
Ousei, um dia, te ver
Além dos limites do saber
Além, muito além do que os olhos podem ver
Ousei te tocar
Ah... tocar o âmago inviolável
Que trancafia sonhos e sombras no insondável
Ousei te ouvir
Ir além das palavras ditas
Além, muito além das dores esquecidas e das flores malditas
Ousei te sentir
Além dos limites do humano
Além, muito além do corpo, à beira do profano
Ousei te querer
Além do possível
Além, muito além dos limites, à beira do imponderável
Ousei ser livre
Ousei ser diverso
Ousei ser meu próprio inverso
Ousei não ser aceita
Não ser santa
Ser antes de tudo humana
Ousei sustentar a voz
Não me calar
Gritar ao mundo que é preciso se expressar: pensar
Ousei ser pequena
Insignificante
E me fazer inteira por um instante
Ousei me achar
E também me perder
Na sombra triste do teu olhar
Ousei ser....
Incomodei
Apenas porque, audaciosa mudei
Ousei tanto nesta melodia
Que me revirei na zona do teu conforto
Feri e fui ferida pelo punhal cruel da ousadia
Ousadia de me deixar ir além
Além do próprio ser
E do humano me desprender
Ousadia de me permitir voar
Nas asas aflantes
Que ousei aos meus devaneios moldar
Perdoe-me... Perdoe-me a ousadia
De ser mulher, desdobrável
Ser flor e também espinho é razoável
Perdoe-me, menino de alma errante
Esqueci-me de que só podia ser minha essa ousadia
Que não poderia ter mais nada além de mim e da poesia
Não é tão difícil,
ResponderExcluirfazer uma poesia,
escrever um romance
e contos,
difícil é ser poeta,
todos os dias
Francis Perot