quinta-feira, 8 de agosto de 2013

É proibido?


É proibido sonhar
Diz a tempestade
Que teima em me devastar...

É proibido viver
O desabrochar do meu jardim,
Pedaços de mim que vejo se perder?...

É proibido sentir
Os aromas e os sabores
Entrelace de laços, amor a florir?...

É proibido se arriscar?
Deixar de lado todos os medos,
Afinal, já se cansou de chorar?...

É proibido ter
Sonhos, acreditar em quimeras,
Olhar para trás sem mais nada temer?...

É proibido pedir
Para que nos libertem das prisões
E, novamente, possamos sorrir?

É proibido pensar
No futuro, no presente e no passado
Caminhos em nós a se intercruzar?...

É proibido se soerguer?
Abrir os olhos  mesmo sem se ver?
Deixar-se levar sem, de fato, entender?

É proibido prosseguir
Na direção do coração?
Mesmo porque não se sabe mais aonde ir...

É proibido acreditar
Em si mesmo, fazer novos planos
Que nos permitam outros voos alçar?...

É proibido perder
O medo de se arrepender?
Debulhar metáforas e perfumes com prazer?...

É proibido mentir
Para nós mesmos?
Desejar viver sem mentiras no porvir?...

É proibido cantar
As canções que nos fazem dançar a alma?
Que reinteram a calma no falar e no calar?...

É proibido ver
Destroços, tropeços e cinzas?...
Não se pode fraquejar diante do nosso poder?...

É proibido vir
Sem bagagem de desamor e dor?...
Afinal, só há valor sem se iludir...

É proibido dançar
A dança do tempo e dos ventos?...
Apropriar-se do céu e do mar?...

É proibido vencer
Os obstáculos do destino?...
Aprender a ultrapassar limites sem sofrer?...

É proibido partir
Da mesmice, do conformismo e da passividade,
Porque há tantos caminhos a seguir?...

É proibido amar?
Mas só o amor nos liberta...
Retira-nos da letargia e nos permite devanear...

É proibido crer?
Sem sonhos não se pode sobreviver...
Sem amor e sonhos só se pode fenecer...

É proibido proibir:
Afinal,  todas as proibições são ridículas!
É preciso em nós acreditar: sonhos permitir!

domingo, 4 de agosto de 2013

Beija-flor



As tempestades da alma
Devastam a calma...
Deixam-nos apenas assombros,
Sufocam-nos sob os escombros...

Atiram-me ao vazio
E mesmo sóbrio, sinto-me ébrio...
Tingem de cinza todos os momentos...
Despedaçam-me esses tormentos...

Contudo, depois da escuridão...
Das sombras, da noite e da ilusão...
Há a claridade do dia,
Esperança, bonança, talvez alegria...

É preciso sair da mesmice...
Mesmo com recaídas de pieguice...
Moldar outro mosaico de destroços...
Matizar de cores novos prelúdios...

Permitir florir as emoções...
Dançar e cantar muitas canções...
Transbordar aromas nas missões...
Debulhar em versos nossas paixões...

E de repente haverá em nós...
Um novo tempo desfazendo nós.
A neve derreter-se-á de repente...
Será primavera, aqui, no presente.

Surgirão poesias e suas metáforas...
Que se enfeitarão de rimas diáfanas...
Desenharão um belo jardim...
Com certezas e correntezas sem fim...

E quando sinuosamente versar...
E quando silenciosamente desabrochar...
E quando possibilitarem dias claros...
E quando exalaram perfumes  raros...

Ver-se-ão abrir as grades da prisão...
É hora de voar em direção...
Aos sonhos, nos corações, refeitos...
Aos medos, por amor, desfeitos...

Não se podem aprisionar pássaros...
Muito menos sentimentos...
Bate as asas, agilmente, o colibri...
Em busca daquela flor que lhe sorri...

São muitas cores e flores...
Desfolhadas, dedilhadas pelos amores...
Mas o beija-flor vem de leve...
Quer que a lua o leve...

Para beijar aqui e além...
As estrelas do seu bem...
Sabe onde encontrar outrem..
Afinal, sempre, esteve dentro deste alguém!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Porto Seguro


O vazio da alma toca o papel...
Desdobra-se em fragmentos:
Mosaico de sonhos
Despejados, jogados ao léu...

Nas brumas do entardecer,
Desbravam-se dores e plagas...
Duelo entre palavras e adagas...
Barco à deriva me conduz ao alvorecer.

Vestígios de outrora e de agora...
Buscam-se como farol...
Perdidos na tempestade...
Nas mãos do poeta... Apenas a verdade!

A pena de poeta transborda em versos...
Sentimentos perdidos... submersos...
Minha alma quando escreve...
Verte-me em poeta... Inteira me absorve...

Tolhe e acolhe dores e alegrias...
Desvendam e confiam-me secretas magias...
De olhos vendados, o poeta absorto...
Dedilha formas... procura seu porto...

Dentro do universo onírico...
Tudo é possível e quem sabe empírico...
Todos meus segredos são seus...
Quando os sentidos convergem aos céus...

Metáforas desfolhadas navegam em mim...
Buscam um porto seguro... Enfim...
O lugar perfeito para abrigar a calma...
E tocar, sentir, estar aqui, além... de alma!