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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Palavras soltas no ar...

Como palavras soltas no ar...
Segredos se perdem nos braços da saudade,
Lágrimas esperam a quem verdadeiramente amar.
E mesmo assim quem amar, jamais arrepender-se-á...
Quando com a ponta dos dedos puder tocar a felicidade.

Verossímil ao sonho, perspicaz permanece,
Como fragmentos da realidade que incide.
Jaz no coração uma saudade que remanesce...
Aprisionada em lembranças tantas,
Que na sua imagem se conflui e confunde.

Fragmentos de sonhos que interferem em nossas vidas.
Saudade remanescente em nossos corações...
Como verdade ainda não conhecida,
Palavras ditas, mas nem sempre ouvidas.
Esperanças explícitas em tantas e tão grandes emoções.

Palavras que meu coração grita...
Que faz minha alma suspirar...
Lembranças, uma saudade infinita...
Que adormece esperanças, mas não me permite acordar...
Dos meus sonhos surgem esperanças e uma saudade bandida.

Na luz dos olhos seus, vejo o brilho das estrelas.
Nos meus, brilham sonho e saudade...
Que um dia, possa eu tê-las...
Como fragmentos da minha realidade.
Tendo no coração, você ao alcance da felicidade!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tua Voz

Como canção profana
Toca-me tua voz...
Acendendo a chama
Do desejo em nós.

Vejo-te perpassar por mim,
Olhares turvos,
Voz a silenciar assim
Desejos e medos mudos.

Teu olhar infiltra
N’alma faz dançar...
Imagem perfuma
E me faz sonhar...

Teu olhar despe
As palavras que não houve.
Desejos nos vestem
Dedilhando nos absorvem..

Quero ir além...
Além do teu olhar
Onde não haja ninguém,
Para impedir a fúria do mar.

Mar em turbilhão...
Veste-nos com a canção...
Canção da tua voz,
Desfazendo todos os nós...

Rompe-se nas rochas,
As lavas de um vulcão.
Resfriando-se nas ondas,
“Tempestades... Tufão!”

É tua voz
Que vive nas palavras...
Que arde nos olhos
Na ânsia de apreendê-las.

Ouço-te no meu silêncio,
Porque tu em mim persistes.
É preciso apagar o incêndio
Que tua voz desprende.

Tudo se resume num olhar,
Num  toque que se perdeu.
Em meio a voz se ascendeu
O fulgor insano desse mar!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Um anjo


De ontem...
Só me restam lembranças.
Amanhã é apenas um sonho,
Uma névoa que envolve o presente.

A saudade de ti,
Mescla-se aos nossos momentos.
Tua imagem reluz...
Ofusca a solidão e desperta-me.

Há em ti
Um fascínio inexplicável,
Um olhar perturbador
Que encanta, seduz...

Há em mim
Um que do passado
Que se veste com a névoa do presente,
Buscando a luz do futuro.

Em nós...
Há momentos tantos
Que nos fazem viajar nas brumas
Para sutilmente tocar as estrelas.

Em tudo há um pouco de sonho...
Um tanto de mistério...
E mais... há alguma coisa

Que nos permite tocar a felicidade.

E nesses raros instantes,
Descobri que tu és parte de um sonho
Que quero me permitir sonhar,
Mas que me parece tão inatingível.

Quero ouvir tua voz numa imagem real,
Quero tocar nos meus sonhos, sem medo,
Como às vezes toco nas asas dos anjos...
Abraçar-me a ti e viajar além do tempo.

Porque há um anjo aqui...
Que busca em ti a outra asa que perdeu
Em ti, há um anjo, que no passado comigo voou...
E nós, juntos, somos um anjo voando rumo ao infinito...

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Prata nas Mãos do Poeta


A lua rainha no céu desponta...
Lampejado seus raios prateados, 
Despertando palavras e sonhos detalhados,
Reluzindo claramente em sua ponta.

A pena de prata sobre o papel desliza
Coordenada pelas hábeis mãos do poeta,
Conduzindo rabiscos que se tornam palavras,
Conduzindo sonhos que se tornam emoções...

Rapidamente transforma sonhos,
Refaz ilusões, desfaz lembranças...
O poeta sonha contigo e nem mesmo percebe
Que lhe tem todo o tempo nas mãos.

Nas mãos do poeta reluz a prata...
Lampeja os raios prateados da lua,
Conduzindo desenhos, tornando-os
Rascunhos de tantas palavras.

