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domingo, 30 de dezembro de 2012

Como pode ser?



Como pode ser?
Mergulhar num rio
E não conhecer as belezas de suas águas?...
Como pode ser?
Afogar a dor no mar das desilusões
E desconhecer os perigos de suas profundezas?...
Como pode ser?
Amar-te no completo mistério do ser...
Esgueirar-me do amor para não sofrer
E padecer a dor do esquecimento?...
Como pode ser?
Inteiro, partido, pedaço, saudade?...
Como pode ser?
Segredos guardados na arca do coração
Esconderem e revelarem mais do que gostaríamos?
Como pode ser?
Encontrar-te e me perder...
Perder-te sem sentir dor?...
Como pode ser?
Ver-te sem te ter...
Ter-te sem te ver...
Como pode ser?
Sentir-te tatuado em mim
Impregnado na minh’alma
Como cicatriz que ainda sangra?...
Como pode ser?
Na madrugada taciturna de meus sonhos...
Vejo-te aladamente desenhado diante de mim
Como pode ser?
És anjo? Homem? Menino?
Como pode ser?
És escultura de um deus grego...
E me olhas de soslaio...
Como pode ser?
Tento decifrar os enigmas
Que se delineiam no teu olhar
Mas o espelho reflete conflitos...
Como pode ser?
Desnudas a alma deserta
Perdida nos confins sem fim...
Como pode ser?
Procuro por uma pista
Que me permita compreender
A alma humana...
Como pode ser?
Sei tão pouco de ti
Mesmo estando aqui tanto tempo
Como pode ser?
Será amor ou vontade de amar sem medida!

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