quarta-feira, 14 de maio de 2014

Fruição



Perambulando pelas entrelinhas
Busco à luz do sonho
O gosto do pecado sacrossanto
Corporificado nas palavras

À espera do encontro
Espreito percepções ignotas
Sentidos em uníssono
Sensações em fina sintonia

Contornando de presença a ausência
Tateio às cegas
As formas quase imperceptíveis
Dessa insana saudade

Imagino quimeras
Visualizo vivências
Rituais esmaecidos
Equinócios perfeitos

Insights intensos
Silentes serpenteiam
Deslizam lentamente
Na ampulheta da memória

"Desejo sempre exposto"
Todo: delírio existencial
Verdades insistentes
Personificadas em nós

Nessa fruição de amor possível
Aconchega-se úmida e caliente 
Onipresença vivificada
Sós desfazem nós

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Segredo?


Saudade, palavra sentida,
deixa-me tão perdida
em busca de um quê,
quem sabe quem
talvez um bem...

Quem sabe um bem-querer
sem que, nem porque
um gosto de sal
nessa ausência de mel
lua fria à espera do sol...

Meus olhos se fecham
no sonho esquecido
a pele arde à procura
do amor desmedido
imensurável, bandido...

Bem dentro
tão longe
estás, estou
onde está a esperança
que dorme feito criança?

A noite se esvai
o sol vem surgindo
sinto tuas mãos gélidas
despertando-me do medo

feito Pandora... eis meu segredo!

domingo, 6 de abril de 2014

Interseção


Meu pensamento vaga em busca de sonhos
Destes errantes e tortos
Que se fazem pedras ou plumas...

Meus sonhos perambulam pela orla...
Será uma praia?
Ou estou à beira de um precipício?

Minhas pedras são cacos de sonhos roubados,
Areias de uma história (des)feita...
Fragmentos de medos rarefeitos: segredos...

Minhas plumas de verde se vestem
Buscam no nascer do sol a esperança
Metamorfoseiam-se flor, lua, estrelas...

Meus segredos perdem-se no degredo
Revelam-se nos porões imundos
Nas dualidades das sombras e da luz...

Minhas palavras toscas despejam-me sem magia
Desejam vencer a dor: de receios se despem...
Tocam a lua plena na Interseção desta poesia!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Queria


Queria agora tocar a lua que mora em ti
Ouvir a voz que se propaga em meu silêncio

Queria a suavidade das mãos frias
Dedilhando a aurora dos meus sonhos

Queria sentir a chuva a me molhar a alma
Desaguando-me inteira nos teus braços

Queria a música que encanta a sombra
Para fazer dançar a luz

Queria o abraço insano
Desbravador de enigmas

Queria o gosto do beijo, o desejo
Que me degusta o sal e o mel

Queria perder-me em ti
E de repente te encontrar assim

Queria teus olhos em mim
Perscrutando... absolvendo... devorando...

Queria o amor que te quer enfim
Ah!... Queria... Como queria!

sábado, 22 de março de 2014

Reflexo



Sonhos, quimeras, devaneios...
Onde estarão
Pedaços da lua arrancados,
Atirados ao vento,
Perdidos ao léu?

Fragmentos, estilhaços, cacos...
Onde se encontrarão
Insights de ser multifacetado,
Certezas em xeque,
Dualidades... bem-mal... terra-céu?

Fantasias, divagações, pensamentos...
Onde se concretizarão
Estágios inconstantes de medos,
Dosséis de ilusões fantasmagóricas,
Olhos abertos sem véu?

Espelhos, imagem-reflexo...
Encontro marcado:
Côncavo-convexo...
Almas entrelaçadas:
Afinidades em plexo!


quinta-feira, 6 de março de 2014

Violinos



Ouço o marulho,
Sinto o vento frio...

Meus pés descalços tocam a areia fina...
É noite e pouco posso ver...

Já que a lua se esqueceu de mim...
Deixou-me a sós com as estrelas...

A escuridão externa espelha-me
Tateio meus sonhos, mas só há cacos...

Preciso de (re)fazer –me em mosaico...
(re)mexer cores e formas...

Desenhar na alma uma mandala...
Repleta de símbolos, sons e significados...

Sentimentos plenos de magia...
Todos os elementais em harmonia...

Descobertas... revelações:
Lagarta em metamorfose!

Meus olhos estão fechados
Zéfiro vem abraçar-me inteira

Ainda perdida perante a arca das sombras...
Vejo-me como Pandora...

Diante do tempo, as alegrias se debulham...
Afastando a agonia, a tristeza e as lágrimas...

Há todo um abismo em mim:
Acho que estou pronta...

Acordes de violinos me fazem acordar
É preciso dar cor ao cinza dos meus dias

Queria emprestados os versos de amor...
Foram-me roubados...

Talvez ontem...
Quem sabe no outono...

