segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Energia Cósmica




Há uma energia cósmica intensa
Suspensa no ar...
Desfragmentada, perde seu poder...
Integrada, torna-se avassaladora,
Indelével e inexorável...
Sua dimensão divina dá-nos asas inefáveis...
Faz-nos tocar estrelas...
Sentir toda a extensão da nossa humanidade...
Às vezes, precisamos perceber nossas fraquezas,
Compreender que não controlamos tudo...
Nem ao outro... Nem a nós mesmos...
Esta energia tem vários nomes,
Significados múltiplos...
É absorvida de maneira única por cada um,
Destitui todas as máscaras...
Desfaz medos intrínsecos encurralados em nós...
Permite-nos desabrochar...
Despejando pelo caminho,
Resquícios magnéticos,
Faíscas multicores,
Perfumes raros e vários sabores...
Torna-nos encantadores
De pessoas... De vidas... De almas...
Possibilita-nos a elevação...
Envolve-nos em suaves brisas e rosas...
Vemo-nos, então, seduzidos pela magia
Que a transmuta em pura alquimia...
Percebemos se aguçarem nossos sentidos,
Somos invadidos pelo desejo de ser,
Esquecemo-nos do materialismo...
Do nosso tão grande egoísmo...
Esta energia está em tudo e em todos...
Nos algures e alhures da existência...
É a nossa própria essência...
Denominada por tantos de AMOR!
E, mesmo quando o negamos a nós mesmos,
Perceptivelmente vemos
Que só amor transforma...
Que só amor constrói o ser que somos...
Que só amor nos leva à nossa essência divina...
Porque tudo suporta, a tudo vence...
E a tudo transcende...
Só o amor... Mais nada!...

domingo, 19 de agosto de 2012

Violino


Um violino triste ressoa melancolicamente...
Sinto uma vontade imensa de mergulhar
Neste imenso vazio sobre o mar...
E tocar de leve a imagem desenhada na mente...

Ainda sem forma clara, vejo delinear-se...
Será uma face, um corpo, uma pessoa?
Será sombra que se esqueceu da luz?
Será apenas meu reflexo perdido no espelho?

Os acordes dilaceram minha alma
Que chora e clama sem cessar
Pelas asas de anjo...
Que a permita voar...

Sinto que o céu tocou meu chão
A terra encheu-se de cor
Absorvo a essência do amor
Nestes raros perfumes de flor...

A dor que me aprisionava
Despareceu ao ver-te
Diante de mim
Refletindo tempestades e calmaria...

Sinto teus olhos sobre mim...
Beijo teus lábios ardentes
Recebo o teu calor...
Sou capaz de aspirar o teu sabor....

O violino arqueia...
A música leva-nos a bailar
É dança da vida
Que nos faz vibrar...

Dança, canta, chora...
Clama, geme, suspira...
É o delírio da valsa do tempo
Permitindo-nos ser nós...

Enlaçados, entrelaçados...
Corações, corpos, mãos trêmulas...
Almas, sentimentos, tormentos...
Sintonia ou afinidade, amor ou felicidade?

Desejo Insano


desejo insano de te tocar
persiste dentro de mim

é avalanche de emoções
desencadeada repentinamente

gostaria de calar a voz do coração
que grita por ti, por nós

no entanto, sinto que não posso
não tenho o direito de fugir

esquivar-me de mim mesma
é negar a minha essência

de alguma forma, tu fazes parte de mim
e eu te quero com toda a força do meu ser

quero-te como menino
que busca o futuro

quero-te como homem
que deseja e luta pelo que quer

quero-te em corpo e alma
como amante... por amor

quero-te em mim
como nódoa, marca vívida

quero-te assim...
inteiro para mim...

sem medos, nem mistérios
sem rodeios... intacto e verdadeiro...

voluptuosamente, delineia-se sua imagem
dedilho-te vagorosamente...

quero conhecer cada centímetro teu
deixar a magia que existe em nós se espalhar

espero por ti...nas páginas vazias
que escreveremos para nós

espero por ti... em algum lugar
quando nos for permitido verdadeiramente amar!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Anjos Caídos



Às vezes, nossos passos
Acovardam-se no vácuo...
Acomodam-se ao cinza,
À mesmice e à rotina...

Esquecemo-nos de que a vida 
É um PRESENTE!
Nossos pés seguem uma direção
Diferente da do coração...

