Muitas vezes as palavras nos revelam, noutras nos escondem... Há muitas que se perdem no silêncio de um olhar e outras que se pintam nas cores das aquarelas dos sonhos... Aqui debulho algumas que revelam e escondem poesia entrelinhas e versos!!!
quinta-feira, 2 de junho de 2016
domingo, 1 de maio de 2016
Impressões Digitais
Num papel vazio de histórias
E na tela diante de mim
Delineiam-se formas
Debulham-se memórias
Nos matizes de uma nova cena
Desenham-se instantes singulares
Metamorfoseando-se o ontem
Sob esta lua cheia plena
Constelações
em alinhamento
Anjos tortos abraçando-se
Anjos tortos abraçando-se
Asas
para fazer dançar
Suplicam
o encantamento
Realidade ou fantasia
Sentidos
surpreendidos
Milhares
de estrelas despejam-se
No
céu e no chão: magia
Censuramos
a libido
Julgamo-nos
culpados do sentir
Desejos
proibidos insistem em despir
A
alma que escamoteia o urdido
Perfume
e vinho... Corpos Inebriados
Mera
ilusão dançando sob o luar
Pura
volúpia: é verdade, lá no céu, os astros
Se buscavam como nós (des) governados
Se buscavam como nós (des) governados
Impressões digitais tateiam o meu vazio
Vertem-se em palavras sacrossantas
E
em sonhos perdidos
Despejados, aqui, nesse instante tardio
sábado, 23 de abril de 2016
Autópsia
A vida é caixa de Pandora
Esperando para ser aberta...
Quem sabe ontem, amanhã, agora?
Fechada é mistério: segredo...
Faz-nos acovardar na letargia...
Aberta é desespero, medo: degredo...
Vez ou outra, curiosos, somos tomados...
Pela indiscrição, pela compulsão, pela vontade
Tocamos o insondável e sonhos roubados...
Diante do enigma:
“Decifra-me ou te devoro!”
Somos instigados a romper o paradigma...
Politicamente corretos
Deparamo-nos com o precipício
Mesmo que não nos vejamos certos
Diante de anjo torto que mais tenta que guarda
Sentimo-nos cada vez mais perto do céu
Tudo é caminho, travessia, vanguarda
Antes ... a surpresa e a urgência
Necessidades humanas espelham a imperfeição
Com sua inegável premência
Consumidos pelos desejos
Insights: vontade e
intensidade...
Ensejos - lua cheia no mar - beijos
Bocas escrevem poesia em corpos despertos
Marcas indeléveis: lembranças...
saudade...
Sinópsia? Parópsia? Autópsia de olhos bem abertos!
domingo, 3 de abril de 2016
Capitu
A liberdade para mim
Nasceu flor - jasmim
Transmutou-se em borboleta
Deu-me asas por onde eu for
O tempo me roubou de mim
Não me contentava em ser menos
Desdobrava-me para ser mais
Nada me é suficiente assim
Recusei-me a ser Amélia
Para ser parte do todo feito tu
Despedi-me da plateia
Preferi ser Capitu
Olhos oblíquos e dissimilados
Exibem a coragem de se ver
Ver o que se prefere tanto esconder
Imagens de rostos desfigurados
Recusei-me a ser Amélia
Por que queria ainda mais
Não me saciava a mesmice
Que calei na meninice
Ah, preferi Capitu
Tonta de sonhos
Recoberta de sombras
Pronta para ser mais
Não sei se Capitu é mais
Se Amélia é menos
Mas quero antes a intensidade
Que da outra a sanidade
Quero o gosto de pecado
Tão perturbador
Nego a calmaria da vida morna
Atiro-me longe no arpoador
Ah... Amélia és tão sensata
Mas eu não sei sê-lo
Talvez seja mesmo louca feito Capitu
Que voa longe e inquieta feito borboletaquarta-feira, 16 de março de 2016
Anjo Barroco
Menino
de olhar perdido
(Des)
encantado
Alma
errante silenciada
Será
mesmo anjo?
Caído
ou decaído?^
Quem
sabe um querubim?
