sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sonho alado





Meus olhos se abrem para um novo tempo...
Desbravo os confins do meu eu...
Procuro por alguém que fui...
Não encontro ainda quem sou...
Vejo-me como ser multifacetado,
Sou reflexo dos teus olhos
Que me olhas de longe...
Temes a voz da alma
Que nos impele,
Que nos envolve,
Que nos atira ao precipício...
Deixo-me cair,
Não há com fugir...
Clamo por Zéfiro
E sinto-me planar...
Sou levada pelo vento...
E deixada suavemente sobre as estrelas...
Quase toco a lua...
Mas meu sonho muda de repente...
Atira-me de volta ao furacão...
Perco o chão...
Já não sei qual é minha direção...
Olho ao meu redor:
Estou só.
Faz frio.
Espero pelo teu olhar...
Que me queima, que me desnuda...
Que pinta de cores mil as minhas aquarelas...
Que me desestabiliza e me entontece...
Sinto meus pés tocarem o sonho...
É belo, mas deixa-me um amargo sabor nos lábios:
Tem gosto de chegada...
Ao mesmo tempo é partida...
E nas idas e vindas destas névoas...
Vejo-te surgir e sumir...
Às vezes tu te ausentas
E me deixas sem saber para onde ir...
Sinto-me partida, sem um pedaço de mim...
Não que eu acredite em metades...
Vejo-nos como seres inteiros,
Porém como uma asa só
É preciso abraçar o outro...
Afinal eu preciso...
Quero contigo voar...
Em busca de um novo rumo...
Ou mesmo de mim mesma!


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Alquimia



A transmutação da alma
Faz borbulhar palavras tantas...
Constroem metáforas
Que nem sempre possuem rima,
Raramente têm métrica...

São figuras tortas
Como esse meu poeta...
Cheias de incertezas,
Repletas de silêncios...
Dizem pouco... camuflam muito...

Desmancham-se em reticências...
Que sobrevoam os mistérios do sentir.
Arqueiam-se com o vento
Em busca das mãos limpas
Que dedilham seus versos...

Pobre poeta de ilusões ignotas!
Está embriagado pela magia da poesia...
E não percebe que ela já o arrebatou,
Desfolhou o tempo...
E como vinho secou sua boca num beijo...

O olhar misterioso despe-nos...
As asas de anjo caído aparecem...
Uma em cada ser... juntas... juntos..
São um par...
Juntos, apenas juntos, podemos voar...

Palavras... versos...
Canções... corações...
Pedaços de sonhos esquecidos...
Segredos de seres empedernidos...
Versejando no toque da alquimia insana...

O poeta moldou a rosa de sentimentos
Que detém a luz capaz de acender a alma...
A poesia exala-se por todos os poros...
Translado de desejo...
Respirando sob e sobre nós...

É a alquimia do amor...
Despetalando na química de corpos entrelaçados
A física quântica da alma...
Despejando na biologia
As ciências exatas e inexatas do destino!

Rosa de sentimentos


Revirando-me em cacos,
Percebo pedaços multicores:
Há alguns que perderam sua cor... são cinza...
Outros translúcidos exibem-me por inteiro...
Alguns são pontiagudos e me ferem...
Outros são lisos, densos e seguros...
Possuem forma e significado,
Remetem-me às lembranças,
Presenteiam-me com reminiscências,
Suscitam fagulhas de uma fogueira morta...
As brasas já estão frias,
Foram espalhadas pelo vento da despedida...
No entanto, tudo é efêmero...
E a vida dá voltas..
Transmuta-se, transforma-nos...
Aladamente vejo uma borboleta alçar voo..
É tempo de renovação!
De (re)descobrir a minha própria identidade...
De (re)desenhar e (re)modelar a alma...
Busco a rosa de seis pétalas:
Aureolando-se em torno do amor.
É preciso tocar a fé que se perdeu em nós...
Render-nos a Deus e Seus desígnios,
Buscar  no serviço a luz que afasta nossa escuridão,
Deixar-nos provar da abundância dos sentimentos,
Os quais nos dão a possibilidade mágica de perdoar...
Então veremos nossos obstáculos superados
Pela magia intensa e intrínseca do amor!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Antíteses Elementares


Perto da lua, toco as estrelas...
Longe delas, sou noite sem luar...

Perto das águas, deslizo o olhar...
Longe delas, sou foz sem mar...

Perto da terra, planto flores, quero ficar...
Longe dela, sou flor a secar...

Perto deste fogo, deixo-me abrasar...
Longe dele, estremeço, é frio o meu sonhar...

Perto do abismo, sinto o sopro do ar...
Longe dele, espero Zéfiro me salvar...

Perto do sonho, sinto o coração disparar...
Longe de mim, já não sei o que pensar...

Antagonismos, contradições... Conflitos, confusões...
Perto... Longe... dentro: Antíteses elementares...
Onde? Quem sabe? Algures?!...