A prata lampeja nas mãos do poeta
O poeta escreve palavras... Palavras...
Despertando sentimentos, saudades, apelos,  sensações...
Em mim, nasce a esperança de, um dia, como tantos, ser poeta!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sonhos possíveis

Pode parecer tolice,
mas existem pessoas
que nos fazem sentir
vontade de sonhar novamente,
mesmo que nós já nem acreditássemos mais
que fóssemos capazes de (re) viver tal possibilidade.
Pessoas que invadem nossa vida
com a sutilieza da brisa,
que se fazem presença,
que se fazem reais (para) dentro de nós.
A vida muitas vezes nos faz desacreditar 

em sonhos possíveis,
em ilusões fugazes
e permitimos que a rotina atribulada nos consuma
e nos conduza ao vazio de nós mesmos.
No entanto, existem instantes supremos, 

únicos 
que nos ensinam a (re)aprender a viver e a ser humanos.
Instantes como os nossos
que me fizeram perceber o viço da vida,
a possibilidade de ser feliz.
Pessoas especiais, como você
que únicas, indicam-nos caminhos
permitem-nos sonhos
conduz-nos a nós mesmos.
Obrigada, pela dádiva de ter encontrado você.
Por descobrir nos seus braços 

a certeza de um novo tempo,
de uma nova história...
Não importa o tempo, a distância...
Cada instante é único, eterno e nosso!
As palavras registram uma história,
A memória reconstrói a imagem que delinea
O agora, a cor, o brilho e a luz
que resplendem rumo a eternidade.
Somos e vivemos a efemiridade,
mas nossos momentos sempre serão eternos!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Palavras Eternas

Palavras fazem parte de mim...
Sinto falta delas.
Raiva, às vezes
Por que elas são assim?

Elas são um pouco de sonho,
Um pouco de dor,
Um tanto componho...
Num instante de amor.

Ausência, falta de tempo,
Sem tua voz, tudo se confunde.
No suspiro das asas do vento,
O silêncio que a mim alude.

No olhar que divaga, lágrimas.
De longe... Uma canção.
E não encontro palavras
Nesses reflexos de solidão.

Num sonho, distante...
Emoções vão sendo esquecidas...
Do amor ausente,
Apenas palavras perdidas.

Sonhos efêmeros
No silêncio persiste...
Instantes eternos
Na minh’alma incide.

Sentimento maior...
Em busca de esperança.
Toca pétalas de flor,
Com a inocência de criança.

Palavras escuto,
Palavras proclamo,
Canções... Pergunto:
Por que te amo?

Paixão existe
No brilho da lua.
Lembrança insiste
Na voz do vento, ali na rua.

Solidão, ausência...
No tempo que não se tem
Saudade, paciência
Amor também.

Para suprir a saudade
Só resta-me palavras
Porque na luz da verdade
Só palavras eternas!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sonhos mortos


Ali onde nasce o amor, morrem as ilusões...
Defloram esperanças puras de um sentimento real.
Pulsa no peito a vontade de te ver...
Impossibilidade de sonhos perfeitos...
Desfazendo-se como perfume
Que se exala das pétalas de mais uma flor nua.
Na rua deserta e fria, não se veem nem flores, nem perfumes.
Há apenas desilusões e saudades...
Fragmentos da realidade,
Pedaços de meias verdades.
Sonhar é voar longe e tentar tocar as estrelas...
Longe chega a lua,
Como que rindo no escuro,
Riscando de luz o céu.
Perdidos estão meus sonhos...
Aqui dentro, está morrendo mais um sonho.
Lágrimas ocultas sangram...
O mundo lá fora gira...
Desenhando contornos sutis de vidas monótonas e acomodadas.
Aqui, dentro de mim, melancolia explode... 

Saudade me cala .
E eu, em conflito, busco despertar sonhos mortos
Nas decepções que eu preferia não ter...
Necessárias, acordam a verdade
Da realidade de sonhos imperfeitos...
Transbordando nas estrelas, nas flores e na vida...
Beleza, perfumes e sonhos perfeitos!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quimera

Sonho... Quimera?
Real se tornou...
Silêncio houvera
Até que sua voz ressoou.

Aos meus ouvidos
Melodiosa canção...
Olhares mudos,
Silêncio em vão.

Evitávamos olhar
Dentro dos olhos.
Talvez receios,
Medos a queimar...

Medos que persistem...
No vazio das palavras.
Ousadias se incidem...
Na ausência das falas.

Confusa estou,
Na turbulência louca.
Seguindo vou...
A inconstância solta.

Como um barco...
A deriva na tempestade,
Sem saber se parto,
Ou fico na instabilidade.

Conflito interno,
Insanidade...
Não precisa ser eterno,
Apenas ter intensidade.