Anjo
brincalhão
Que
duela com palavras
Poeta
(des) mistificado
À
margem de si mesmo
Estarás
à sombra?
Ou
apenas preferiste fechar teus olhos?
Esqueceste
tuas asas
E
a capacidade inexorável de voar?
Torto,
(in) conformado, (im) completo...
Vieste
humano inacabado
A
tentativa de se perfeiçoar
E
como num espelho
Ao
outro poder se afeiçoar
Abra-te
ao novo
Atira-te
ao abismo
(Des)
conhecimento
Volta
a sonhar
Afasta-te
do medo
Esquece
o que te assombra
Levanta
teu olhar
Não
precisas ser anjo
Muito
menos barroco
Não
te deixes mergulhar no pântano das ilusões
Nem
aceites apenas silenciar, calar-te...
Enxerga,
pois, a luz que há em ti...
Seja
quem tu és...
Em
essência...
Em
verdade...
Homem,
menino, humano...
(Im)
perfeito feito todos nós!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Tentação
A vida em sua plenitude desenha ondas sobre o mar
Às vezes maré alta arrasta-nos às desilusões
Noutras calmaria nos ensina a sonhar
Sinto o eriçar das ondas de asas
Menino, homem ou anjo vem em sonho me tocar
Deslizando sobre mim, feito poeira de estrelas
De olhos fechados me permito dançar
Duelando com as emoções
Que não me ensinaram a amar
Acreditei na ilusão que me faria voar enfim
Matizes angelicais, sentimentos irracionais
Talvez aquarelas dedilhadas sobre mim
Atiraste-me ao vazio e, num instante, fez-me pó
Quis dar asas a quem nunca quis voar
Penas, que pena, era anjo de uma asa só
E assim torto não me perimiste pensar
Desejei a doçura do céu, sorver da tua boca o mel
Devaneio arrastado pela imensidão do mar
Roubaste-me a utopia insólita
Devolveste-me ao abismo de outrora
Arremessaste-me à insipidez inóspita
Foste, de alguma forma, anjo meu
Que mais me tentou do que guardou
Que me levou de mim e me deixou
Pisoteaste a flor da ilusão
Ao ver o que está além do espaço-tempo
Ensinaste-me a sobreviver sem paixão
Aprendi que não me contento com metade
Quero tudo: inteiro,
pleno, divino e profano
Enfim, a dor ensina: amar não traz só felicidade!
Enfim, a dor ensina: amar não traz só felicidade!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Asas
Diante do sonho, a
voz da intuição ordena
"Erga-se das cinzas,
abra suas abas...
Inspire a energia universal...
Permita-se renascer tal qual Fênix! "
A alma errante, ainda perdida,
Vê -se diante de um novo tempo:
Presente que a eleva entre planos,
Viagem para dentro de si mesmo.
Lá no jardim secreto do inconsciente,
Dormem os sentimentos e as emoções,
Desconhecemos a nós mesmos
Até despertarmos da letargia.
“Abra os olhos, sinta
suas asas
Você está (re) nascendo agora!”
É um ser que tem livro arbítrio...
Dentro de você descobertas descortinam sua existência.
Novas cores definem sua aquarela,
Desenham outro tempo...
Tempo de se conhecer,
se perceber, se ver...
É hora de esquecer o passado e aprender a amar de novo!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Dádiva
Olho longe o infinito a se desenhar em espiral...
Perco-me no que imagino e desejo ver,
Ouço as partituras do meu coração bater...
Descompasso fremente sem igual
A vida segue seu curso, busca-se a foz:
Não se podem deter instantes singulares
São sempre fugidios e fugazes..
Transbordam dentro e se derramam em nós!
Rasga-se o tempo de outrora em tom prosaico:
Fragmentos multicores reconfiguram o mosaico,
Outro recorte – pedra em forma de flor:
Será possível enfrentar seja lá o que for?
O precipício à frente se plasma:
Os passos turvos delineiam o caminhar...
Caminhante voluptuoso almeja a música fantasma
E a alma se converte num sonho a dançar...
Pés descalços pisam espinhos e sombras,
Olência perturba devaneios, altera a direção...
