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sábado, 23 de abril de 2016

Autópsia


A vida é caixa de Pandora
Esperando para ser aberta...
Quem sabe ontem, amanhã, agora?

Fechada é mistério: segredo...
Faz-nos acovardar na letargia...
Aberta é desespero, medo: degredo...

Vez ou outra, curiosos, somos tomados...
Pela indiscrição, pela compulsão, pela vontade
Tocamos o insondável e sonhos roubados...

Diante do enigma:
“Decifra-me ou te devoro!”
Somos instigados a romper o paradigma...

Politicamente corretos
Deparamo-nos com o precipício
Mesmo que não nos vejamos certos

Diante de anjo torto que mais tenta que guarda
Sentimo-nos cada vez mais perto do céu
Tudo é caminho, travessia, vanguarda

Antes ... a surpresa e a urgência
Necessidades humanas espelham a imperfeição
Com sua inegável premência

Consumidos pelos desejos
Insights:  vontade e intensidade...
Ensejos  -  lua cheia no mar - beijos

Bocas escrevem poesia em corpos despertos
Marcas indeléveis:  lembranças... saudade...
Sinópsia? Parópsia? Autópsia de olhos bem abertos!


domingo, 3 de abril de 2016

Capitu


A liberdade para mim
Nasceu flor -  jasmim
Transmutou-se em borboleta
Deu-me asas por onde eu for

O tempo me roubou de mim
Não me contentava em ser menos
Desdobrava-me para ser mais
Nada me é suficiente assim

Recusei-me a ser Amélia
Para ser parte do todo feito tu
Despedi-me da plateia
Preferi ser Capitu

Olhos oblíquos e dissimilados
Exibem a coragem de se ver
Ver o que se prefere tanto esconder
Imagens de rostos desfigurados

Recusei-me a ser Amélia
Por que queria ainda mais
Não me saciava a mesmice
Que calei na meninice

Ah, preferi Capitu
Tonta de sonhos
Recoberta de sombras
Pronta para ser mais

Não sei se Capitu é mais
Se Amélia é menos
Mas quero antes a intensidade
Que da outra a sanidade

Quero o gosto de pecado
Tão perturbador
Nego a calmaria da vida morna
Atiro-me longe no arpoador

Ah... Amélia és tão sensata
Mas eu não sei sê-lo
Talvez seja mesmo louca feito Capitu
Que voa longe e inquieta feito borboleta