projetam os seres que somos.
A face que muitas vezes preferimos esconder
contorna-se nitidamente do dedilhar das letras,
na sequência infinita dos sons
que se harmonizam em significado.
Escondi cá dentro meu poeta fosco,
mas ele não sabe pedir licença,
ele se faz presença...
desfaz-se em contornos pouco sutis,
em nuanças ora  indefinidas ora coloridas.
Esse poeta de palavras toscas
ergue-se novamente dentro de mim
e me invade inteiramente...
Deixo me levar pelas emoções mais loucas
que ele sussurra aos meus ouvidos...
Choro de saudade
e rio com as descobertas que fazem de mim
vampiro de mim mesma.
Preciso da voz que me fala calmante,
preciso do silêncio que me corrói a alma
e que, de repente, dilacera-se em multifacetadas palavras...
Não adianta aprisionar a alma errante,
ela não aceita o cálice (cale-se) do silêncio.
Ela precisa se inebriar com o vinho enfeitiçado da paixão,
precisa desvairar-se na dissonância da realidade,
 precisa se dissipar no profundo abismo  do meu ser...
Não posso me conter diante do papel branco
que espera pelas minhas palavras,
não posso deixar de desenhar, à tinta,
as emoções ensandecidas
que invadem a minha alma perdida.
Pobre poeta...
que chora no cárcere das ilusões...
Belas são suas palavras,
belas e tristes como as lágrimas,
profundas como a dor
e negras como uma noite sem luar.
Ah, poeta!
Como se fazem frios os dias
sem as suas palavras,
sem a sua eloquência,
sem a sua verdade
que na efemeridade encontra razões tantas.
Como se fazem pequenas as mãos
que esqueceram sua voz.
Como se fazem tristes olhos
que não mais contemplam a sua paixão.
Poeta, pobre poeta dos sonhos!
Devaneios multicores
que enfeitiçaram o horizonte 
desvanecem ao amanhecer
e não mais encontram o seu olhar profundo e apaixonado.
Caríssimo poeta,
perdoe-me por ter esquecido na arca do tempo
as horas que você roubou na ampulheta da vida.
Perdoe-me por amar sem palavras,
amar sem poesia,
esquecer seu fascínio aprisionado nas lembranças.
Perdoe-me,  amigo,
por ter deixado que você ficasse,
por tanto tempo, afastado de si mesmo,
afastado da alma que lhe permite alçar voo em busca de sonhos.
Tenha certeza de que as mãos
que tocam agora a sua face no espelho
são as mesmas que se rendem à sua paixão devastadora.
Que as palavras que se desmancham nas sombras
levem para sempre a tristeza e a solidão,
porque de agora em diante,
você terá ao seu alcance todas as palavras,
todas as emoções,
só será preciso colar os cacos do mosaico
que deixamos multifacetar no cárcere da saudade.
Liberto-lhe dos grilhões,
pode caminhar tranqüilo em busca do seu destino,
se quiser sigo com você,
porque aprendi a amar a arte das palavras,
aprendi a me fazer emoção,
a ser como as palavras: dor e paixão.
Estou aqui,
braços abertos,
ouvidos atentos,
esperando por você.
Esperando cada uma de suas palavras
que me embriagam de sentido, de vida.
Estou aqui,
toque minhas mãos,
sussurre aos meus ouvidos os seus desejos,
 porque você é uma parte da minha alma,
é a parte de mim que precisa falar,
que não pode mais se calar.
Você é a parte mais bela de mim mesma,
que eterniza as emoções,
que apresenta canções,
 que debulha lágrimas e orações...
Você poeta...
é a parte de mim,
que não vai ser esquecida,
 que vai se eternizar nos sons,
nas formas e nas cores das emoções
que desenhas com suas tantas palavras.
Aqui estou,
caríssimo poeta,
entregue às suas palavras,
perdida nas emoções que você traz para mim,
pois metade de mim se faz poesia
e a outra encontrou-se na poesia
que a magia do tempo nos faz compreender,
em cada grão de areia
que desliza suavemente na ampulheta do tempo.

2 comentários:

  1. Olá, querida

    " Das alturas orvalhem os céus,
    E as nuvens que chovam justiça,
    Que a terra se abra ao amor
    E germine o Deus Salvador"...

    Fico tão sem palavra para agradecer o carinho imensurável com que me cumula ao longo do ano que só posso lhe dizer que te amo fraternalmente...
    Seja muito abençoada e feliz, amiga!!!
    Bjm de paz e FELIZ NATAL... apesar de qualquer vestígio de dor em seu coraçãozinho....

    "Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes,

    e então saberás que eu me feri e também me curei."

    Tagore

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  2. Obrigada por sua visita e também por suas sábias e abençoadas palavras. Desejo a você um Feliz Natal e um Próspero 2012 repleto de realizações.

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