Acorrentamos nossas almas
Á convenções tolas,
Desprovidas
De valor verdadeiro...

Permitimo-nos escravizar
E ser escravizados
Pela busca vã
De sonhos utópicos...

E por tudo isso
Vamos nos perdendo...
Deixando desbotar os sonhos
Amargando o vazio e a angústia...

Muitas vezes tocamos nosso âmago
E escarafunchamos nossa alma...
Buscamos desesperadamente um grito,
Um fiasco de esperança...

De onde menos se espera...
Quando não mais se imagina...
Deus nos pede para acordar
E abrir os olhos...

Perceber a beleza das cores vívidas
Das suas aquarelas magistrais
Que se erguem para o infinito...
E ver as estrelas no firmamento...

Sentimo-nos tocados
Por mãos divinas...
Abraçados aos anjos caídos
Que nos elevarão ao paraíso...

Em algum lugar, num momento único,
Nossos olhos encontrar-se-ão
E um portal tridimensional 
Abrir-se-á diante de nós...

Seremos transportados até as estrelas,
Tocaremos o céu 
E ao mesmo tempo
Ouviremos  a canção melodiosa do mar...

Que nos lava e leva...
Afogando os medos...
E nos possibilitando erguer os olhos
A Deus em prece...

O amor é dádiva e eu sou feliz...
Porque sinto esse amor imenso dentro de mim...
Sinta-o... Sinta-me...
Sejamos nós: ser único!

É preciso agradecer
Porque Deus nos concedeu a dádiva do amor...
Fez-nos homem e mulher
E permitiu esse encontro escolhido por nós...

Necessito agradecer
Por conhecer meu pedaço de céu na terra...
Mesmo que não possamos, ainda, 
Deter o tempo e amanhecer um nos braços do outro...

Quero que o sinta e permita-se
Ser invadido pela felicidade plena do amor...
Como apenas os anjos caídos
Podem, juntos, vivenciar...

Unamo-nos e entrelaçados
Poderemos mais uma vez
Amar... Viajar... Voar...
Em direção às estrelas... sobre o mar!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Meu amor, meu anjo...




Existem momentos que nos fazem crer
que Deus ainda acredita em nós...
Há pessoas que nos tocam em alma
de uma forma tão intensa e inteira
que percebemos que mal nos conhecíamos...
Assim foi conosco...
Tu chegaste de mansinho...
Enredaste-me devagarinho...
Embalaste-me em versos...
Enlaçaste-me num sonho...
E eu não pude fugir...
Não quis... É verdade...
Tentei me desvencilhar...
Sufocar-me...
Mas a comunhão de pensamentos, de almas 
impediu-me de sucumbir a esmo....
E de novo nos aproximamos...
Parece que mais forte...
Permitimo-nos sentir a nós mesmos e ao outro...
Esqueci a culpa...
Bani o medo...
Deixei-me levar...
Perdi-me na ânsia louca de te amar...
Por instantes únicos e supremos,
estivemos um nos braços do outro...
Tocamos e fomos tocados...
Acariciados...
Beijados...
Despejamos sobre o corpo o que a alma anseia...
Entregamo-nos ao desejo, ao prazer, um ao outro...
A fantasia era maior do que a distância...
Invadimos e fomos invadidos pelo desejo...
Comungamos, consumamos, deliramos...
Permitimo-nos ser volúpia ardente...
Corpos entrelaçados e almas conectadas...
Ávidos, loucos, insanos, despudorados...
Tu me fizeste esquecer-me de tudo...
E sentir uma vontade louca de viver...
Ainda que por breves instantes...
Fazia muito tempo que não me sentia viva...
Queimando de desejo...
Desejei imensamente tocar-te verdadeiramente...
Entregar-me a ti de corpo e alma...
Fui dormir contigo ontem...
Estava impregnada por tuas palavras,
Fui seduzida, envolvida...
Sentia-me lasciva, lânguida,
carente de ti, da tua voz, do teu corpo...
Não pude resistir...
Adormeci...
Ao acordar,
estranha transformação operava-se em mim...
Sentia-me bela, desejada, feliz
como há muito não me via...
Tu fizeste a lagarta transmutar-se em borboleta...
Um riso solto fez-me lembrar da menina de outrora...
Há uma saudade imensa de ti...
Não te encontrei...
Ainda...
Mas te espero...
Como te espero...
E te quero...
Quero-te...
Quero tudo...
Nós...
De novo...
Verdadeiramente...
Concretamente!



