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segunda-feira, 18 de março de 2013

À Deriva





Fecho os olhos da realidade...
Entreabro as pálpebras do sonho...
Contemplo-te diante de mim:
Há uma névoa envolvendo-te,
Mas a silhueta única delineia-se,
Contorna-me em entrelaçamentos,
Envolve-me na teia dos teus braços...
Aos meus ouvidos ouço tua voz
E deixo-me entorpecer...
O tempo levou tanto de mim:
Tirou a luz dos teus olhos,
Quebrou em cacos meu espelho,
Mas tudo passa,
Tem seu tempo...
E no sonho tu vens me ver...
Entras sorrateiramente...
E invades a solidão da minh’alma...
Preenches de luz minha escuridão...
Despejam-te sobre minha cútis
Marcas indeléveis,
Cicatrizes imperceptíveis...
Transmuta-me a alma
Em alada borboleta...
Conduz-me  a um outro lugar
A um momento só nosso...
Perdido no tempo e no espeço...
Busco minha essência
Ou na ausência absoluta dela...
Esvazio-a inteira sobre ti,
Porque já não sou eu,
Mas outro de mim...
Tu és meu farol...
A luz que direciona o meu barco
À deriva...
Em meio às muitas tempestades
Dentro de mim...
No caos...
No vazio real
E também nos sonhos!

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