Deseja-se o céu, mesmo em pleno deserto.
Oásis? Toca-se a areia em frenesi: paixão!
De onde vem esse cheiro de flores?
Onde estará plantado o horizonte sonhado?
Acordes de violoncelo desdobram-se em dores
Despe a alma encantada à procura do amado
Ser amorfo olha-se no espelho quebrado:
Quem é este que me desnuda a alma perdida?
A face triste, alquebrada, contorcida...
Transmuta-se num sorriso – Dádiva – Presente esperado!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Entre tantos (des)caminhos
Nas entrelinhas do amor, deslizam-se palavras
Hora constituem versos, hora nossa história
Hora há prismas, noutra se embaralham rimas:
Metáforas desalinhadas desfilam pela memória
Desenham momentos vividos,
Repletos de silêncios e beijos
Esperam por outros sonhados
Repletos de volúpia e desejos
Entre a utopia e a bagagem
Vejo delinear-se travessia
Entre o medo e a coragem
Verbos sussurram poesia
Despejam-se sobre mim
Gotas de insônia, torrentes de flores
Pintam-se esperanças multicores
Gestos perdidos no espaço sem fim
Entreaberta a janela, respiro o sonho
Gosto de céu, cheiro de chuva, sabor de mel
Entrefechada a porta, vejo-te chegar e ir
Quase sempre sem demora o estar e o porvir
Ergo o olhar aos céus, felicidade em prece,
Já não mais peço, por tudo agradeço
Deixo o beijo no abraço que enternece
Nada sou... Aqui... há muito mais que mereço!
Hora constituem versos, hora nossa história
Hora há prismas, noutra se embaralham rimas:
Metáforas desalinhadas desfilam pela memória
Desenham momentos vividos,
Repletos de silêncios e beijos
Esperam por outros sonhados
Repletos de volúpia e desejos
Entre a utopia e a bagagem
Vejo delinear-se travessia
Entre o medo e a coragem
Verbos sussurram poesia
Despejam-se sobre mim
Gotas de insônia, torrentes de flores
Pintam-se esperanças multicores
Gestos perdidos no espaço sem fim
Entreaberta a janela, respiro o sonho
Gosto de céu, cheiro de chuva, sabor de mel
Entrefechada a porta, vejo-te chegar e ir
Quase sempre sem demora o estar e o porvir
Ergo o olhar aos céus, felicidade em prece,
Já não mais peço, por tudo agradeço
Deixo o beijo no abraço que enternece
Nada sou... Aqui... há muito mais que mereço!
domingo, 6 de dezembro de 2015
Mirante
Labirintos da alma
intercruzam nossas histórias...
Olhar que me rouba a calma...
Dejavu de memórias
Somos segredos aprisionados
pelo tempo e pelas escolhas
Camuflamos a realidade em nuanças
de sonhos dourados
Dedilhamos, perscrutamos,
vivemos...
O gosto de céu em insghts de
felicidade
Instantes breves, fugazes,
singulares
Tanto sentir... muito querer...
Perdidos na eloquência do
desejo
Já não me é suficiente a
ausência
A boca além do beijo há que
se ter
Medos se descortinam
Na inconstância me despejo
Nas brumas que se desmancham
Feito escombros de outrora
Vejo delinear-se o mosaico de
agora
Cicatrizes costurando o
passado no presente
Dentro-fora... aqui – além...
Quero tanto seguir em frente
Todavia ainda me embaraço
Esbarro no que há em minha
mente
Nada está quieto em mim
A quietude não me contenta
Tudo em ebulição: metamorfose
Frágil feito lagarta
Seria mais fácil no casulo me manter
Mas da mesmice estou farta
Gaiolas, grades, prisões já não podem me deter
Vislumbro a ponte do porvir
Quebro arestas, rompo grilhões...
Mergulho no abismo inefável do sentir
Asas aflantes de borboleta errante
Desdobram-me feito poeira de estrelas
Inconstante como o mar, a brisa ou o barco a velas
Quero antes meu porto, meu mirante:
Plenitude...
Amor... Amado... Amante!
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