No olhar... Luz!
Nos lábios... Desejos!
A um sonho conduz...
A ânsia louca dos beijos!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Perguntas sem respostas

Por que você tu te foste?
Por que deixaste minha alma vazia de ti?
Por que ainda penso em ti, 

quando tudo que preciso é não pensar em ti?
Preciso ouvir a voz da razão,
mas a do coração,
sempre sem juízo, desatinada,
ainda bate quando ouve teu nome,

quando repito coisas que ouvi de ti...
Ah, esse meu coração
que parece não se cansar de sofrer,
 não consegue te esquecer...
Queria ouvir tua voz
a sussurrar-me aos ouvidos
e só me resta o silêncio,
o abandono,

enfim a tua ausência sem fim....
Por que vejo a lua e lembro-me de ti?
Por que a negritude das noites de lua
Lembram a tua insistência em  partir sem se despedir?
O vazio que há em mim suplementa a saudade,
desespero em busca de respostas
para as perguntas que eu não pude fazer...
Ainda ouço a tua voz a ecoar na mente,
o calor dos beijos e dos corpos
que se entrecruzavam na mística arena do amor.
Tu me fazes imensa falta
e dói-me muito saber
que foi exatamente esta a tua escolha: distância e saudade...
Ainda não sei se castigas a mim ou a ti mesmo...
O que fiz para que tu me esqueceste na arca do tempo?
Não adianta procurar,
 meus porquês estão vazios de respostas,
fui abandonada por ti
num barco sem destino,
em meio ao nevoeiro das ilusões...
Vou ficar aqui,
ouvindo o marulho a compor canções,
suspirando saudade
e buscando um rumo para o meu barco perdido!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Alhures

Nos alhures do passado,
perderam-se sonhos e desenganos.
O futuro é apenas um fiasco de esperança,
de sonhos adormecidos e de fragmentos desvanecidos.

Nesse instante,
sou apenas saudade
que busca bálsamo nas suas lembranças
e nos meus sonhos a felicidade.

Sou gota de luz
buscando o brilho dos seus olhos,
sou verdade de um coração
que só chama por você.

Nos alhures de minhas lembranças
pode-se encontrar medos e desejos,
mas sempre há junto delas
um pouquinho de você.

Como é possível, alguém nos invadir assim, em tão pouco tempo?
Será possível viver de resquícios de você,
de fagulhas de amor e pedaços de sonhos?
Até quando será suportável essa dor e essa saudade?

Sou pequeno grão de areia em busca de respostas,
que nem mesmo o deserto conseguiria dar,
sou ser humano tentando decifrar enigmas do destino milenar.
Antes de tudo, sou sua outra metade: em corpo, alma e coração...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Manhã Criança

Num berço verde, embalando luz e esperança...
Nasce, mais uma vez, a manhã criança...
No orvalho das flores, lágrimas deslizam...
No canto dos pássaros, sonhos bradam...

Em revoada debandam a liberdade,
Tantas vozes silenciadas na verdade...
No canto dos rouxinóis e da cotovia...
O encanto do despertar de mais um dia...

Como criança, a brisa mansa...
Brinca no tilintar da água que balança.
Na nascente do rio caudaloso deslizando,
Cascata nas pedras vai se formando.

Canção sintonizada, cores que lampejam...
N’água raios d’ouro espelham...
Cristais multicores, aquarelas compõem...
Com peixes raros por entre feixes de luz se impõem.

Cobrindo com a cortina de estrelas que cintilam cores...
Que se misturam a tantas de tão raras e belas flores...
Beleza e perfume emanam; isso embriaga e enfeitiça...
Ao homem atiça a cobiça; açoita a perfeição e a justiça.

É preciso perder um só instante do tempo que não se tem,
Observar esse espetáculo presente, ir mais além...
Tantas são as belezas e cores, riquezas encrustadas...
Perfumes e sabores nas paisagens, agora, tão devastadas...

Perde-se assim a própria essência... Homem desumano...
Fica a ausência, fazendo da vida... Desengano...
Em tudo, a perfeição; ao seu redor, encanto...
Dos anjos escuta-se o pranto...

Grito de socorro que na voz de um menino...
Lembra ao homem a perfeição desse presente divino...
Choram o pranto dos inocentes...
Dos corações... Das almas... Das crianças ausentes!

Despejando a prata, a beleza da mata vai a noite encobrindo...
Nuanças púrpuras se descortinam; o crepúsculo, partindo...
O dourado vai cedendo lugar ao prateado do luar...
O vento sopra o tempo que não pode mais voltar!



                                                                       João de Joshaff

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O que sobrou de mim

Pensar em você tem ferido
Minh’alma com a agudeza do espinho da rosa...
Ainda posso sentir o perfume...
Ainda me inebria as lembranças...
Ainda me entorpece a saudade...


