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domingo, 30 de outubro de 2011

Anjos



Anjos da meia-noite...
Escondem nos escombros das lembranças...
Vestem-se de muitas cores
Para desvendar tantas marcas.
Frente a frente como num espelho,
Olham-se, admiram-se...
Achando-se semelhantes.
Nem percebem que suas diferenças
Acentuam-se diante do outro...
Diante das revelações
Que os impedem de serem o que são.
Muito da magia se vai
Desprende-se num longo olhar...
Pouco nos resta para fugir...
Para chegar, para resistir...
E nos transformar em nós mesmos.
Somos anjos que voam nos pensamentos
Pairando no esquecimento
E encontrando n’alma
O que resta de nós mesmos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fênix



Quanto vazio há nestas minhas horas

A disparar a  insipidez de agora,
A colorir aquarelas sonoras,
Lágrimas insistentes na demora.

Natureza morta em memórias tortas,
Reflexo em cacos, fumaça d’outrora.
Tantas saudades há em mim, remotas,
Procurando ali, uma nova aurora.

Lagarta que busca respostas foscas,
Brevemente borboleta inova...
Metamorfose de palavras toscas.

Pássaro que dentro de mim estorva,
Erga e se eleve das cinzas mortas...
Para alçar vôo à vida (re)nova.

Cacos de nós



Cacos de nós

Espelham-se pela memória...

Reconstroem a imagem,

Mas não me permite reviver momentos...

Espelho que olha...

Imagem que não me vê...

Só... há outro...

No reflexo turvo...

Que se molda à minha frente...

Solidão, amor insistente...

Quero, sofro, grito...

Não há palavras...

Tudo se transforma...

Tudo se torna...

Tudo é apenas...

    Saudade!!!


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Notas do coração


As notas dedilham a canção mais bela...
Meu coração por ti espera...
Junto à luz da lua...
Mas só a saudade tua
Vem visitar a alma sincera
Que precisa desesperadamente da vela.

Vela altaneira que faz meu barco deslizar
Por mares calmos e bravios,
Que me faz vencer desafios,
Que me permite apenas suspiros,
E quem sabe murmúrios,
Fetiches que me conduzem,  fazem-me Navegar...

Onde está o olhar que como luz de farol
Guia-me na escuridão?
Onde está aquela mão
Que tantas vezes ampara a solidão?
Que mostra a um pobre coração
O valor das dádivas que ficaram no arrebol?

Toca a palma da mão
A flor de cor mais suave...
De viço mais supremo...
De perfume assim ameno...
A flor de espinho
Que me enfeitiçou com teu viço!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Céu sem Lua


Céu sem lua
Ausência...
Estrelas solitárias
Abandono...

Solidão física.
Alma inteira.
Beijos... histórias...
Lembranças...

Lua distante...
Cheia...
Você ausente...
Saudade...

Eu sem você?
...
Céu sem lua
***

domingo, 23 de outubro de 2011

Anjo Torto


Anjo torto 
De uma asa só, 
Sutilmente encanta 
Na confluência canta. 

Amor profundo, 
Nas pedras, eterno. 
Nas bocas, profano. 
Perdido no mundo. 

Um raio de luz 
Na fresta da janela. 
Um sonho conduz 
À chama da vela.

Vela que ensandece 
O barco da vida. 
Luz refletida... 
Voz que se alteia. 

Corpos que profanam. 
Bocas que se calam. 
Suspiros que arfam. 
Sonhos se despedaçam. 

No silêncio, 
Um longo olhar... 
O vento sopra na praia... 
Às ondas do mar. 

Levando desilusões,  
Leva tudo e não consegue...  
Deter a saudade  
Do amor e das emoções.   

Grita, chora e clama...  
O anjo torto sem cessar...  
Buscando outra asa...  
Que o permita voar!

Piegas

    
Uma sensação suave invade minh´alma.
As palavras fluem como avalanche
Deslanchando emoções

Que nem mesmo eu sei quais são.

Ouço o vento soprar... Distante, frio, gélido...
Toca-me acariciando sonhos...
A noite penetra no mundo insondável
Que eu gostaria de esquecer.