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Metáforas aladas




Desprendem-se em metáforas aladas...
Escorregam no baloiçar do vento, nas asas do tempo...
Despejam na página nua a cor púrpura dos sonhos...
Há uma melancolia fria invadindo a alma...
Estou esquecida no passar veloz das horas...
A rotina sufoca-me e amedronta-me...
Mergulho nas páginas de mais um livro...
Liberto-me das desilusões, dedilho imagens
Alhures... Noutro momento... Talvez no firmamento...
A luz boreal lampeja reflexos multicores...
Estaticamente, plasmam-se instantes...
O poeta das ilusões sussurra-me suas canções...
São versos de solidão, aspirações, desejos do coração...
Pedem auxílio para que se esqueça da vaidade...
Insistem que prossigam os passos...
Lenta e continuamente, em busca da concretização...
Tornar-se um deles? Não sei se posso...
Quero... Mas não sei se mereço...
Conflitos em mim duelam assim:
Desfecham golpes, latejam a dor do esquecimento...
Medos perturbam-me, desafiam algumas marcas...
A agonia persiste, cicatrizes pulsam...
Como se abrissem uma lacuna de dor...
Gritam segredos...
Receios de perder a luz que se acende em mim...
Não quero ficar novamente só...
Fecho os olhos, não vejo nada...
As sombras do passado desgrenham o presente...
Peço perdão, mesmo desconhecendo o erro...
Não importa mais... Existem pedras a vencer...
Há flores com perfume inebriante...
Toco meus sonhos... Abro os olhos...
Contemplo as estrelas distantes
Que iluminam as noites sem lua de minh’alma...
A noite se vai e o sol despeja-se douradamente
Entrego a Deus os medos e os sonhos...
Curvo-me diante da grandeza do caminho...
Meus passos ainda torpes revelam:
Fui escolhida para desenhar metáforas,
Expor ou camuflar a sabedoria de outrora...
Abraço minha missão, não há como fugir...
Não se pode fingir que é normal sentir-se preso...
Há algo em mim...
Um devaneio que aladamente decolou...
Pássaro encantado que guardou suas asas
Anjo transvestido humano canta sobre minha cabeça...
Caminha escondendo suas asas, toma-me pela mão,
Revela-se e desvela a direção...
Ouço sua voz, que tantas vezes preenche meu silêncio...
Sinto afastar-se de mim a solidão...
Várias são as formas; muitas, as histórias divinas
Contadas e cantadas por mãos humanas....
Lágrimas e anseios esfarelam-se em palavras...
Eu, de olhos vendados, busco olhar atentamente...
Encontrar a luz, que tive tanto medo de ver...
Havia receios de não a merecer...
No alto da montanha, olhos fechados, braços abertos...
Prontos para em asas se transformarem...
Não estou sozinha, abraçada ao anjo...
Permito-me e sinto asas ao vento ruflarem...
Ouço sua voz, partilho o seu ou o meu sonho?
Não importa... Dúvidas vão e vêm...
Todavia permaneço, anoiteço e adormeço...
Ao abrir os olhos, verei o que está além...
Agradeço, amanheço e prossigo...
Meus pés descalços tocam a areia...
Sinto a água fria a banhar-me...
Entreabro meu coração
Há uma chuva multicor de pétalas de rosas...
A alegria espanta a tristeza...
A luz, o bem e o amor escancaram-se...
Sinto-me grande, embora seja tão pequena...
Cada um se torna essencial, é uma peça única...
Eu nunca quis jogar,
Mas a vida transformou-se e transmutou-me...
Agora, descortino véus...
Sou grata aos amigos, anjos, e porque não os céus?!...

