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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Gratidão

A vida é extremamente sábia...
É preciso ter olhos e ouvidos atentos:
Há muito que precisa ser dito,
Muito mais para ser visto,
Mas, sem sombra de dúvida,
Há que se viver para não se morrer na apatia...

Corremos riscos...
Perdemo-nos de nós mesmos...
E por impulso nos atiramos ao precipício...
É necessidade de adrenalina...
É medo de ser tudo fictício..
É vontade insana de viver...

Muitas vezes preferimos
A acomodação e a letargia...
Escolhemos adormecer em agonia...
Suplantamos a dor...
Desaprendemos a sonhar...
Aceitamos viver no desamor.

Quando o desespero vem nos visitar...
Repentinamente, abrimos os olhos...
Embaçados pelas lágrimas...
Vemos as asas que deixamos murchar...
Sentimos que depois de tanto tempo
Ainda é possível voar...

Há pessoas que nos tocam a emoção...
E nos fazem dançar a alma...
Percebemos que estamos vivos,
Que há uma metamorfose
Transmutando em mosaico
Os cacos dentro de nós...

Ah...mas tudo tem seu tempo...
Novos ventos nos arrastam...
Transformam-nos em pedaços...
Já não sabemos quem somos...
Onde estamos? Para onde devemos ir?
Pouco importa... Sentimos uma louca vontade de fugir!

É a vida e seu ciclo infindável de aprendizagem...
Derrubando-nos, desmanchando nossas ilusões...
Tudo isso para que percebamos sua efemeridade:
É preciso ousar, dançar, cantar...
Quem sabe duelar com a eternidade...
E novamente aprender a voar...

Grata sou à dor que carrego agora...
Que estilhaça em muitas partes meu coração...
Faz-me mais forte...
E mostra-me as pessoas como são...
Ouço a voz que brada longe...
Talvez seja um eco... ou uma oração...

Houve um beija-flor pairando sobre mim
Despejou-me encantos e me fez sorrir
Mas escolheu outra direção para seguir
É preciso uma nova estrada buscar
Caminhos de estrelas e flores
De perfumes novos e luz a me iluminar

Grata sou por tudo que vivi...
Por cada instante de ilusão...
Pela esperança e paixão...
Alimentadas pelo silêncio e solidão...
Despejadas nos devaneios incontidos...
Nas palavras, fantasias e segredos escondidos...

Deixo-te meus versos de adeus:
Que tu sejas feliz, meu colibri...
E que a saudade venha
Um dia visitar os sonhos teus...
Que te dê um beijo profundo e suave...
Para que saiba quão grandes foram os sonhos meus!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Espinho e jasmim


Perdida em meio às palavras...
Sem rumo, debulho sonhos,
Reviro escombros,
A esmo, transbordo poesias...

Busco o teu olhar que me sorri,
Entreabro a alma neste olhar fictício...
Despejo meus versos sobre ti
E tu és apenas silêncio...

Desdobro-me em muitas máscaras,
Deslizo sinuosamente sobre o cetim...
Desvelando perfumes e metáforas,
Duelando: espinho e jasmim!

O beijo do vento sopra segredos:
O amor nos liberta e dá poder...
O passado petrificou-se em medos,
Resta-nos sentir, partir, viver...

A semente do amanhã germina.
Aninha-se no âmago do abraço...
Delinea-se: miragem que fascina,
Quando o coração é só um pedaço...

Sinto o ruflar de asas em toda parte...
Desejo do anjo, colisão, amplexo...
Auscultar o todo: ser arte
Neste mundo tão complexo...

Na ponte infindável do tempo,
Atiro fagulhas, tormentos...
(Re)viro memórias por passatempo,
(Re)organizo mosaico de momentos...

Desabo-me, despedaço-me...
É preciso fenecer, deixar-se minguar...
Para em seguida, florescer: (re)faço-me
Como a lua em plenilúnios a desaguar!

Sinto-te mordendo-me o pensamento...
Que me lês, lasciva, além de meus versos...
Sei que me vês, apesar dos reversos...
Calando a febre da carne... no firmamento!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Fetiche


