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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Metáforas (des)feitas




O céu nublado despeja cinza sobre mim...
As pedras frias ferem-me os pés...
O caos impera dentro e fora de mim...
Meu olhar descortina os véus do passado,
Repentinamente, rompe grilhões...
Que me impediam de ver a realidade...
Ao abri-los vejo os cacos do que fui...
Ainda não sei o que resta de mim mesma...
Sinto-me deslocada,
Fui arrancada dos braços do destino,
Jogada no calabouço das ilusões,
Aprisionada nas correntes da obsessão...
Permaneci tempo demais de olhos vendados,
Sem saber onde estava,
Nem ao menos quem eu verdadeiramente era...
Vi dias, meses, anos tornarem-se fumaça...
Deixei meus sonhos adormecerem...
Trancafiei meu sorriso no cárcere da alma...
Agora, colo as cores do que fui:
Mosaico de (des)ilusões e devaneios.
Ainda não sei o contorno que darei a este novo ser...
Que se ergue das cinzas feito Fênix...
Sou pergunta em busca da essência do meu ser...
Não sei o que quero,
Mas tenho certeza do que não quero...
Sobram-me insignificâncias e frustrações:
Ser multifacetado que ainda sonha...
Que ainda despeja nas palavras a sua dor...
Que se faz poeta...
Versejando metáforas (des)feitas!

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