quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fases em Faces




Fecho os olhos...
Sinto tuas mãos assim:
Desenhas sobre mim
Nova aquarela...

É tempo de espera...
É hora de aprender...
Momento de uma quimera:
Instantes para viver!

Tateio meus sonhos...
Teu calor junto a mim...
Teu perfume enfim...
Fica, no pensamento, sem fim...

Ouço tua voz...
Nesta saudade desmedida...
Suspiros e arrepios
Entrelaçam-se em nós...

Tempo de renovar...
De calar segredos... falar de sonhos...
Deixar nas palavras... nos versos...
Nossas mil fases em faces de amar!

sábado, 4 de maio de 2013

Silêncio



  


O silêncio é uma faca
Que corta as palavras...
Já não há música,
Som, ritmo, sentido...
Apenas o vazio...

Palavras sangram de saudade...
Despejam-se no vácuo
Desmedidamente...
Desmesuradamente...
Desesperadamente...

O silêncio persiste na distância...
No trajeto perdido dos sonhos...
Dos anseios metaforizados...
Sufocados na ausência...
Desfeitos pelo tempo que se esvai...

Em mim, grita a necessidade de palavras...
Antíteses sentimentais delineiam desejos...
Em ti vive o silencio sem fim...
Que persiste em te fazer esquecer de mim...
Perfeito seria o silenciar cadenciado dos tons...

Palavras mudas interagindo na mistura de sons..
Invadindo-nos, devastando-nos, devorando-nos...
Roubariam a paz do silêncio, da ausência e do vazio
Para assim sobre ti despejar possibilidades...
Quisera eu dedilhar quimeras neste encontro?!...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Nós... a sós...



Queria dedilhar-te agora...
Mas tua inefável imagem se esvai...
Resta-me a vontade de ti...
A imensa necessidade de te tocar...

Sem saída...
Encurralada pelo silêncio,
Devorada pela urgência deste sentimento insano,
Procuro por um fiasco de sonho...

Adentrando a janela com devassidão...
Vejo o sol que se põe...
Deixando no escuro as estrelas...
E a ausência de ti em mim...

Desejo-te lascivamente:
Mergulhar nas profundezas da alma que somos,
Quando deixamos de ser tu e eu para sermos NÓS...
Entrelaçados... desvairados... a sós...

Hoje... busco com meus dedos...
O toque do seu sorriso e as curvas precisas do teu corpo,
Mas o vazio deste instante faz-me um estranho sem fim...
Colhendo pétalas de flores ou perfume  no jardim...

Beijando devotamente versos mal feitos
Sem rima... sem métrica... sem forma...
Esse poeta míope de si mesmo...
É capaz de trespassar barreiras apenas para te sentir...

Preciso da tua voz que ecoa em mim...
Careço de tua presença...
Embora ela sempre esteja aqui:
Padeço desta forma de amor sem fim...

Há de se pressentir novos paradigmas...
Ou mesmo destituir medos...
Porque, hoje, só pude tanger
O som discreto das palavras...

E através destas debulho anseios...
Ausculto segredos...
Perscruto a essência que só tu me trazes:
A poesia enlaça, deslancha nós... e nós... ah...estamos a sós!