domingo, 18 de novembro de 2012

Oscilação



As cinzas do passado
São levadas pelo vento...
Sinto a brisa da despedida
Ditar o ritmo do tempo...

Muito ficou perdido
Entre brumas e sonhos...
É preciso reconstruir
O que foi partido...

Desenha-se diante de mim
Mosaico colorido...
Nele plasmou-se o efêmero
Da alma eterna e sem fim...

Sinto-me parte do universo,
Vejo asas sendo restituídas...
Um olhar do outro lado do espelho
Destitui-me de todas as máscaras...

Há uma janela ensolarada aberta
Revelando sonhos esquecidos...
Deixei-os guardados, trancafiados...
Agora... Espero apenas a hora certa...

Desejo sentir-me viva aos poucos...
Parte de mim deixou-se adormecer...
É preciso revirar os cacos...
Reconstruir o que sobrou do meu ser...

Quero dançar sob a lua e as estrelas...
Permitir-me tocar e ser tocada por elas...
Desvencilhar-me da dor e soltar os cabelos...
Oscilando devaneios, revelando segredos!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

(Entre)linhas e versos



Entre o curso do rio e a foz
Existe a água

Entre o sonho e a realidade
Existe a fantasia

Entre os pés e a sombra
Existe o corpo

Entre a paixão e o amor
Existe a atração

Entre os olhos e a pele
Existe o desejo

Entre os braços e as mãos
Existe um segredo

Entre o medo e a fé
Existe o desafio

Entre a voz e o silêncio
Existe a palavra

Entre linhas e versos
Existe a poesia
Sonhada

Metaforizada

Dedilhada

Sentida

Vivida

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Caixa de Pandora




Dentro de mim... ecoam vozes...
O passado delineia-se em brumas...
Há uma névoa que me impede de ver
O sonho perdido, em mim esquecido...
Fecho os olhos e sinto calafrios...
Sinto meu anjo de mãos dadas
Volitando comigo sobre o mar...
Há luz vestindo teu corpo...
Vertendo-se sobre mim
Teu olhar profundo revela segredos da alma:
São palavras tão esperadas, trancafiadas...
E, agora, aberta a caixa de Pandora
Vêm à luz...
Para que nos vejamos por inteiro...
Não apenas como homem e mulher,
Mas almas afins
Que se conheciam antes
E que se reconhecem no espelho do outro!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Reminiscências




A areia da ampulheta
revela o tempo que se foi...
Meu olhar busca o teu
nos alhures perdidos...
Sinto tua presença,
Porém não vejo teu rosto...
Veste-te de luz como anjo...
Queria te tocar...
Sentir-te mais perto...
Mas o espectro de mim
afasta-me de ti...
Ouço tua voz
nos confins da memória...
Faz-me sentir arrepios...
A dor da alma desfez a calma...
Em algum lugar... .
de ontem ou de hoje...
Haverá um labirinto 
que nos conduzirá
Ao que sentimos
e a nós mesmos!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Metáforas (des)feitas




O céu nublado despeja cinza sobre mim...
As pedras frias ferem-me os pés...
O caos impera dentro e fora de mim...
Meu olhar descortina os véus do passado,
Repentinamente, rompe grilhões...
Que me impediam de ver a realidade...
Ao abri-los vejo os cacos do que fui...
Ainda não sei o que resta de mim mesma...
Sinto-me deslocada,
Fui arrancada dos braços do destino,
Jogada no calabouço das ilusões,
Aprisionada nas correntes da obsessão...
Permaneci tempo demais de olhos vendados,
Sem saber onde estava,
Nem ao menos quem eu verdadeiramente era...
Vi dias, meses, anos tornarem-se fumaça...
Deixei meus sonhos adormecerem...
Trancafiei meu sorriso no cárcere da alma...
Agora, colo as cores do que fui:
Mosaico de (des)ilusões e devaneios.
Ainda não sei o contorno que darei a este novo ser...
Que se ergue das cinzas feito Fênix...
Sou pergunta em busca da essência do meu ser...
Não sei o que quero,
Mas tenho certeza do que não quero...
Sobram-me insignificâncias e frustrações:
Ser multifacetado que ainda sonha...
Que ainda despeja nas palavras a sua dor...
Que se faz poeta...
Versejando metáforas (des)feitas!

domingo, 7 de outubro de 2012

Catarse



Alma de minh'ama, perdida,
Encarcerada nos confins do ser
Triste fico por te ver
Encurralada entre medos, partida...

Alma de sonhos devastada,
Destituída de si mesma
Inodora, desfolhada,
Despojada, amortalhada...

Alma errante, espectro,
Sibilando a esmo
Vagando sem rumo...
Na busca vã do intelecto...

Alma de minh'ama,
Enfeitiçada pelo desvario, ilusão
Sofre, chora, clama...
Deixa exposto o caos do coração...

Lava com lágrimas seus mistérios,
Cacos coloridos: mosaico da paixão...
Catarse: ensinamentos verdadeiros...
Caminho dO Amor: Purificação!