segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mar

 
Há momentos que nos sentimos tão esgotados
Tão perdidos, tão secos...
Nossos olhos não conseguem mais chorar
Nossa alma cansada da dor
Necessita sentir algo novo
Urgentemente precisamos reaprender a sorrir...
Os sonhos nos foram roubados
E com eles levaram nossas ilusões
Sugaram nossas esperanças
E a secura dos dias insípidos
Leva junto até o gosto de chuva
Que eu tão delicadamente
Detinha em minh'alma...
A minha poesia tenta me reerguer:
É difícil me encontrar sob os escombros
Meus versos antes embebidos em mel
Transbordam sal...
Meu coração cansado
Olha o relógio e descobre
Que é tarde demais para sonhar...
Tudo parece apenas poeira
Sinto o peso dos anos jogados fora
O sabor acre que engoliu a doçura...
Desejo o perfume de outrora
Que me inebriava
E me fazia dançar à luz da lua...
Estou cercada de areia
Finaliza-se o crepúsculo das despedidas
E mesmo estando à beira do precipício
Busco o mar
O mar dos teus olhos
Que me ensinaram
Que nunca é tarde
Nunca é tarde para (a)mar!

terça-feira, 1 de julho de 2014

LER

Palavras têm som de Outono
Sabor de Primavera
Mesmo que dedilhadas
No frio entrecortante das despedidas
Ou no calor ardente da paixão

Tuas palavras transmutaram-me
Desencadearam lágrimas
Silenciaram-me e me emudeceram
Talvez sejam teus Transversos
Que te traduzem em dor

Palavras têm vida própria
Consomem e são consumidas
Descrevem a alma que somos
O desejo de ser mais
A vontade de alçar voo

Teus versos cobertos de azul
Transpiram-te anjo de asas leves
Despejam-te em espiral
Engolindo-me e me arrancando
Da secura inerte do meu agora

Palavras têm gosto de poesia
Transpõem sonhos
Levam-me e me arrastam
Diante delas transpasso sombras
E danço com elas noite adentro

Tua poesia transborda magia
E o duelo de palavras
Corporifica metáforas despenteadas
Escritor-leitor veste-despe de azul
A agonizante espera de um novo tempo

Palavras têm voz e corpo
Comungam-se almas em carne
Refletem a utopia do amor:
Ao te ler, por um instante, sinto te ter
Foste os olhos que me ensinaram a ver.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Apenas

Não houve estrelas 
Apenas lua 

Não houve perspectivas 
Apenas abismo 

Não houve certezas 
Apenas vazio 

Não houve promessas 
Apenas silêncio 

Não houve esperanças 
Apenas desejo 

Não houve abraços 
Apenas versos 

Não houve proximidades 
Apenas distância

Não houve encontros 
Apenas saudade 

Não houve nós 

Apenas... Nó...

sábado, 7 de junho de 2014

Sem medida


Palavras vazias, imprecisas, desprendem-me
Buscam a luz, a cor, a forma, um resquício de sentimento...
Duelam com o silêncio, espreitam insondáveis momentos,
Mas quando almas se encontram, ainda que em sonhos,
Desfolham-se, desfiguram-me, embaralham-se
Perturbam com o calor fulminante de um olhar errante...
De mãos dadas com o desassossego,
À procura do ar das montanhas,
Atiro-me nos braços gélidos da brisa do mar...
Naquela embriaguez incessante,
Trago ainda o gosto do mel, embora só haja sal
Desejo o sol, enquanto perambulo pela orla estelar
A noite fria, vazia de ti... anseia pela lua
Quis demais a poesia da vida que fascina e ilumina...
Acreditei possuí-la, mesmo que obscurecida...
Aquela mesma que outrora deixou-me só
Encantada pela vida que nunca seria minha...
Petrificada na vontade, quiçá na saudade,
Plantei versos na esperança desconexa da floração
Resquícios de passado, tão fora de hora
Entrecortaram-se nas areias do tempo
Estilhaçaram-se para fazer dançar nuanças
Sombras e perfis desdobrados em metáforas...
Agora, abraço o que não me pertence:
Um sonho que não pode ser meu...
Condeno-me ao desencanto,
Porque “amo o que não tem despedida”...
Permita que nossas palavras comunguem
Aqui, neste amor perdido, tão sem medida!

sábado, 24 de maio de 2014

Estilhaços


A lua cheia encarcera-me
Anseios, medos, segredos
Respingam estrelas
Fantasmagóricos desejos
Desdobram-me olhares difusos
Metaforicamente ecoam
Tantas vozes confusas