Clama nos confins do eu, o poeta adormecido...
Ouço sua voz bradando
Suspirando palavras perdidas.
Na cruel realidade das ilusões desfeitas.

Junto os cacos dos medos,
Destruidores das ilusões,
Retificadores dos desejos.
Fragmentação de um ser em mim...

Multifacetado... Componho o poema Presente,
Acreditando que nada é para sempre,
Mas ainda assim vale a pena.
Afinal “a alma não é pequena”.

Na imensidão da mesma,
(Re) Construo o eu das ilusões perdidas
(Des) Cubro a face secreta que ficou ali
Em algum lugar de mim mesma.

Espero o beijo que não veio...
Aguardo o abraço que esvaziou meus braços...
Meu espelho multicor
Está quebrado em mil pedaços...

É possível mudar os passos?
Escrever outra página?
Desenhar imagens ou pintar de cores tantas
A aquarela desbotada dos meus sonhos?

Não sei o que sobrou de meus escombros,
Sei que já não sou o mesmo
O poeta adormeceu... Alhures amadureceu...
Endureceu diante das pedras... Está mais forte!

Foi ferido, magoado, pisoteado...
Seu coração... Despedaçado.
No entanto, dedilha palavras, acalma...
Encanta sentidos, alivia dores d’ alma.

Delicadamente, preenche-me de esperanças...
Há uma doce magia envolvendo-me...
Enlaça-me os reflexos da lua...
Posso, por um instante, tocar as estrelas...

Vejo nelas o reflexo do que posso ser
(Des)Faz lágrimas, vertendo o perfume das flores
Nas nuanças multicores
Que compõem o céu do amanhecer.

A noite se vai lentamente...
O céu se veste azul e o sol, dourado.
O poeta se faz presente...
Tingindo o horizonte da minha aurora.

Sorri, canta, declama...
Sofre, mas não desiste de mim
Consegue ouvir a voz apagada,
Entrecortada do meu coração.

Dela, resta-me o sonho que ficou na lembrança,
Que daqui a pouco esvairá como fumaça...
Restam-me resquícios de momentos...
Do que vivi, fagulhas, meros fragmentos...

Sinto o toque suavizador das palavras
Que veem sua alma estampada nos versos...
Ouço o som de uma voz que conheço
E que me (re) conhece.

Ecoa na memória...
O tilintar do passado
Em meio ao fervilhar do presente.
Não há como dizer o que se sente.

Desejo alcançar a lua,
Tocar as estrelas,
Mas o sol venda-me os olhos
Ri da minha ingenuidade...

Sabe que fui tola
Porém os que amam são tolos,
Profundamente melancólicos,
Apenas porque se permitem amar.

Amar nos faz assim...
Loucos, tolos... Piegas,
Desfaz todos os medos
E encoraja-nos a ser nós mesmos.

Destituídos de nossas máscaras,
Precisamos ver face e alma...
Tristes ou belas...
Inteiras ou multifacetadas.

Temos ou somos?
Amar é a busca infindável do ser,
Nem sempre temos,
Contudo sempre somos.

Muitas vezes não temos o olhar que desejamos...
O toque que nos incendeia...
A voz que preenche o vazio...
Por sempre somos o mais tolo dos mortais...

Porque nos deixamos tocar
Pelo olhar perfeito... Pelo toque insano...
Pela voz maravilhosa que tantas vezes fez de nós
O mais perfeito dos seres.

As palavras ecoam na memória
Declamam poemas... Delineiam desejos...
E em nossos corações escrevem
Com pedaços de sonhos os versos mais lindos.

Fazendo-nos parecer
Ainda mais tolos
Loucos ensandecidos
Pela febre delirante do amor...