terça-feira, 3 de julho de 2012

Poeira



Para onde foram os sonhos de outrora?
A realidade impermeável descortina-me o olhar:
A rotina consome os dias,
A mesmice adormece as esperanças...
Vejo a máscara da ilusão
Esconder-me no labirinto de mim mesma...
As pessoas cada vez mais frias,
Materialistas e insensíveis...
Fazem com que eu não me reconheça
No olhar distante do outro...
Sinto-me perdida...
Busco respostas para a pergunta que sou...
Vislumbro imagens disformes,
Ouço vozes fantasmagóricas,
Dedilho fragmentos de mim,
Subverto metáforas existenciais
Que multifacetaram o meu eu...
Meu olhar viaja no horizonte...
Vagueia pelo passado...
Espera por um milagre...
Tantas foram as mudanças
Dentro de mim...
Tão poucas houve ao meu redor...
Muitas foram as vozes
Sussurrando segredos...
Há em mim... uma busca...
Pelo burilamento da alma...
Porém as intempéries
Testam minha paciência...
Colocam em xeque a complacência...
Desejos se modificaram,
Cicatrizes se suavizaram,
Medos, em meio às tempestades,
Perderam-se...
Tenho receios de não conseguir
Ser digna das minhas escolhas;
Concretizar metas essenciais...
É preciso disciplinar-me...
E eu ainda me rebelo...
Revolto-me...
Sofro...
Deixo a chuva fria da desilusão 
Aliviar as despedidas do sonho...
Meus anseios estão trancafiados
Na arca dos desejos...
Encarcerados entre os grilhões dos medos...
Esperam que eu decifre o enigma
Ou abra logo a caixa de Pandora...
Só a magia dos sonhos
Pode amenizar o torpor do comodismo...
Preciso acreditar que sou capaz
De suportar as agruras,
Mesmo sabendo que a felicidade
Não é deste mundo...
Vive-se “insights” perfeitos
Para nos inspirar,
Fazer-nos persistir
Na busca infindável do ser...
Quando tudo nos parece sorrir,
Um revés nos arrasta
Ao abismo de nós mesmo...
Faz-se necessário crer
Que há luz
Em toda escuridão...
Nas grandes tempestades,
Há, em algum lugar...
Um barco, um porto seguro...
Que abraça nossos sonhos...
Acalenta-nos...
O turbilhão me perturba,
Arrasta-me...
Tento redimir-me das falhas,
Desconheço tanto de mim
E nem tudo o que sei
É para mim motivo de orgulho...
Ter orgulho também não é nobre.
A busca aponta para a direção das nuvens...
E vejo que ainda sou fumaça...
É preciso cair de joelhos,
Apiedar-se e aprender a perdoar...
Não apenas aos outros
Mas, especialmente,  a nós mesmos...
Somos poeira em transformação...
Às vezes, tempestade...
Outras, furacão...
É preciso esquecer a vaidade...
Deixar que areia se aquiete...
Para que possa jorrar a essência
Da fonte suave da sabedoria...
Translúcida como água,
Espelhando o ser
Que mesmo que não saibamos
Em nós adormece...
Vejo meu olhar triste...
Lacrimoso e de fé...
Pedindo a Deus...
Auxilio e perdão...
Minhas mãos limpas
Desenham sobre o vazio...
Marcas e desilusões...
Tudo se torna pó...
Apenas o sopro do vento,
(Re)vira a areia da ampulheta...
Tudo se (des)faz,
(Des)contrói-se,
Tudo se vai...
Para que a metamorfose da alma
Aconteça, floresça...
E rescendeie perfume
Nos  pés que pisam na areia...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Marcas do tempo


As marcas do tempo
Tingem os cabelos,
Fincam-se pele,
Enfraquecem o corpo.

Tudo passa...
Mas em nós,
Lembranças insistem...
Persistem...

Reviram a memória,
Encurtando a distância...
Diminuindo a ausência...
Construindo nossa história...

Foram poucos momentos...
De nós...
Meros fragmentos...
(Des)pedaços...

Hoje tantos são
Os tormentos...
Cacos de cristal
Despedaçaram-se...

Sobrou-se tão pouco...
Um pouco de mim
Foi-se contigo...
Aquietou-se em ti...

Sinto tanta falta...
Não sei se de ti...
Ou do que eu era
diante de ti...

Sinto saudades...
De tudo...
De ti...
De mim... quem sabe...

Fiquei em algum lugar
Da estrada deserta...
Teus olhos se perderam de mim...
Tua voz silenciou meus sonhos...

E eu me vi só
Em meio a tantas tempestades
Revirando meias verdades
Juntando um pouco mais de pó....

