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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ousadia


Ousei, um dia, te ver
Além dos limites do saber
Além, muito além do que os olhos podem ver

Ousei te tocar
Ah... tocar o âmago inviolável
Que trancafia sonhos e sombras no insondável


Ousei te ouvir
Ir além das palavras ditas
Além, muito além das dores esquecidas e das flores malditas

Ousei te sentir
Além dos limites do humano
Além, muito além do corpo, à beira do profano

Ousei te querer
Além do possível
Além, muito além dos limites, à beira do imponderável

Ousei ser livre
Ousei ser diverso
Ousei ser meu próprio inverso

Ousei não ser aceita
Não ser santa
Ser antes de tudo humana

Ousei sustentar a voz
Não me calar
Gritar ao mundo que é preciso se expressar: pensar

Ousei ser pequena
Insignificante
E me fazer inteira por um instante

Ousei me achar
E também me perder
Na sombra triste do teu olhar

Ousei ser....
Incomodei
Apenas porque, audaciosa mudei

Ousei tanto nesta melodia
Que me revirei na zona do teu  conforto
Feri e fui ferida pelo punhal cruel da ousadia

Ousadia de me deixar ir além
Além do próprio ser
E do humano me desprender

Ousadia de me permitir voar
Nas asas aflantes
Que ousei aos meus devaneios moldar

Perdoe-me... Perdoe-me a ousadia
De ser mulher, desdobrável
Ser flor e também espinho é razoável

Perdoe-me, menino de alma errante
Esqueci-me de que só podia ser minha essa ousadia
Que não poderia ter mais nada além de mim e da poesia


Um comentário:

  1. Não é tão difícil,
    fazer uma poesia,
    escrever um romance
    e contos,
    difícil é ser poeta,
    todos os dias


    Francis Perot

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