A lua cheia, novamente, inebria meus sonhos...
Ah! O poeta das ilusões delira... Sussurra ...
Louco... Tolo... Piegas...
Ah! Sou tudo isso... Simplesmente porque amo!

sábado, 22 de outubro de 2011

Palavras na areia


Hoje, preciso deixar meu coração falar por mim. Sinto uma vontade de voar por todos os belos recantos do planeta: aqueles que brilham com o desdenhar dos raios do sol e os que se acumulam na clareza desse luar prateado que recobre campinas e desperta com o nascer da primavera.
Voar como a águia dourada cruzando céus e mares, podendo pousar em montanhas elevadas ou em árvores nuas pelo vento, podendo tocar nessas brancas nuvens de algodão e ao mesmo tempo colher migalhas sobre essas planícies verdejantes.
Preciso buscar em algum recanto o motivo do pranto que sinto explodir em mim. Tenho medo das palavras que nesse momento escrevo, podem ser belas e simples ou apenas  um apelo de desilusão e mágoa.
Quero voar e buscar nessa inspiração a felicidade, mas tenho medo de, repentinamente, sentir a saudade que quero esquecer  e a magia que quero reviver.
Sinto-me leve, mas tenho saudades de ti, meu amor, que fizeste dos meus dias a mais tênue felicidade e a mais esplêndida plenitude.
Amei-te com toda a minha força e com toda a minha alma, contudo não consigo tirar desse coração ingrato esse amor que ainda me azucrina e me enlouquece...
Eu... sou aquele louco, que te escrevia poemas e te dava mil palavras cobertas pelo amor imenso que guardei nesse pobre coração...
Hoje, sinto tua falta, sinto saudades das noites de luar transparente em que podíamos sentir o cheiro da relva molhada e o perfume silvestre que soprava na serra, onde muitas e muitas vezes deixamos a magia fluir em nós.
Quero que essa magia continue fluindo em mim, mas a solidão me apavora e eu tenho medo de nunca mais te ver, procuro dentro de mim alguma coisa, na qual eu possa me apegar, mas só resta neste pobre coração, uma enorme saudade de ti!
Caminhando descalço pela praia recordei-me de ti, de tua beleza, de tua juventude e do meu amor por ti. Talvez fosse justamente por isso que parei olhando um graveto molhado que uma onda longa lançou para mim. Senti brotar palavras do fundo do coração e uma a uma fui rabiscando na areia:
“Tu que surgiste como a primeira manhã de primavera; suave, faceira, recoberta de frescor e perfumes raros...
Tu que despertaste no meu coração o mais insigne de todos os sentimentos humanos, perfumando minha existência com as essências mais raras do amor.
Tu que tinhas o poder de com o olhar tocar minh’alma, de com um sorriso aflorar sensações e emoções quase desconhecidas.
Tu querida, que mostraste com a tua delicadeza e doçura o valor das pequenas coisas da vida, as quais na essência são sempre as mais gigantescas.
Tu que fostes tudo para mim e o hoje é apenas um ponto luminoso perdido no infinito.
Tu que resplandeceste meus dias com a tua meiguice fazendo-me assim o homem mais feliz do mundo.
Tu minha amada, és a razão de minha vida, mesmo quando não estou ao teu lado, pois tenho certeza que haverá um dia que minh’alma se encontrará com a tua.
Tu és para mim, a própria existência, pois sem ti, existir não teria importância alguma.
Tu para mim foste tudo... A mulher, a amiga, a amante, a mãe, a professora, foste mulher... A mulher da minha vida.
Hoje, apesar de tua ausência, da saudade que aprisiona meu pobre coração tu és...
O raio dourado das manhãs de primavera...
O prateado das noites intermináveis de lua cheia...
O perfume suave que recobre as campinas quando é primavera....
A inconstância da brisa que sopra na praia...
O canto que o vento assobia em meus ouvidos em pleno outono. Mas quando mais me perturba tua lembrança, é quando sinto o frio do inverno a invadir-me, pois neste instante lembro-me de nós dois, do calor humano que emanava de ti...
Tu és para mim a lágrima que nesse momento eu não consegui mais conter...
Tu és a saudade, o passado, o presente...
Tu és tudo que quero lembrar, tudo que me faz sofrer, tudo que eu gostaria de esquecer e não consigo. Pelo simples fato de  não estares comigo, mas dentro de mim.
Eu sou tu, ou apenas uma minúscula lembrança em tua breve existência.
Eu o sou louco que te escreve na areia, para ver se o mar te leva de dentro de mim. Impossível, eu sei, mas mesmo assim a saudade faz de mim o mais insano dos homens e eu tento destemperadamente encontrar um motivo, um único se quer, para permanecer vivo. Pois a parte de mim, a mais bela foi-se contigo.
Tu és a lembrança que persiste em minha memória.
Tu representaste tudo em minha vida, porém, hoje, tu és a saudade que me aprisiona.
Aqui, estão minhas palavras, mas elas são apenas palavras, a dor e a saudade ainda permanecem comigo...
Para ti, palavras ao vento... 
Em mim, resta a saudade...
Na areia as palavras que as ondas do mar apagarão em breves instantes para resumi-las deixo apenas... 
Eu te amo !”

