É proibido sonhar
Diz a tempestade
Que teima em me devastar...
É proibido viver
O desabrochar do meu jardim,
Pedaços de mim que vejo se perder?...
É proibido sentir
Os aromas e os sabores
Entrelace de laços, amor a florir?...
É proibido se arriscar?
Deixar de lado todos os medos,
Afinal, já se cansou de chorar?...
É proibido ter
Sonhos, acreditar em quimeras,
Olhar para trás sem mais nada temer?...
É proibido pedir
Para que nos libertem das prisões
E, novamente, possamos sorrir?
É proibido pensar
No futuro, no presente e no passado
Caminhos em nós a se intercruzar?...
É proibido se soerguer?
Abrir os olhos mesmo sem se ver?
Deixar-se levar sem, de fato, entender?
É proibido prosseguir
Na direção do coração?
Mesmo porque não se sabe mais aonde ir...
É proibido acreditar
Em si mesmo, fazer novos planos
Que nos permitam outros voos alçar?...
É proibido perder
O medo de se arrepender?
Debulhar metáforas e perfumes com prazer?...
É proibido mentir
Para nós mesmos?
Desejar viver sem mentiras no porvir?...
É proibido cantar
As canções que nos fazem dançar a alma?
Que reinteram a calma no falar e no calar?...
É proibido ver
Destroços, tropeços e cinzas?...
Não se pode fraquejar diante do nosso poder?...
É proibido vir
Sem bagagem de desamor e dor?...
Afinal, só há valor sem se iludir...
É proibido dançar
A dança do tempo e dos ventos?...
Apropriar-se do céu e do mar?...
É proibido vencer
Os obstáculos do destino?...
Aprender a ultrapassar limites sem sofrer?...
É proibido partir
Da mesmice, do conformismo e da passividade,
Porque há tantos caminhos a seguir?...
É proibido amar?
Mas só o amor nos liberta...
Retira-nos da letargia e nos permite devanear...
É proibido crer?
Sem sonhos não se pode sobreviver...
Sem amor e sonhos só se pode fenecer...
É proibido proibir:
Afinal, todas as proibições são
ridículas!
É preciso em nós acreditar: sonhos permitir!