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Máscaras

Enigmas:
Faces ocultas...
Perdem-se por entre sonhos...
Enveredam-se pela realidade dos espinhos
Ferem-se nas agruras
Amadurecem...
Embrutecem...
Envelhecem...
Esmaecem..
Não revelam juventude...
Fazem-se maturidade...
Destituindo-se de vaidade
Para olvidar meias verdades...
Será que o destino me sorri?
Vê em mim a comédia
Ou o palhaço?
Será que o outro me vê triste?
Vê em mim o drama da existência
Ou o meu descompasso?
Escondo-me de mim mesma
Fujo pelos labirintos do meu eu
Escondo-me por entre os alfarrábios
Busco preencher de palavras o vazio da alma
No entanto, permaneço estática
Face imóvel,
Empedernida...
Falta-me a poeira do que ainda não vivi...
A estrada parece-me longa,
Cheia de curvas...
Sombras de árvores frondosas
Permitem-me descansar pelo caminho...
Flores de diversas cores...
De espécies raras...
Exalam-me seu perfume
Seduzem-me com suas nuanças...
O vento impulsiona-me a prosseguir...
Mesmo que eu não saiba ao certo
para onde eu deva ir...
Sigo sem pressa,
Sem olhar para trás,
Sem descanso,
Sem pensar...
Não que eu me deixe levar...
Não que eu me recuse a viver...
Não que eu não saiba sorrir...
Não que eu não possa escolher...
Porém muitos são os grilhões
Que nos aprisionam em nós mesmos.
Temos medo da nossa face secreta...
Preferimos a maquiagem:
Da beleza... da alegria...
Da certeza... da alegoria...
Construímos castelos de areia:
Verdadeiras fortalezas de sonhos...
Esquecemos que o vento soprará...
Levará os fragmentos...
Despedaçará convicções...
Moldará gigantescas montanhas...
E delas poderemos
Modelar nosso caráter...
Reestruturar valores...
Que compactuem com a essência...
Não apenas concordem com convenções sociais...
É preciso quebrar paradigmas...
Talhar uma alma inovadora...
Renovar votos de silêncio...
E clamar unissonamente...
Os anseios que trazemos...
Camuflados nos olhares tortos,
Nos passos rotos...
Miserável contorno disforme...
Que se veste de máscaras...
São belas couraças...
Roupagens suntuosas...
Que encobrem
A simplicidade...
A suavidade...
A pluralidade...
Dos pensamentos que nos denunciam,
Que mostram a face torpe
Do anjo caído...
Olhamos e preferimos não ver...
Veem-nos, mas não nos enxergam...
Somos invisíveis diante do poder,
Pois o nosso fascínio esconde-se...
Atrás das máscaras...
Ora comédia...
Ora tragédia...
Regam de risos e dores
Os instantes mágicos
Daquelas quimeras...
Que em nós se fazem primaveras...
Ou dos momentos ausentes...
Que entorpecem de frio
O inverno das despedidas...
Em mim alternam-se imagens:
Sorrisos que traduzem alegria,
Lágrimas que debulham agonia...
Máscaras que revelam muito de mim...
Que disfarçam tudo o que sou...
Camaleonicamente...
Transmuto-me...
Lagarta em borboleta...
Borboleta em flor...
Flor em espinho...
Espinho em dor...
Dor em amor...
Em cada face oculta,
Duelam o bem e o mal...
Esgrimam o real e a fantasia...
Em cada face lívida,
Traduzem-se as sombras do medo...
Duelam o querer e o ser...
Esgrimam-se a vontade e a nostalgia...
Nas máscaras que me veem,
Perco-me tão vazia de mim...
Nas faces que me tornam invisíveis...
Um ser multifacetado...
Dividido em muitas máscaras...
Espelhado em muitas faces...
Desencontrado da sua quintessência...
Real em sua forma desengonçada...
Surreal em sua leveza...
Que lhe permite
Alçar voos e tocar as nuvens...
Embalar-se nos acordes angelicais...
Enigmas: quem sou?
Por que sou?
Onde estou?
Para onde vou?
Respostas que se perdem no vácuo...
Que ecoa dentro de mim...
Repito nomes...
Ouço vozes...
Em meio a tantas
A Esfinge do sonho me dita:
“Decifra-me ou te devoro”!


domingo, 3 de junho de 2012

Meu amor, meu pequeno....



Deixe abertas
As janelas d’alma.
Nelas se refletem
Intocáveis memórias,
Embalando sonhos,
Lapidando histórias...

Sabedoria rara
Olvida degraus,
Amplia horizontes,
Revela no olhar
Espelhos tantos,
Saudades incertas...

Cobre-nos de luz
Urdidura única
Nas cores certas
Nuanças singulares
Iluminam a vida...
Na sintonia divina...
Guardando tons
Harmonizando sons
Aprende e ensina
Milagres de amar!