                                             João de Joshaff

Apenas um louco


 
Como os grandes mestres da poesia, busco inspiração nas estrelas, mas elas persistem em se calar diante do meu olhar triste e solitário.
Dedilho no papel vazio: palavras. Fruto da inspiração divina, apocalíptica e melancólica.
Queria que corressem de dentro de mim velozes e se atirassem aos seus pés, nos caminhos marcados, pré-determinados pelo destino incerto e traiçoeiro.
Deus me permitiu tocar nas estrelas, mas elas muitas vezes preferem silenciar, preferem mergulhar-me no mundo insondável de emoções fugazes...
Queria que minhas palavras me conduzissem aos desvarios de minh’alma e se atirassem no despenhadeiro das ilusões, pois elas me fazem louco, insano de mim, que cavalga nas asas supremas das emoções humanas e chora a dor, a impossibilidade que elas insistem em me causar.
Fui louco aceitando o destino. Sou louco que viveu o destino. Serei louco a desejar o destino...
Porque obstáculos cruzarão o meu caminho, mas o poeta que sou é apenas um louco, audacioso e atrevido para aceitar, desejar e também vivenciar o que a mim foi predestinado.
Sou um tolo amante das palavras, que persiste em ser, que anseia pelos momentos supremos que ainda posso vivenciar...
Mortal, apenas um mero mortal, choro as despedidas, os caminhos tortos e as ilusões perdidas que fazem de mim, poeta de um mundo desconexo, de momentos roubados, de furtivas lembranças arrancadas...
No livro sagrado da vida, rascunharam palavras para mim, palavras que hoje espelham o que sou. Em algum lugar, elas se intercalam a tantas outras como parte de uma história. Dessa mistura sagrada e suprema nasce uma nova história, que começou, mas que ainda não teve fim...
Persisto em desvendar enigmas, mas as estrelas insistem em não me revelarem o destino que abre seu precioso livro para escrever mais um capítulo de uma longa história...
Registros, imagens, marcas, sensações, emoções, palavras... Tudo faz parte... Fazemos parte da história vivida, do mistério insondável da vida!
Palavras desmistificam momentos e me possibilitam eternizá-los, alguns são raros, preciosos, verdadeiras dádivas... Outros prosseguirão comigo até o fim dos meus dias...
Há uma saudade que perpassa a solidão para me arrancar da mesmice pálida dos meus dias, que me toca com o ardor dos encontros, que floresce no brilho fugaz de um profundo olhar e morre na incerteza da despedida que me sorri...
Imagens contemplam palavras e juntas se fundem naquilo que ficou, no que ainda resta a um coração despedaçado, tonto diante do ruflar das asas d’anjo que me permitiu conhecer, descobrir e desbravar o sacrário de almas únicas...
Imagens se completam e interagem diante do fulgor dos desejos e dos sonhos... Imagens me fazem sentir... (Re) viver... Renascer...
Imagens me tocam e me dedilham avidamente, descobrindo marcas imperceptíveis, desenham diante de mim a lágrima cristalina que desliza pela face a qual superficialmente sorri... Sofro os caminhos intrínsecos do meu coração e alma, choro pelas pedras e vejo no espelho reluzente de um olhar: o meu jardim das ilusões se desvanecendo na fumaça perfumada da saudade...

João de Joshaff

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Licença Poética


Queria, hoje, pedir licença aos poetas
para desatar nas palavras
a poesia que se crava no mais profundo d’alma.
Queria pedir licença aos meus caros,
raros e verdadeiros amigos,
que me emprestem as suas tão belas palavras
e a intensidade de seus versos
para falar do que me rasga nesse instante a alma
e me dilacera o coração.

