Quando nossos olhos se cruzam
O tempo e o espaço são irrisórios...
A saudade sufocada na ausência
Transborda incessante nos beijos...
Alcançamos um pedaço do paraíso
Ao dedilharmos o arrepio do outro...
Perdemos o controle das ações...
Já não há limites...
Apenas emoções...
Devastadoras, avassaladoras...
Deixamo-nos controlar por essa avalanche...
Esquecemos o bom senso...
Devoramos e somos devorados...
Despimo-nos de todas as convenções...
Somos destituídos de medos...
Diante um do outro:
Vemo-nos por inteiro...
Sem sombras ou véus...
Há o receio de que o outro
Não nos reconheça sem máscaras...
Mesmo assim não conseguimos conter
O sentimento que explode em nós...
Que nos faz insanos...
Que deseja o outro acima de si mesmo...
Que invade a calma...
Perdemos a noção do tempo,
Viajamos, devaneamos...
Entregamos ao outro...
O nosso olhar,
O nosso amor,
A nossa foz...
Todos os sentidos em sintonia...
São despejados sobre o outro...
Já não somos nós mesmos,
Tememos o que revelamos ao outro,
Não planejamos,
Mas uma magia acima e dentro de nós...
Impera a urgência de todos os toques...
De todos os sentidos...
Sem palavras...
Suspiramos...
Mergulhamos...
No mundo insondável do outro...
Inexoravelmente...
Permitimos ter, tocar, ser...
Um pedaço de Céu na Terra!

