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domingo, 24 de agosto de 2014

Duvida?

A vida se transmuta em sonhos e sombras
Algumas começam a se delinear
Outras são aspirações improváveis
Impropérios destemperados
Ao nosso redor, derramados...
Duelam-se sensações ignotas
Fantasmagóricas, remotas...
Dentro delas, ecoa uma voz
Um chamado... um pedido...
Resquício de sonho esquecido...
Tantas vezes perdido, esmaecido...
Formas amadas... silenciadas...
Pela secura das escolhas, pisoteadas
Segredadas, encarceradas, afastadas
Sobreviveram ao abandono atroz...
Aos suspiros e gritos do algoz...
Fizeram-se adormecer para, de repente,
Ressurgir, brotar, florescer...
Precisa-se acreditar na esperança
Traçar metas, instigar mudanças
Não há certezas, apenas receios...
A dúvida é o começo da sabedoria:
Não estamos num conto de fadas
Não há final feliz...
Afinal, quem disse que é este o final?


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ah...

Ah... hoje queria o som das palavras mais doces
Que pudessem endossar  e adoçar meus sonhos
Embalar as ilusões perdidas
Na dualidade da vida que se esvai

Ah... queria o som da tua voz...
A me conduzir para alhures
Tão perto que eu pudesse sentir o calor
O arrepio... e, quem sabe, as mãos geladas

Ah... hoje eu queria poder acreditar
Ter de novo esperanças
Mas talvez eu seja como aquele anjo torto
Que só sabe viver à sombra

Ah... quisera ter de volta as asas do poeta
Alçar o voo mágico rumo ao infinito
Tocar as brumas do amanhecer
E quem sabe, em algum lugar, nos teus braços, adormecer

Ah... queria alcançar com este olhar perdido
Resquícios de ontem
Enlaçados no amanhã
Queria... mas eu... ando tão distante de mim

Ah... quisera poder me encontrar
Num olhar que me fazia sentir tão viva, tão inteira
Mas aqui estou presa à pressa
Tão cheia de vazio e tão vazia de ti

Ah... perdoe-me por não entender
E mesmo assim tanto assim te querer
Meus passos ainda são torpes
mas ainda sonham e me levam longe...


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Em boa hora


Despejo ao vento
Fragmentados versos
Despojos de tempestades
Quimeras de um talvez
Sabor agridoce
Suscitado pela saudade
Por vezes esquecida
Noutras reacendida
Descuidos da memória
Sortilégios...
Subterfúgios...
Olvidando pedaços de história
Auscultam a fugacidade do tempo
Evasivas de uma trajetória
Dissuadindo palavras e cores
Que nem, por um momento,
Conseguem compor formas
Esculpir risos,
Descrever perfumes ou flores
Ah... a aquarela desbotada de outrora
Em boa hora... olha de soslaio o ontem
Espera que a porta seja aberta
Mesmo receosa de não estar pronta
Sabe... sente... pressente...
Que cada segundo é precioso
Para aqueles que anseiam
É preciso sorrir... viver... sonhar...
Quem sabe se surpreender
Nas esquinas alquebradas
Repentinamente ir... ver... vir...
Para os que puderem de fato ouvir...
Ouçam... é o amor que clama, chama
E desenlaça-se em nós... enfim ama!