segunda-feira, 1 de julho de 2013

Contexto



Não importa o que penso, sinto, ou sou...
Esqueci, por tanto tempo,
Meus sonhos aprisionados na alma...
De alguma forma, aceitamos...
Muitas vezes somos massacrados
Por aquilo que permitimos,
Mesmo sem de fato escolher...
Deixei de ser eu mesma...
Ah... poeta, até quando vou suportar
Ver minhas opiniões e sentimentos
Jogados ao chão... esmaecidos?...
Descobri que, ainda e acima de tudo, estou viva...
Descobri, poeta, que preciso viver...
Que desejo sentir o pulsar da vida
Que se renova em mim...
Dentro de mim ainda queima um resquício de luz
Ela se arrefeceu...
Mas não se extinguiu...
Porque insistem em pisotear meus sonhos?
Porque querem calar minha, tua, nossa voz?
Sei que sou tão pouco...
Mas ainda assim,
Desejo tudo que a vida puder me dar...
Quero olhar para frente e ter esperanças...
Porque para trás só há cinzas...
Essa agonia aprisionada em mim
Debulha-se em lágrimas e versos...
Estou cansada de sonhos desfeitos...
De me sentir fora do meu próprio contexto...
Quero escrever minha história...
Bordá-la com calor, de amor,
Regá-la de carinho...
Deixar-me florir...
Mesmo sentido vez ou outra a agudeza dos espinhos...
Quero o perfume dos sonhos...
Quero a voz que grita...
Quero exalar esse amor que há em mim...
Que me fez triste e agora me faz sorrir...
Quero encontrar-me...
Reerguer-me...
Quero apenas ser eu mesma...
Mesmo que em tantos cacos...
Nesse mosaico de outrora
que me faz soerguer agora!

domingo, 30 de junho de 2013

A porta





O poeta tosco das ilusões
Bate à porta do meu coração:
Quer saber se há ainda espaço para o amor...
Olho ao longe...
Busco por braços que me envolvam...
Mas não vejo ninguém...
A porta está fechada...
Ouço lá dentro uma voz que me chama...
Será que há alguém ali que me ama?
Quero abrir a porta...
Abraçar-me àquela voz...
E dançar a noite toda sob a lua cheia...
Mas não há maçaneta...
A porta está trancada...
Queria o abraço da alma
Que à minha se afina!
Fecho os olhos e sou capaz de te ver...
Teus contornos se delineiam à minha frente...
Mesmo sem poder te tocar posso te sentir...
Assumo o papel do poeta...
E com as mãos cheias de versos,
Bato à porta
À espera do sonho...
Meu olhar te procura...
Ouço um suspiro...
Desejo te dedilhar e ser tocada...
Afinal, as almas se integram nos corpos.
Despejo sobre ti meus anseios:
“Eu quero ser feliz agora”!
Sei que sou pura ousadia...
Estou cansada da sensatez...
Quero me perder e me encontrar
Na mágica delirante do teu olhar...
Bato a tua porta...
Meu coração está ferido, cansado...
Mas aberto, repleto pela soberania do Amor!

terça-feira, 25 de junho de 2013

(Des) Caminhos





Duelos e dualidades
Trazem-me ambiguidades:

Vejo a lua cheia...
Quero o sol...

Procuro explicações, respostas...
Só encontro perguntas...

Busco as palavras...
Tenho apenas silêncio...

Anseio por tua presença...
Há somente ausência...

Sinto o frio do inverno...
Mas desejo teu calor...

Perto do sonho...
Longe na realidade...

Espera insana...
Certeza que engana...

Desvendo histórias...
Guardo segredos...

Sombra que encobre...
Luz que me descobre...

Fora dos medos: horizonte...
Dentro de mim: caos persiste...

Encontro de almas?
(Des)caminhos (in)certos!