Sou o olhar que se encanta com a lua,
Que se veste com a luz  despejada sobre mim,
Que brinca na saudade que fere,
Que chora mansinho para acompanhar a chuva
Taciturna que  molha meus sonhos...


Poeta de palavras comuns
De voz altaneira
De canto perfeito e profano...
Meus versos despejam sobre você
O que resta de mim...


Sou palavra inacabada,
Música desafinada,
Sonho desfeito,
Coração enfeitiçado,
Espelho quebrado...


Sem você
Sou saudade,
Esperança perdida...
Nos seus braços
Sou alma bendita!


Vem, sinta o meu abraço...
Cubra-me de beijos...
Permita-nos devaneios...
Olhe dentro dos meus olhos
E perceba que tudo que sobrou de mim... ainda é amor!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Faces da Saudade


As duas faces da saudade
são como facetas da verdade,
camuflam as metamorfoses da alma,
deteriorando a solidão dos medos.
Calam o silêncio que além fala.
Resiste o sonho, marca e modela, desfaz e refaz...
O domador de ilusões luta com as diafaneidades do ser.

As  faces da saudade
desenham à duas mãos... Imagens.
Diante do espelho,
refletem nunças,
respiram sensações,
inspiram a tantos desejos,
desmistificam receios.

Faces da saudade
sopram pétalas,
suspiram perfumes,
inspiram palavras
expiram segredos,
indagando às vozes a resposta certa
Para desvendar: enigma.

Faces...
que se juntam.
que se completam.
que (per)passam
que se (re)fazem.
que se (intesi)ficam
E paradoxalmente se amam.

Da saudade... A Face...
Imagem que no espelho quebrado,
desenha a imagem torta..
Apenas resto do passado,
cacos que constroem o presente...
E agora, sinto gosto doce da presença
que a sua ausência me traz.

Duas faces: saudade...
Faz-se novidade...
No amor: probabilidade.
Na ausência: metade.
Na inconstância: insanidade.
Na presença: unidade..
Pluralidade... Felicidade!

Esta saudade tem duas faces:
Uma sou eu...
Outra você.
Uma é dor; outra, amor...
Essa está nas lágrimas  debulhando o que sou...
Outra se cala beijando o papel
em busca da única face que resta da saudade!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cadê?

Cadê a menina que fui?
Sinto o frio das despedidas a invadir minha alma...
Sinto-me só, mas não vejo em nenhum dos olhares
que me cercam a certeza do amor de que necessito...

Queria correr para os braços seus
E me sinto tão desorientada,
Tão sem rumo...
Acho que perdi em algum lugar minha identidade...

Cadê você que me recusa seu abraço?
Cadê a estrela que me fez acreditar que eu poderia brilhar?
Onde estão meus sonhos...
E eu, onde estou?

Cadê você que não me escuta?
Que não ouve a voz do meu coração...
Que não percebe as lágrimas de minh´alma
Que não sente a minha tão intensa dor...

Espero por alguém que ainda desconheço
Procuro por quem fui...
Ainda não sei o que restou do passado
Cadê você, onde se esconde?

Estou aqui a espera da transmutação...
Entregue as nuanças multicores dessa nova aurora,
Entre um passado que se deteriora
E um futuro que ainda inexiste...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Onde está o meu amor?

Onde estão as imagens
que falam por todas as palavras?

Onde estão o porto e o barco
que abrigam meus sonhos?

Onde estão as rosas
que me feriram com espinhos?

Onde está o sol
que queimou a minha pele?

Onde está a lua
Que escondeu o meu amor?

Não sei... Se perderam...
          Perdi...

Aqui apenas fagulhas, cacos, desejos...
         Aqui apenas ausênsia...
             Apenas saudade....

domingo, 15 de janeiro de 2012

Aquarela



Meus dedos dedilham a imagem
Que se pinta como aquarela...
Toco a saudade,
Beijo sonhos,
Destituo-me de tabus e medos
Para galgar segredos...
Desfazer e refazer
Perfumes e cores
Que compõem o cenário
Da minha própria existência.
Sinto o vento tenebroso...
A solidão.
Ouço os gemidos
Do coração...
Afogo as esperanças
Para viver as lembranças...
Passado que em cacos
Plantou sementes,
Deixou saudades...
Presente que se faz...
Presente!
Futuro que  não existe...
Que insiste
Na aquarela
Da vida...
Em mim...
Para mim!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Marcas de Amor

O carmim ruboriza o fragmento de mim
Um misto de sedução em saudade
Em busca de um quê de sonho ou de felicidade.
Arde na chama crepitante a volúpia do veneno
Queima a paixão das ilusões desfeitas.

