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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Porvir


Fui o maltrapilho que teve a vontade roubada
Esta expressão suprema que nos faz únicos
Que viu seus sonhos se despedaçarem
Pela imposição da sombra e a força do medo

Sou borboleta metamorfoseada
Ainda sinto receios de alçar voos altos
Tenho medo de altura
Mas preciso desesperadamente  das nuvens

Fui escrava do destino
Que por puro comodismo
Preferiu ficar quieta a lutar por si mesma
Que se deixou levar ao invés de conduzir

Sou protagonista debulhando histórias
Palavras distraídas compondo versos
Lapidando –se, esculpindo-se
Duelo de emoções e memórias

Fui coadjuvante de minha própria vida
Cega, deixei-me seduzir pela ilusão
Que me levou ao abismo, ao abandono
Ao vazio de mim mesma, a uma profunda solidão

Sou o que fui... transmutado
Fui o que sou... revelado
Dúbios caminhos que se intercruzam
Passado e presente dedilhando o agora e o porvir!

Viajante


Viajante de páginas vazias
Estou à espera dos sentimentos
Que desejam ardorosamente  se preencher
Com as emoções mais loucas e também sublimes...

Meus olhos foram silenciados pela distância
E no vazio entreposto
Mergulhei no abismo infindável do ser
Na busca insolente do tempo...

Perdemo-nos e nos encontramos
Tantas vezes, em muitas faces,
Nesta e noutras vidas...
Suplantamo-nos em disfarces...

De tudo que fui, resta-me cacos:
Do tempo que se foi,
Da pessoa que outrora vi,
Dos sonhos que se perderam...

Tudo que sou é saudade...
Que guarda o cheiro de jasmim,
O mesmo daquele jardim
Que se delineia para mim...

Minhas rotas de palavras rotas...
Perdem-se das rimas
Deslocam-se mar adentro...
Querem o mergulho: o epicentro...

Meus sonhos buscam contornos etéreos,
Formas diáfanas plasmadas na saudade
Desejam o mordiscar da voz,
Anseiam pelo toque das mãos frias em foz...

Meu agora espera pelo ontem...
Intercruzando tempos remotos...
Ah... quisera sentir o que deixamos dormir...
Ah... quisera poder acordar dentro deste sonho!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Travessia

Página vazia de sonhos
Por onde perambulam enigmas
Esgrimam-se desejos
Duelam máscaras
Segredos

Doce som a acariciar a alma
Voz imponente
Que me pede calma
De outras eras
Ah...  Quimeras

Meus versos divagam ao léu
Atiram-me ao abismo sem fim
Fazem-me tocar o céu
Transbordam-se em mim
Tão piegas
  
Ao mergulhar na arca do tempo
Sinto o sabor acre
Pedaços de mim
São levados pelo vento
Ah... triste lamento

Despejo-te versos
Sem métrica, rima ou encanto
Sou o grito, o espanto
O riso e o pranto
Mero acalanto

Estou aqui
Sim... sou eu
Sussurro-te memórias
Estamos em tantas historias
Psiu...

Palavras em travessia
Algumas pronunciadas
Outras silenciadas
Pura dicotomia
Poesia