segunda-feira, 17 de junho de 2013

Farol





Os vítreos alçapões do coração
Camuflam e desvelam enigmas...
Superficialmente nos vemos...
Profundamente pouco sabemos...

Dedilhando a face multifacetada..
Vê-se o sorriso torpe,
A dor fantasmagórica e insana...
O olhar perdido que fulmina e proclama:

Verdades sobre nós mesmos...
Que cobrimos com névoas de medos...
Máscaras que dissimulam nossa cruz...
Tudo ou nada ao abismo nos induz...

Caos metamorfoseador...
Desordem de indeléveis cicatrizes...
Tatuagens incrustradas n’alma...
Escamoteadas em poucos matizes...

Olhos vendados... andar a esmo...
Até que se abrem as cortinas dos sonhos...
Há uma luz intensa... um sol...
Direcionando-me como farol...

Há uma luminosa invasão...
Desvendando segredos...
Arrebatando-me por inteiro...
Revelando o ser e toda a sua dimensão!

Conduz-me ao universo onírico do sentir:
Dentro das brumas densas...
Arde em mim o calor de um olhar
Como fanal a me guiar...

terça-feira, 11 de junho de 2013

Moinhos de sonhos




A vida é linda, precisa ser sorvida... vivida!
Mas tão doridas são suas metamorfoses...
Especialmente estas que escarafuncham a alma,
Retiram-nos  da passividade
E roubam-nos a calma!

Muitos sonhos se perderam pelo caminho...
Sementes que atiramos ao vento...
Contudo nem sempre germinam...
Há os que guardamos na arca da memória
E que inesperadamente em nós despertam...

Fizemos a voz interior tantas vezes se calar
Que diante da luz... sentimo-nos fracos...
Incapazes de ser o que verdadeiramente somos:
A sombra nos acomoda...
Enquanto a luz nos incomoda!

Diante do espelho,  vejo uma face que se renova:
Um ser ainda multifacetado...
Um mosaico de sonhos perdidos...
No entanto há um brilho reluzente...
Um encontro com o presente ou com o ausente?

Neste ciclo universal e explícito...
Vejo a lagarta transmutar-se em borboleta:
Meus sonhos são moinhos de vento...
Que reforçam devaneios e o pensamento...
Com asas novas, refeitas, alço voo ao infinito!

sábado, 25 de maio de 2013

Luz e Sombra





O ser humano traz em si a dualidade...
Antíteses de sua essência...
Que emergem do caos, das sombras...
Que precisam tocar o céu do nosso limite.

Anjo que traz a doçura do sonho...
Demônio a nos encobrir na agonia do medo...
Duelam e disputam poder:
Querem ambos em nós prevalecer.

É o nosso brilho que tememos...
Não a nossa escuridão...
Porque a luz revela...
O que a sombra camufla...

Fugimos de nossos monstros...
Não deixamos a magia fluir em nós...
Porque é mais fácil se acomodar à escuridão...
Do que aceitar a epifania da luz e sua imensidão...

Temos receio de sermos mais...
Preferimos o anonimato que nos escamoteia
Escondemo-nos na caixa de Pandora...
E perdemos o tesouro sacrossanto da alma...

Muitas lições permeiam nossas trevas...
Despertam nossas amarguras mais profundas...
Que possam se fazer fulgor
Nas chamas incandescentes do amor...

É preciso amar o dúbio que há em nós...
Nas trevas tocamos os temores...
Na luz tememos o que somos...
É preciso vencer medos e ver valores...

E dentro deles nos percebermos...
Desvelarmos o outro lado...
Trazermos à tona nossa essência luminosa...
Pois é da sombra que emerge a nossa luz!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Jardim de metáforas





A voz do poeta sussurra palavras
E eu suspiro quimeras...
Debulho em versos...
Restos de outrora...
Que me trazem alento,
Que se fizeram tormento
Lá fora ou aqui dentro?

Metáforas desfolhadas em metas...
Fora do sonho despejo-as em  pétalas...
Delicadas e ainda perfumadas...
É a antítese da vida...
Vivida... dividida... em sua perfeição:
Suavidade, encanto, frescor...
Espinhos que trazem dor...

Palavras que selam o silêncio...
Calam a voz que ecoa em mim...
Paradoxos  do eu intermitente
Que invariavelmente persiste
Em adentrar a alma e seu jardim...
Às vezes... com lágrimas...  o rega ...
Noutras...   em silêncio... o nega!