Com gosto de mel na boca,
Respiro o perfume de jasmim...
Que deixaste sobre minhas lembranças.
Um pedaço de papel rasgado revela a verdade
Das diafaneidades que busco esquecer.

Era parte de um sonho,
Notas de uma canção...
Que tantas vezes o coração cantou...
É a mancha de tinta que a lágrima pintou...
É o suspiro que sufoco no peito...

Silencia as palavras cruéis
Que me martirizam agora...
Sela num beijo longo...
A carência que explode em mim...
Vela pelas horas longas, o perpassar tristonho da despedida...

Foi apenas um relance de olhar,
Um frisson nas palavras que a minha poesia ousou cantar.
Foi um devaneio, que hoje se faz saudade...
Foi sorriso desfeito em lágrimas...
Foi pedaço de mim, que vi partir...

Longe já não vejo as velas do seu barco,
Não escuto mais o grito rouco de sua voz distante
Não há vestígios de você em lugar algum
Só em mim, que ainda espero sentada no arpoador
A volta de um barco simples, repleto de amor...

Ainda sinto o cheiro de jasmim...
Entorpece-me o veneno da despedida...
Não me deixou esperanças,
Mas plantou uma flor...
Não deixou uma palavra, mas marcas...

Profundas...
Indeléveis...
Inconstantes...
Marcas que inexistem aos olhos...
Mas que não podem jamais ser apagadas ou esquecidas!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Palavras...

       Com o olhar taciturno, cabisbaixo, eu ando mais uma vez pela areia molhada da praia. O mar bate aos meus pés, sinto um calafrio, uma vontade de chorar, de deixar nas lágrimas minha dor deslizar pela face.
       Meu olhar recobre os detalhes e as belezas que me cercam, mas não encontra uma forma, uma maneira para ser feliz e eu permaneço mergulhado nas lembranças tuas, nas saudades de ti.
       Em minhas mãos, tuas palavras reavivam o amor que ainda sinto no coração. E apenas um pedaço de papel amarelado, amassado, mas ele tem tua impressão, tua caligrafia, tua personalidade, teu perfume que parece exalar com particular perfeição.
       As palavras escritas por ti são tão simples, mas tão extensas e nelas encontro forças para continuar meu caminho como Deus quis...


                                                                          Meu Amor

       Um dia deixarei você . . .
       Buscarei a luz das estrelas e a canção do mar, mas para sempre levarei comigo o brilho do seu olhar e a perfeição de sua fisionomia única e verdadeira.
       Um dia partirei . . . mas certamente ficará de mim a lembrança e a saudade.
       Um dia encontrarei a felicidade... pode demorar uma eternidade... mas o encontrarei e quando eu o encontrar lá estará você, pois a minha felicidade está junto de você, em você  e na grandeza do nosso Amor.
         Jamais deixarei você ir, pois eu irei para outra parte do universo, mas você jamais poderá sair de dentro do meu coração, porque esse sentimento, que nesse momento nos une, sublima-se numa eternidade.
        Mesmo que, um dia, uma distância incalculável nos separe, tenha  sempre certeza de que haverá um dia que nos encontraremos e pela eternidade permaneceremos juntos, pois isto é e sempre será maior de que qualquer coisa, do que qualquer palavra.
       Meu amor, se um dia Deus não nos deixar ficar juntos, nunca se esqueça de mim e do tamanho do meu amor por você...
            

       Lágrimas escorriam pela minha face e molhavam o papel; no coração, uma saudade sem igual.

                                                                                                                            João de Joshaff

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A outra face


A face que espelha o que sou
Transfigura outra imagem...
O contorno de tua face,
O delinear de teu sorriso,
O reflexo triste do teu olhar
Invadem o centro do espelho
Que persiste e insiste a me olhar...

Não sou mais eu...
“Mas outro de mim sempre”...
E esse desfigurar desconjunta
O que eu acreditava ser...
Sou um grito sem nome,
Palavra sem por que...
Sou reflexo em busca de si mesmo...

A lua linda, cheia e plena...
No céu se faz única.
Em mim reflexo único...
Faz-se inteiro nas lembranças,
Na embriaguez dos corpos,
Que se embebedaram na paixão
Na lascívia, na volúpia...

Solidão que invade...
O corpo, a alma inteira...
Que invade com a despedida
A presença, a imagem,
O outro em nós...
Gosto amargo – fel...
Saudade do mel...

Sem ti...
A dor paira em mim...
Contigo plenitude invade-me...
Contraste que reflete amor...
Espinhos que me ferem...
Flor que perfuma minh’alma...
Saudade personificada em flor...

Buscando o outro...
Só há a lembrança...
Que esvazia o presente.
Nunca houve um nós...
A esperança como gota
Permanece translúcida...
Na lágrima a dor irrevogável...

