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terça-feira, 3 de julho de 2012

Poeira



Para onde foram os sonhos de outrora?
A realidade impermeável descortina-me o olhar:
A rotina consome os dias,
A mesmice adormece as esperanças...
Vejo a máscara da ilusão
Esconder-me no labirinto de mim mesma...
As pessoas cada vez mais frias,
Materialistas e insensíveis...
Fazem com que eu não me reconheça
No olhar distante do outro...
Sinto-me perdida...
Busco respostas para a pergunta que sou...
Vislumbro imagens disformes,
Ouço vozes fantasmagóricas,
Dedilho fragmentos de mim,
Subverto metáforas existenciais
Que multifacetaram o meu eu...
Meu olhar viaja no horizonte...
Vagueia pelo passado...
Espera por um milagre...
Tantas foram as mudanças
Dentro de mim...
Tão poucas houve ao meu redor...
Muitas foram as vozes
Sussurrando segredos...
Há em mim... uma busca...
Pelo burilamento da alma...
Porém as intempéries
Testam minha paciência...
Colocam em xeque a complacência...
Desejos se modificaram,
Cicatrizes se suavizaram,
Medos, em meio às tempestades,
Perderam-se...
Tenho receios de não conseguir
Ser digna das minhas escolhas;
Concretizar metas essenciais...
É preciso disciplinar-me...
E eu ainda me rebelo...
Revolto-me...
Sofro...
Deixo a chuva fria da desilusão 
Aliviar as despedidas do sonho...
Meus anseios estão trancafiados
Na arca dos desejos...
Encarcerados entre os grilhões dos medos...
Esperam que eu decifre o enigma
Ou abra logo a caixa de Pandora...
Só a magia dos sonhos
Pode amenizar o torpor do comodismo...
Preciso acreditar que sou capaz
De suportar as agruras,
Mesmo sabendo que a felicidade
Não é deste mundo...
Vive-se “insights” perfeitos
Para nos inspirar,
Fazer-nos persistir
Na busca infindável do ser...
Quando tudo nos parece sorrir,
Um revés nos arrasta
Ao abismo de nós mesmo...
Faz-se necessário crer
Que há luz
Em toda escuridão...
Nas grandes tempestades,
Há, em algum lugar...
Um barco, um porto seguro...
Que abraça nossos sonhos...
Acalenta-nos...
O turbilhão me perturba,
Arrasta-me...
Tento redimir-me das falhas,
Desconheço tanto de mim
E nem tudo o que sei
É para mim motivo de orgulho...
Ter orgulho também não é nobre.
A busca aponta para a direção das nuvens...
E vejo que ainda sou fumaça...
É preciso cair de joelhos,
Apiedar-se e aprender a perdoar...
Não apenas aos outros
Mas, especialmente,  a nós mesmos...
Somos poeira em transformação...
Às vezes, tempestade...
Outras, furacão...
É preciso esquecer a vaidade...
Deixar que areia se aquiete...
Para que possa jorrar a essência
Da fonte suave da sabedoria...
Translúcida como água,
Espelhando o ser
Que mesmo que não saibamos
Em nós adormece...
Vejo meu olhar triste...
Lacrimoso e de fé...
Pedindo a Deus...
Auxilio e perdão...
Minhas mãos limpas
Desenham sobre o vazio...
Marcas e desilusões...
Tudo se torna pó...
Apenas o sopro do vento,
(Re)vira a areia da ampulheta...
Tudo se (des)faz,
(Des)contrói-se,
Tudo se vai...
Para que a metamorfose da alma
Aconteça, floresça...
E rescendeie perfume
Nos  pés que pisam na areia...