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domingo, 26 de abril de 2015

Moinhos de vento


À espera de um novo amanhecer
Mais uma vez adormecem sonhos...
O vento frio da madrugada novamente me toca:
Ser que se ergue depois de tantos tombos...
Dom Quixote fantasmagórico que luta com moinhos de vento...
Lâmina afiada que destila versos sem rima
Poesia que se dedilha, que sufoca
Que aprisiona a dor para libertar a alma...
A vida sem desejos esvazia-se...
Somos energia direcionada pelo que nos falta...
Queremos o que não temos,
Almejamos o que não somos...
Desejo sem amor
É desamor que se perde no vazio...
Nesta catarse de sombras,
A pena viaja pela folha em branco
Palavra a palavra
Atravessa despenhadeiros
Alça voos altaneiros...
Busca-se um porto para ancorar desejos:
Esqueçamo-nos da solidão,
Transformemos medos em poeira
Para abraçar a praia deserta
E seus versos escritos na areia!




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Intempéries

Vertido de sonhos
O tempo se renova em nós...
Desfaz as amarras do passado,
Liberta-nos da mediocridade,
Da agonia que nos aprisiona
Enfadonhamente na rotina...
Reconfigura os fragmentos
Da alma tão cansada da dor...
Faz-nos ousar,
Ir além da nossa sombra,
Perceber nossas asas
E a nossa capacidade inefável de voar...
Enche-nos de esperanças,
Enfeita-nos de flores o coração
À espera de viver intensamente
E nos exaurirmos até a última gota...
Assim entreabrimos a janela
Para respirar o perfume,
Abraçar o vento,
Que, vez ou outra, sussurra-nos segredos...
Sopra fagulhas ignotas, quase extintas,
Reacende as possibilidades esmaecidas
Que abandonamos pelo caminho...
É preciso arriscar mais... sair do eixo...
Mesmo não se sentindo seguro...
Buscar novas direções,
Aprender a escolher
Sem medo de se machucar...
Ainda receosos, desejamos a luz...
Tocamos momentaneamente o céu
E tudo que se quer,
Neste instante único e mágico,
É deter essa coisa clandestina
Que se chama felicidade...
Ah... é verdade...
Não temos este poder...
Isto cabe apenas ao tempo,
Senhor que nos ensina a viver...
A compreender que querer, quase sempre,
Está tão longe de poder...
Mas é algo inerente...
Que nos impulsiona a persistir,
Instiga-nos a vencer as intempéries
Que se interpõem entre nossas vontades...
É preciso ultrapassar limites
E muitas regras transgredir...
Afinal, o horizonte ainda está nublado...
Confuso... difuso...
A tempestade não se dissipou totalmente...
O gosto de chuva ainda está em mim
Ah... confesso: amo a chuva!
Sem ela não há primavera...
Sem flor, a vida é cinza, sem perfume e cor...
Há desafios nos colocando na berlinda,
Porém muito há para se viver ainda...
Quisera... ser permitido a nós, meros mortais,
Tocar mais vezes este céu de estrelas!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Imprevisto


O olhar vagueava sobre as ondas
À espera de um sonho perdido
Desejava ardentemente um porto
Não aquele que aprisiona
Mas que permitisse por que voltar
A viagem parece mais curta
Quando há abrigo
A tempestade afogou as esperanças
Despojou todas as certezas
Sobraram o gosto de sal
E o cinza das horas frias
Mas tudo passa
E um novo dia trouxe o sol
E a sua luz despejava-se
Afastava sorrateiramente
A escuridão e a cegueira
A bonança a alma alegrava
Num novo devaneio que se delineava
Ainda disforme e abstrato
Engendrava-me o ser multifacetado
Paradigmas desconexos questionados
Desobedecia conceitos e tabus revirados
O horizonte se reconfigurava
Remodelava-se reiventava-se
A aquarela inacabada
Esperava uma nova expectativa de cores
Para compor-se inteira numa nova direção?!...

Possibilidades



A vida muitas vezes nos surpreende...
Esperamos demais...
Acreditamos demais...
Queremos demais...
E por isso nos decepcionamos além da conta...
O outro só pode nos dar
O que possui...
Nem mais nem menos...
Às vezes isso nos é insuficiente.
Estamos tão vazios de nós mesmos
Que precisamos que o outro nos complete...
Não nos percebemos inteiros...
Vemo-nos como metades
Incompletas e inacabadas...
E de fato nos perdemos...
Vivemos a frustração da insatisfação:
A expectativa depositada em outrem
É tão maior que nós mesmos.
No entanto, se nos permitirmos
Ver a face que se esconde além do espelho,
Perceberemos nossa inteireza...
Pararíamos de nos buscar no outro...
E poderíamos de fato nos surpreender
Com o que o outro pode nos presentear:
Cumplicidade...
Afinidade...
Sintonia...
Leveza...
Magia...
E de repente...
Poderemos então verdadeiramente viver...
Ver a vida seguindo seu curso
Como um rio em direção ao mar...
Talvez diferente do desejado
Mas dentro do que nos é possível, palpável...
Porque tudo o que temos é o Agora...
O Hoje... o Presente...
E todas as suas muitas, múltiplas, infindáveis...

Possibilidades...