Grita em nós descomunalmente
A transgressão do que é humano...
Desejo de estar perto...
Dentro, só resta o vazio...
Ausência do ser... Amor...
Cena inominal rompe a solidão...
A outra face não sorri, apenas me olha...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mestres da Poesia


Nem o tempo, nem a distância 

irão apagar a poesia de nossos momentos.
Afinal de contas, há reminiscências que se registram n’alma,
que se infiltram na música das ilusões,
que resistem a funesta 

e insalubre despedida de nossos sonhos.
Hoje, eu queria tocar-te com a poesia de grandes mestres...
Queria a inspiração de Camões,
a eloquência de Shakespeare,
as mil faces de Pessoa,
a profundidade de Drummond,
a irreverência de Gullar....
Queria intercalar as palavras de grandes poetas,
de todos eles, ao sentimento imenso que carrego
no emaranhado de minhas mãos pequenas,
na pequenez de uma alma 

que almeja demais perante a vida.
Queria dar asas a tudo que me corrói a alma,
que me conduz a transformação profunda do ser;
e  libertar dos grilhões do medo e da solidão
o coração de um poeta que anseia por uma esperança,
por um instante,
por fragmentos perdidos 

em meio aos escombros de si mesmo.
A poesia que se esvai nessas palavras,
no desvencilhar das areias da ampulheta,
buscam o amor que há muito...,
muito tempo me foi roubado
e que ultrapassa ao enterro das despedidas
para atingir num relance,
num reflexo a alma que se vê no espelho,
que toca o outro com o brilho de uma lágrima.
Ah! Como eu gostaria de,
com os acordes de Wagner, Mozart, Bettoven, Choppin
em muitos violinos, violões, flautas, pianos...
aclamar a plenitude do sentimento que me dilacera,
que me fere,
mas que me faz tocar as estrelas num relance de olhar...
Porque ainda há um olhar que toca o meu,
para me fazer acreditar que há mais,
há um amanhã.
E nesse amanhã, há um desejo muito forte de mudar...
De mudar o curso que me tornou só,
para novamente acreditar na poesia
como sublimidade e encanto,
não apenas como penúria e lamento.
Talvez nossos caminhos se percam
ou nos percamos na distância,
mas em algum lugar entre o intocável e o indivisível
há palavras que alçam vôos magistrais
e nos permitem construir margens aos desatinos,
alimentando a fome dos desejos e a sede dos medos.
E essas palavras desenham no teu corpo
a forma do meu desejo,
pintam nos nossos beijos
a plenitude dos sabores,
desvendam no olhar o que realmente somos.
Pois eu sou apenas a solidão de palavras vãs,
que procura horizontes,
que almeja a esperança de que algum dia
realmente possa estar nos braços teus
e podermos enfim nos exaurirmos em nós mesmos.
Hoje, há sonetos,
há um Vinícius proclamando em versos e rimas
a intensidade dos sentimentos
e dos nossos momentos,
num “Eu sei que vou te amar”
repetindo palavras pertinentes em minha memória,
que reluzem momentos que desejamos,
mas que não pudemos viver.
Não sou Camões, nem Shekespeare,
muito menos Pessoa ou Drummond,
sou um poeta de palavras simples,
que vê cores pintadas por Van Gogh
no espelho de teus olhos.
Não posso tê-lo ao meu lado,
Nem sempre podemos nos ver...
mas tu és minha outra face do amor,
mesmo em meio a tantas tempestades,
turbulências e desventuras.
Estas palavras sopram notas,
acordes e cores para dizer
que em mim ecoam palavras
que precisam chegar até teu coração.
No entanto nas escadas que nos levam a nós mesmos,
quase sempre elas se perdem,
pois meus lábios não conseguem proferi-las.
O poeta que sou
tentou se esquivar nas palavras,
pediu auxílio,
desenhou,
rascunhou,
argumentou,
mas nem os grandes mestres conseguiram ajudá-lo,
porque há palavras que não podem ser substituídas,
muito menos apagadas
e todas elas se restringem na poesia de uma única frase:
“Eu te amo!”

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dádiva

Não vejo a luz dos teus olhos...
Sei que não escutas o suspiro que arfa do meu peito.

Não posso deter o tempo
E viver das lembranças que nos permitimos ter...

Mas não me arrependo de te amar
Mesmo que esse amor nos seja tão complexo...

Que esse amor nos permita
estar continuamente nos braços um do outro...

Talvez seja essa a pena...
Talvez seja essa a dádiva...

Não estar contigo...
Estares em mim de uma forma única.

O amor é mesmo assim...
Conflituoso...