São estilhaços de palavras
Alquebrando o sepulcral silêncio
Fluem expectativas frustradas
Castelos de areia desfeitos
Meras pegadas de esperanças
Poças d’água, rastros, marcas
Circunscrevem mitos, enigmas

Punhal afiado: saudade
Intercruza tangíveis verdades
Venenos lancinantes suavizados
Bálsamo: névoa-miragem
Contornos amados
Sutilezas em dualidades
À espera de insights de felicidade

(Des) caminhos podados
Com veemência florescem
Ímpetos despedaçados
Perspectivas (des)cobrem
Reflexos de uma lembrança
Aquarelas se debulham
Pintam, tingem essa contradança

Perdidos entre o tempo e a dor
Sinto a brisa, o perfume, o calor
Vejo desabrochar o sonho em flor
Metamorfoseiam-se sem pudor
Almas em carne viva
Na celebração desse amor

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Fruição



Perambulando pelas entrelinhas
Busco à luz do sonho
O gosto do pecado sacrossanto
Corporificado nas palavras

À espera do encontro
Espreito percepções ignotas
Sentidos em uníssono
Sensações em fina sintonia

Contornando de presença a ausência
Tateio às cegas
As formas quase imperceptíveis
Dessa insana saudade

Imagino quimeras
Visualizo vivências
Rituais esmaecidos
Equinócios perfeitos

Insights intensos
Silentes serpenteiam
Deslizam lentamente
Na ampulheta da memória

"Desejo sempre exposto"
Todo: delírio existencial
Verdades insistentes
Personificadas em nós

Nessa fruição de amor possível
Aconchega-se úmida e caliente 
Onipresença vivificada
Sós desfazem nós

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Segredo?


Saudade, palavra sentida,
deixa-me tão perdida
em busca de um quê,
quem sabe quem
talvez um bem...

Quem sabe um bem-querer
sem que, nem porque
um gosto de sal
nessa ausência de mel
lua fria à espera do sol...

Meus olhos se fecham
no sonho esquecido
a pele arde à procura
do amor desmedido
imensurável, bandido...

Bem dentro
tão longe
estás, estou
onde está a esperança
que dorme feito criança?

A noite se esvai
o sol vem surgindo
sinto tuas mãos gélidas
despertando-me do medo

feito Pandora... eis meu segredo!

domingo, 6 de abril de 2014

Interseção


Meu pensamento vaga em busca de sonhos
Destes errantes e tortos
Que se fazem pedras ou plumas...

Meus sonhos perambulam pela orla...
Será uma praia?
Ou estou à beira de um precipício?

Minhas pedras são cacos de sonhos roubados,
Areias de uma história (des)feita...
Fragmentos de medos rarefeitos: segredos...

Minhas plumas de verde se vestem
Buscam no nascer do sol a esperança
Metamorfoseiam-se flor, lua, estrelas...

Meus segredos perdem-se no degredo
Revelam-se nos porões imundos
Nas dualidades das sombras e da luz...

Minhas palavras toscas despejam-me sem magia
Desejam vencer a dor: de receios se despem...
Tocam a lua plena na Interseção desta poesia!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Queria


Queria agora tocar a lua que mora em ti
Ouvir a voz que se propaga em meu silêncio

Queria a suavidade das mãos frias
Dedilhando a aurora dos meus sonhos

Queria sentir a chuva a me molhar a alma
Desaguando-me inteira nos teus braços

Queria a música que encanta a sombra
Para fazer dançar a luz

Queria o abraço insano
Desbravador de enigmas

Queria o gosto do beijo, o desejo
Que me degusta o sal e o mel

Queria perder-me em ti
E de repente te encontrar assim

Queria teus olhos em mim
Perscrutando... absolvendo... devorando...

Queria o amor que te quer enfim
Ah!... Queria... Como queria!

sábado, 22 de março de 2014

Reflexo



Sonhos, quimeras, devaneios...
Onde estarão
Pedaços da lua arrancados,
Atirados ao vento,
Perdidos ao léu?

Fragmentos, estilhaços, cacos...
Onde se encontrarão
Insights de ser multifacetado,
Certezas em xeque,
Dualidades... bem-mal... terra-céu?

Fantasias, divagações, pensamentos...
Onde se concretizarão
Estágios inconstantes de medos,
Dosséis de ilusões fantasmagóricas,
Olhos abertos sem véu?

Espelhos, imagem-reflexo...
Encontro marcado:
Côncavo-convexo...
Almas entrelaçadas:
Afinidades em plexo!