Quando olhares  se cruzaram
algo aconteceu dentro de  nós,
mas resistimos ao desejo de nos aproximar,
deixamos preconceitos falarem mais alto
e nos escondemos por trás do olhar,
que insinuava e não dizia,
que se mostrava ali,
mas que não nos permitia prosseguir rumo
aos impulsos dos nossos corações. 

Afastamo-nos...
Tentávamos permanecer imparciais
com o orgulho intacto,
distantes do que nos deixava
perturbadamente inquietos diante um do outro.
Preferíamos não ver,
tínhamos receios do que se revelava no olhar
que nos despia de nós mesmos
e que deixava nossa alma à mostra.


Queríamos fugir,
mas tudo nos impulsionava rumo ao outro.
O tempo passou...
Até que, em palavras, o poeta tocou o teu coração
e tu, sem quereres acreditar, percebeste
que estavas diante de algo muito forte e incontrolável.
Foi assim que tudo começou:
Num mergulho infinito de um olhar: ali te vi e me reconheci.
Descobri: ser feliz ainda é possível!

Borboleta


A lagarta se esconde no casulo
Como me fecho em mim mesma.
Veste-se inteira para não se ver
Para não olhar o outro
E descobrir um pouquinho de si. 

O inverno longo...
Deixa soprar em mim um vento frio...
Uma solidão tenebrosa
Beija-me gélido o gosto das lágrimas
E perco-me sem ti.
Mas depois de uma tempestade
Vem a calmaria...
Das lágrimas despendem-se sonhos.
Dos medos, nascem sorrisos...
E eu, procuro em mim... um pouco de ti. 

Tuas cores tingem o meu olhar...
As tuas nuanças turvas desenham-se em minha mente...
O outono das esperas... o inverno das despedidas...
A primavera dos meus sonhos... o verão das ilusões...
Diante de ti vejo-me assim...
Alada borboleta em cores circuncidando sobre ti...
Como o mais afrodisíaco dos perfumes
Invade a calmaria para fazer em mim... Tempestade!
E eu, na areia fina, desenho palavras:
Ah! Que saudade!!!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brasil


Na vertente de um olhar
Explode versos nas canções
Que só os olhos compreendem.
Solidão de almas vãs
Prosseguem rumo à eternidade...
Profetizando nas pedras... a luz,
E nas bocas... a sabedoria.
Que arrasta multidões,
Onde desvanecem ilusões.

Jaz ali, no brilho das estrelas
O desfragmentar de um sonho.
Jaz ali naquela imensidão de azul divino,
O beijo das ondas que se eleva aos céus.
Nasce na areia a certeza de um sonho...
Na espuma do mar que se choca nas pedras,
A verdade que se desprende dos medos...
Assim como a luz dourada do sol
Que toca as ondas em suaves nuanças...

As ondas tocam-lhe os pés,
A túnica longa, alva e leve
Cobre-lhe o corpo.
Os cabelos encaracolados,
Desprendem-se até os ombros
A barba espessa parece mais clara
Por causa do dourado do sol.
Seu olhar parece emanar paz,
Refletindo as maravilhas da Criação.

As ondas tocam-lhe os pés descalços,
Sua imagem permanece intacta n’alma,
Pois tranquiliza, acalma e acalenta.
Caminha cabisbaixo e pensativo.
Sorri para os pássaros...
Fecha os olhos ao contemplar o mar...
Confluem-se à sua frente
O azul intenso do céu
No profundo e imenso azul do mar. 

Pronuncia palavras...
Parece mais uma prece.
Os olhos voltados para o alto... em súplica...
Sua voz se eterniza.
Parece ecoar palavras ao vento.
Sua grandeza é infinita,
Imortal, real e viva.
Seu olhar toca a alma
De quem se atreve a buscá-lo.

Longe se avista um barco,
Ele continua quieto observando.
Do céu desce um feixe de luz,
Encobre-o e Ele desaparece.
O barco se aproxima cada vez mais...
Na areia Ele deixou escrito... Brasil!
No alto, um coro de anjos canta...
Para embalar e conduzir a viagem de Jesus!