Contrastante...
Imortal...

Que a chama que nos alimenta possa
alimentar a saudade até o próximo encontro...

E que o próximo encontro
seja mais uma vez...

Dádiva que devora o amor...
Pena que nos condena a dor.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Muitas vezes nos sentimos sós...
Vazios de nós mesmos...

Mas isso faz parte da busca
de nossa sagrada essência de ser...
Queria a presença de uma mão,
O afogo de um abraço verdadeiro...
Queria o calor de um corpo
para me aquecer nas noites frias,
Mas acima de tudo...
queria um sentimento intenso...
que me permitisse encontrar a mim mesma
e o valor das pequenas coisas...
Queria muito amar novamente
com a intensidade sublime
que poucos conseguem amar...
Queria encontrar razões para amar...
Quem sabe alguém que me faça entender
que há milhões de razões para isso...
Quem sabe um olhar que desperte 

o mar imenso de saudade...
que aprisiona o verdadeiro sentido do amor.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Refúgio

Aprisionada nos braços da saudade
Escondo-me nos reflexos dessa lua.
Não há como fugir do amor,
Cubro-me nos vestígios de ti,
Dispo-me de pré-conceitos.
Inteira, entrego o meu desejo,
Ao amor propago e afago.
Não quero, não posso negar
És tu o meu amor inteiro,
O gosto ardente de pecado,
O desejo que invade a alma
Quando nos tocamos
E permitimos calar medos...
No calor de corpos lascivos,
Que se entregam à paixão,
Que desvendam a si mesmos...
Para mais que nunca
Sentir o amor que procura...
No corpo seu abrigo,
Na alma seu refúgio...
Inútil querer calar
A voz que me exige falar...
Já não posso,
Não quero mais
Privar-me de ti...
Isolar-me das tuas imagens...
Das possibilidades de estarmos
Um pouquinho mais perto...
Quero-te hoje, como sempre..
Amo-te agora e para sempre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sem amor nada seríamos...

Vejo sua imagem em meio à névoa...
É dia?
Noite?
Não sei...
É passado?
Presente?
Como saber?...
É sonho?
Realidade?
O que importa?...
Sinto você tão perto...
Vejo-o tão longe...
Como pode ser paradoxal o amor...
Incontestável...
Irreal...
Piegas...
Assim é o amor!
Faz-nos tolos diante do outro...
Fracos diante de nós...
Sem palavras que o expliquem,
Emudecemos...
Porque diante do sentimento...
Não é preciso palavras...
O amor verdadeiro
Floresce no silêncio...
Cresce na ausência...
Torna-se colossal na distância...
Quando estamos perto demais,
Enxergamos nossos temores,
Revelamos nossos defeitos,
Porque tudo o que tememos...
É perder aquele que amamos
E por isso deixamos morrer nossos enigmas,
Entregamos ao outro todos os segredos,
E uma vez assim...
Refletimos no espelho imortal...
O ser que somos
Destituídos de máscaras...
Vestidos de si mesmo...
Não percebemos que dessa forma esquecemos
Que o amor necessita do encanto...
Necessita do fetiche
Da sedução e da conquista constantes...
Não percebemos que sem esse brilho
Nossos sonhos ficam cegos para o amor...
Apontamos as falhas,
Criticamos e somos criticados,
Perdemo-nos diante do que sentíamos,
Deixamos que o caos se instale na alma,
Invadindo-nos e devastando-nos,
Sufocamos o outro em nome do amor...
Esquecemos que sem saudade...
O amor murcha e morre...
Pois é este sentimento intraduzível
Que mantém a chama do amor acesa...
Que precisa da presença,
Mas que se amplia na ausência...
Que nos presenteia com a áurea de mistério,
Que nos faz valorizar o outro ao nosso lado...
Sem a necessidade de explicações inexoráveis
Que nos permite inefavelmente tocar no outro
Com os olhos da alma...
Ouvir o sussurro de sua voz aos nossos ouvidos...
Deixarmo-nos levar pela pieguice do amor...
Porque aquele que ama não tem medo
Torna-se verdadeiramente ridículo
Simplesmente por aprender a ver
O mundo com outros olhos
Há receios sim, mas acima de tudo
Há amor, um amor que sobrevive ao tempo
Que vive de lembranças
Que cola os cacos
E que ressurge como fênix
Todas as vezes que pode deixar exaurir
Suas foças na chama crepitante da paixão
E assim depois de toda a tempestade
Da dor, das lágrimas, da solidão
Haverá um instante que a saudade
Inebriar-se-á e diante disso podemos
Vermo-nos nus,
Sem a vergonha ou o preconceito,
Pois conseguimos despir-nos de tudo...
Para sermos nós mesmos...
Simplesmente por amor...
Porque sem amor nada seríamos!