Será que ficaram perdidos...
Estarão dançando na Times Square?

É hora de renascer feito Fênix...
Deixar a luz adentrar e afastar espectros de medos...

Duelar com mil segredos e  em muitas notas
Compor a música que faz dançar a alma!


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Porvir


Fui o maltrapilho que teve a vontade roubada
Esta expressão suprema que nos faz únicos
Que viu seus sonhos se despedaçarem
Pela imposição da sombra e a força do medo

Sou borboleta metamorfoseada
Ainda sinto receios de alçar voos altos
Tenho medo de altura
Mas preciso desesperadamente  das nuvens

Fui escrava do destino
Que por puro comodismo
Preferiu ficar quieta a lutar por si mesma
Que se deixou levar ao invés de conduzir

Sou protagonista debulhando histórias
Palavras distraídas compondo versos
Lapidando –se, esculpindo-se
Duelo de emoções e memórias

Fui coadjuvante de minha própria vida
Cega, deixei-me seduzir pela ilusão
Que me levou ao abismo, ao abandono
Ao vazio de mim mesma, a uma profunda solidão

Sou o que fui... transmutado
Fui o que sou... revelado
Dúbios caminhos que se intercruzam
Passado e presente dedilhando o agora e o porvir!

Viajante


Viajante de páginas vazias
Estou à espera dos sentimentos
Que desejam ardorosamente  se preencher
Com as emoções mais loucas e também sublimes...

Meus olhos foram silenciados pela distância
E no vazio entreposto
Mergulhei no abismo infindável do ser
Na busca insolente do tempo...

Perdemo-nos e nos encontramos
Tantas vezes, em muitas faces,
Nesta e noutras vidas...
Suplantamo-nos em disfarces...

De tudo que fui, resta-me cacos:
Do tempo que se foi,
Da pessoa que outrora vi,
Dos sonhos que se perderam...

Tudo que sou é saudade...
Que guarda o cheiro de jasmim,
O mesmo daquele jardim
Que se delineia para mim...

Minhas rotas de palavras rotas...
Perdem-se das rimas
Deslocam-se mar adentro...
Querem o mergulho: o epicentro...

Meus sonhos buscam contornos etéreos,
Formas diáfanas plasmadas na saudade
Desejam o mordiscar da voz,
Anseiam pelo toque das mãos frias em foz...

Meu agora espera pelo ontem...
Intercruzando tempos remotos...
Ah... quisera sentir o que deixamos dormir...
Ah... quisera poder acordar dentro deste sonho!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Travessia

Página vazia de sonhos
Por onde perambulam enigmas
Esgrimam-se desejos
Duelam máscaras
Segredos

Doce som a acariciar a alma
Voz imponente
Que me pede calma
De outras eras
Ah...  Quimeras

Meus versos divagam ao léu
Atiram-me ao abismo sem fim
Fazem-me tocar o céu
Transbordam-se em mim
Tão piegas
  
Ao mergulhar na arca do tempo
Sinto o sabor acre
Pedaços de mim
São levados pelo vento
Ah... triste lamento

Despejo-te versos
Sem métrica, rima ou encanto
Sou o grito, o espanto
O riso e o pranto
Mero acalanto

Estou aqui
Sim... sou eu
Sussurro-te memórias
Estamos em tantas historias
Psiu...

Palavras em travessia
Algumas pronunciadas
Outras silenciadas
Pura dicotomia
Poesia


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Dúvida



Mesmo pairando sobre mim uma dúvida cruel
resolvi ceder aos encantos das palavras
que quase sempre me convencem
me vencem... me exaurem...

Mesmo me sentindo inadequada
fora do contexto
resolvi deixar de lado
qualquer tipo de pretexto

Mesmo que meus versos desconexos
muito de mim revelem
ou por inteiro me camuflem
sem medo de parecer tola ou piegas entrego-os

Mesmo desejando despejar-me inteira
me perco dos meus sonhos
entre as rimas de minhas quimeras
resquícios, saudades, precipícios

Mesmo tendo a esperança roubada
preciso desatar nós
desaguar-me em foz
rabiscar um reflexo fosco de nós

Mesmo tendo perdido a chave
que abre o baú dos segredos
chamo por Deus
pedindo clemência pelos erros

Mesmo debaixo das metáforas
encarcerada nas entrelinhas
entreabro a janela a sorrir
respiro fundo e enfim posso te sentir

Mesmo que não tenha resposta
precisava te entregar meu devaneio
queria o abraço do sonho
o entrelaçar do vento que se perdeu no tempo

Mesmo sem entender
consagro o que sinto
ainda que não seja nada
traz-me a luz perdida, profanada

Ah... aqui estão fiascos
quem sabe um coração aos pedaços
vejo-me cega à procura de um guia

nesta poesia clamando pelo amor e sua magia...