A ampulheta da vida transmutou-se muitas vezes...
Nas idas e vindas, o tempo foi, ao mesmo tempo, ponte e abismo...
Encontramo-nos e nos perdemos
Nos incontáveis confins de nós mesmos...
A ficção das imagens reviradas pela memória afetiva:
Trazem-nos protagonistas da memória
Delimitando caminhos, perfazendo história...
Duelamos com sentimentos, fugimos do amor...
Mas ele é ardiloso e capturou-nos nas suas armadilhas.
Deixamo-nos prender nas teias da paixão...
Precisamos da volúpia que o olhar do outro desperta...
Fomos enfeitiçados pelo amor em todos os seus (des)encontros
De mãos dadas, necessitamos auxiliar as conquistas do outro...
É difícil essa avalanche de sensações desenfreadas
Que este outro em nós desperta...
Afugentamo-nos na solidão... Medrosamente nos escamotemos...
Encobre-se a essência... Nega-se a febre, sufoca-se o vulcão...
E no vazio do outro somos apenas saudade...
Esta tatuagem que nos fere desmesuradamente...
Mas sem ela nos perdemos na insipidez de uma vida morna...
O pensamento faz-nos loucos e, tomados pela loucura,
Não sabemos se fugimos ou se nos atiramos no precipício...
Quisera poder fazer dormir essa saudade sem igual,
Quisera poder desabar-se no abraço do encontro...
Ah!... Quisera que pudesse, por segundos, tocar nesse céu...
Ou quem sabe entrar e sair da história e do amor...
E se fazer saudade, sem se machucar  tanto...
É tão difícil conter este sentimento revestido de saudade...
O tempo breve faz-nos sentir a vida latente e que amar vale a pena...
Ainda que nas asas afáveis e ágeis de um beija-flor...
A cada dia a saudade se faz sem fim...
Estamos em todas as histórias que já escrevi
E nas muitas palavras que ainda colocarei no papel...
Porque a magia se faz em nós... no feitiço incontrolável...
Que enlouquece e nos permite viver esse devaneio...
Há fetiches que dispensam palavras e revestem desejos...
Maiores, muito maiores do que eu...
Sua essência é AMOR : sentimento dúbio, forte e verdadeiro...
Que se quer junto de alguém... Mesmo ao abdicar de si pelo outro...
É hora de chegar ou partir?
Não se sabe ao certo, apenas se quer,
Ainda que, apenas por segundos,
Tocar o céu na Terra!


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Máscara



Muitas vezes passamos pela vida
E, de fato, não a saboreamos ou vivemos...
Acovardamo-nos e nos acomodamos à mesmice...
Aceitamos vários papeis que nos camuflam bem...
Escondemo-nos por trás de estereótipos...
Nossos sonhos vão minguando:
Esquecemo-nos de sorrir...
Desaprendemos a amar...
Deixamos a vida nos levar...
Preferimos o papel passivo,
Tornamo-nos coadjuvantes,
Assumimos posturas irrefutáveis
E nos perdemos no vazio de inúmeras noites insones.
Refugiamo-nos e nos escamoteamos...
A vida morna é mais fácil e cômoda.
A montanha russa das emoções é olvidada
Pela falsa imagem do bom senso.
Aparentemente sensatos e prudentes
Seguimos pela vida...
E ela como furacão nos atropela...
No entanto, nada nos atinge ou nos abala.
As máscaras sociais imperam sobre os sentidos...
Esquecemos que somos humanos...
Há muitas encruzilhadas que nos colocam em Xeque-Mate,
Podemos adormecer nossa essência,
Tentar negá-la ou sufocá-la,
Porém haverá um momento que, tolos, vazios e perdidos,
Vemo-nos à beira do precipício...
O medo do desconhecido  nos apavora...
Sair da passividade e da apatia nos atormenta...
Mas o limite da insanidade é tênue...
E Zéfiro nos empurra para a nossa viagem interior...
A escuridão nos cega e tateamos a segurança
Que não existe no teatro das emoções...
Somos jogados ao palco e não há ensaios,
É uma  peça que exige o improviso...
Onde duelam paixões e enigmas.
Despidos de tudo, inclusive,
Dessa roupagem  politicamente correta
Encurralados, impossibilitados de fugir,
Vemos emergir da insanidade a essência de nossas emoções
Percebemo-nos frágeis,
Perdemos nossa armadura imaginária,
Notamos que não há certezas, apenas dúvidas:
São muitas perguntas e tão poucas respostas...
Contudo nosso papel é outro...
Somos impelidos a ser protagonistas...
Afinal ninguém viverá por nós e a brevidade da vida,
Arrasta-nos ao abismo de nós mesmos...
Não é confortável mudar...
Mas é preciso se arriscar...
Não há mais como se fazer de vítima...
Não se pode mais permanecer na plateia
Ou se esconder por trás das cortinas...
Diante deste caos, somos incitados a nos transmutar...
Pela realidade somos desafiados:
Conter o medo, a mediocridade e a covardia...
Como reis e rainhas de nós mesmos
Precisamos aprender a governar mundos,
E, nestas batalhas silenciosas, destruir muros...
Temos dificuldades de manusear nossas armas,
É preciso atacar, vencer obstáculos,
Olhar adiante e sentir o que pulsa em nós...
Perceber que não estamos sós...
Se permitirmos florescer nossa essência...
Nela há esperanças e caminhos...
De flores, árduas pedras e duras penas...
Todavia não se pode esmorecer...
Necessitamo-nos de nos reconhecer...
No espelho translúcido do outro...
E este reflexo como esfinge
Lança-nos novo enigma:
A vida só vale a pena se se desmensurar em amor?
Só o amor nos atira ao chão e nos eleva aos céus...
Só ele pode nos trazer de volta do abismo existencial...
E nos permitir, destituídos de máscaras, viver
Intensamente, verdadeiramente, indelevelmente...
Nossas emoções, fantasias e sentimentos...
Derrotando nossos fantasmas e sombras...
Dominando a ilusão de que somos marionetes...
Afinal somos mais que atores, somos protagonistas...
E ninguém viverá por nós...
Viva! Dance! Cante! Chore! Grite! Sorria! Sinta!
E principalmente AME!
Sem amor não há sonho, sentido ou vida!
Sem amor não há nada!