Marcas


As marcas mais profundas são as que não podem ser vistas.
As cores que persistem veem a falta de cor do presente.
As palavras do silêncio rompem o “eu”
que busca a luz das estrelas 
e a música que permite dançar a alma.
As marcas que tenho impregnaram 
a minha alma com a tua voz,
o meu corpo com o teu toque,
a minha mente com a tua imagem.
As mais fortes são as que persistem em nós,
que ninguém vê,
que ninguém pode ter,
mas que nos invade,
rompendo o silêncio de nossa solidão de alma,
para emergir em chamas,
queimando no olhar e no pensar.
Arde em mim, um pouco de ti,
que invadiu o sacrário que há muito tempo estava inviolável
e isso trouxe a certeza de que poucos são aqueles
que são capazes de nos tocar em alma,
porque há pessoas para mostrar caminhos
e existem pessoas que nos apontam o caminho.
Talvez para mim, seja diferente do que é para ti,
mas tua imagem,
tua voz,
teu cheiro,
teu gosto...
Tu estás em mim de uma forma que eu não sei onde estou.
Busco-me e encontro alguma lembrança tua.
E essa mistura me permite ver a vida diferente,
acho-a mais forte,
sinto-a latente em mim,
mas há mais...
Há mais em mim de ti do que eu supunha...
E isso dói..
Fere-me a alma
e ao mesmo tempo me faz feliz,
porque eu fui capaz de me permitir te ter,
mesmo que eu não pudesse deter o tempo
e amanhecer nos teus braços.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Caminho de Luz


Pedaços de estrelas colorem a estrada que vejo...
Flores multicores pintam uma aquarela à minha frente...
Perfumes raros inebriam-me...
Acordes de  violino acariciam meus ouvidos...
Sinto uma alegria, uma vibração mágica...
Não sei onde estou,
Mas sei que devo seguir em frente...
É uma estrada estreita, de pedras...
Um caminho longo, sinuoso...
Estou só...
Ou melhor, aparentemente só...
Porque se olhar atentamente,
Consigo visualizar os anjos 
que à beira do caminho oram por mim...
Não sei se mereço tudo isso
É um desafio...
Ou um presente...
Essa dúvida permanecerá...
Minhas escolhas é que farão a diferença...
Sei que muitas vezes as lágrimas me impedem
De sentir o cheiro bom que há nesse percurso,
De ouvir a melodia suave que os violinos me trazem,
De ver a beleza colorida das flores...
Quando isso acontece,
Só vejo as pedras...
As bolhas nos meus pés descalços,
Os buracos e a névoa da tristeza...
No entanto há instantes como agora...
Que consigo ver, ouvir, sentir...
Toda a magia das palavras que tocam meu coração...
E por isso mesmo fazem de mim
Um ser melhor,
Fazem de minha perspectiva
Uma direção segura...
Mais bonita, colorida e perfumada...
Preciso dessa mistura...
É bálsamo para as dores da alma...
É pedaço de mim...
Que me faz grande
E ao mesmo tempo me faz sentir como o grão de areia
Pequeno e frágil...
Porém que pode auxiliar a tempestade de areia
Ou apenas soprar o vento na direção do oceano...
Agradeço a luz do entardecer 
que suavemente clareia meu caminho...
Tenho medo da escuridão,
Contudo quando há fé, esperança e amor...
Ela não se faz plena...
Vem acompanhada pelo brilho das estrelas...
Guiando-me com a luz prateada da lua cheia...
Vejo uma nascente de água cristalina à frente...
Molho minhas mãos na água fria...
Sacio minha sede...
E ao levantar os olhos um clarão de luz
Cega-me os olhos...
O que será?
Caio num sono profundo...
É dia? É noite? Não sei...
Sinto-me leve como se estivesse flutuando...
Estou num barco?
Tenho asas?
Não sei...
Sinto o abraço dos anjos...
Sinto-me feliz!
É uma alegria única, diferente...
Sou eu?
Parece que feixes de luz colorida se desprendem de mim...
E chegam até mim...
É uma energia forte e boa...
Revigora-me, transforma-me...
Agradeço o presente de agora...
Sei que sou apenas um ponto pequeno
Perdido no infinito,
Mas sou feliz pelas minhas escolhas
Por tudo isso que Deus me permitiu
 ter, viver e principalmente SER!

Feliz 2012 a todos! Que este seja um ano de muita luz, paz e amor! Que a fraternidade possa renascer no coração dos homens, assim como o amor possa resplandecer em nossas almas espalhando a paz! Que seja um ano abençoado para todos! Assim seja!!!