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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Leia-me



- Leia-me! - Diz o poema que sou..
Seu tom imperativo revela insanidade fragmentada
Há uma busca implacável do desejo,
Uma urgência perturbadora que me despeja em palavras
E elas não se prendem a rimas, nem a regulamentos vários
As palavras despem-me
Desbravam-me as entranhas
Devoram-me por inteiro
É a infindável busca do sentir e do sentido
Do viver e do vivido
Do amar e do amado
Sons de palavras que ecoam
Gosto de palavras que engulo
Imagens de palavras que guardo
Todas elas me descrevem
Debulham-me em metáforas afónicas
Roucas e descabeladas pelo caos
Na desordem do sentimento mais ousado
Dá-me tudo e dá-se por inteiro
Despudoradamente
Êxtase: mergulho no abismo no poema
Que comigo faz-se face em sentido
Desalinha a respiração... Metamorfoseia a razão...
Dentro e fora: tempo-espaço indefinidos
Céu e mar fundem-se... contemplam-se...
Em mim... Em ti... Em nós!